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Cristãos e Espiritas

Cristãos & Espiritas, divergências religiosas, religião, cristianismo.

Vivemos em um mundo de variações constantes, cada dia uma descoberta cientifica, e dentro dessas descobertas, outras são descartadas e tidas como falíveis. Época essa que cada dia a tecnologia se avança de maneira incontrolável, e quem quiser acompanhar esse crescimento, a melhor maneira é partir para o consumismo. A filosofia de vida do ser humano tende a mudar constantemente, nas áreas econômicas e sociais, na cadeia alimentar e outros, o certo é, que o homem tem se submetido à falta de personalidade, para acompanhar esse sistema que nós mesmos criamos e nos tornamos escravos do mesmo.

E a igreja, como tem se comportado diante de um mundo tão conturbado como esse? Será que somos um exemplo a ser seguido, ou já fomos engolidos por esse sistema que nos obriga a buscar coisas novas para atrair os novos clientes? Se a igreja não tem sido um mecanismo influenciador, então ela é influenciada, e de quais maneiras ela tem sido influenciada?

OSÉIAS 4:6. “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não seja sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos”. Nesta passagem, encontramos uns dos meios pelo qual o povo de Deus foi destruindo, justamente o que encontramos hoje em nossas igrejas, a falta de conhecimento “conhecimento da sua própria fé” tem levado o nosso povo a ser influenciado por quaisquer ventos doutrinários, principalmente aos de cunho “espiritual”. A igreja dos tempos atuais, tem passado pelo mesmo problema da sociedade secular, a falta do conhecimento teológico, principalmente de uma teologia bíblica e [1]etimologicamente correta, tem feito com que as igrejas e seus lideres percam sua personalidade cristã, e em sua maioria aquele de veria ser adorado “Deus” da lugar ao homem e consecutivamente reina a vontade humana.

Se fizermos uma pesquisa de campo, abrangendo a cidade de Londrina, e as regiões mais próximas a ela, com o objetivo de descobrir qual o numero de igrejas e comunidades existentes, com certeza o resultado será assustador, e o que não dizer se a pesquisa for mais alem, e analisarmos também os métodos usados pelo qual cada líder tem feito sua teologia bíblica, quais as ferramentas utilizadas para construir uma exegese bíblica, com certeza ficaremos aterrorizados com a forma que muitos têm distorcido as verdades bíblicas. Podemos nos perguntar. Não é a mesma bíblia que estudamos? Então porque encontramos tantas divergências?

Um grande problema que encontramos e talvez seja a maior conseqüência de tantas divergências é a tentativa absurda de inserirmos nos textos bíblicos aquilo que não existe de fato, ou usarmos um texto para defendermos algo utópico. Notaremos nessa pesquisa, igrejas que tentam formar teologia focada no demônio, outras pensam apenas nos bens matérias, já outra linha tem esquecido que a adoração é também racional, trabalhando apenas o aspecto emocional da fé, haja visto que quando falamos de fé, encontramos três elementos fundamentais inseparáveis da fé. O Intelectual, Emocional, e o elemento Voluntário.

O ELEMENTO INTELECTUAL

Este elemento inclui a crença na revelação de Deus na natureza e nos fatos históricos da escritura, e nas doutrinas ali ensinadas quanto a pecaminosidade do homem, a redenção providenciada em Cristo. Embora este elemento de fé seja grandemente menosprezado hoje em dia, é no entanto fundamental para os outros constituintes da fé. O apostolo Paulo diz: “A fé vem pela pregação da palavra de Cristo (Rm. 10:17)”.

O ELEMENTO EMOCIONAL

Podemos destacar Mt. 13:20, 21. “O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, sendo antes de pouca duração; em lhe chegando a angustia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza”. Essa referencia insinua uma aceitação parcial e temporária da verdade de Deus, diferente de uma apropriação completa de sua mensagem e de seu Cristo. Podemos definir o elemento emocional da fé como o despertar da alma para suas necessidades pessoais e para a aplicabilidade pessoal da redenção fornecida em Cristo, juntamente com um assentimento imediato a essas verdades. É o tipo de situação que encontramos em eventos de reavivamento, que dão ênfase indevida ás emoções. Parece haver uma aceitação imediata de Cristo e uma manifestação do fruto da nova vida; mas como na parábola do semeador, chegando a angustia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza.

Embora o elemento emocional certamente tenha que ser reconhecido como um constituinte da fé, não deve se tratado como se fosse a única característica da fé. Aqueles que têm uma quantidade indevida de emoção em sua fé, tem a tendência a escorregar e sentir a necessidade de serem salvos muitas vezes novamente.

O ELEMENTO VOLUNTÁRIO

Este elemento da fé é a conseqüência lógica do intelectual e do emocional. Este aspecto inclui a rendição do coração a Deus, e a apropriação de Cristo como salvador. Crer Nele como Senhor é reconhecê-lo como Senhor; e não podemos reconhecê-lo como Senhor sem que abdiquemos o nosso próprio eu. Está observação a respeito da fé é hoje em dia muitas vezes ignorada ou mesmo deixada para uma outra época posterior de consagração, mas as Escrituras a ligam com a experiência inicial da salvação. Este elemento voluntário, dificilmente é mencionado, justamente porque é uma maneira de excluir todo o mérito humano no que diz respeito ao aspecto salvador da fé.

“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus. Ef. 2:8” Paulo argumenta enfaticamente que o homem é justificado no principio da fé, que é oposto ao principio das obras. O fundamento de minha justificação não é nada dentro de mim, tão pouco a justiça de minha mente ou minha atitude, ou até mesmo minha vontade; mas é obra objetiva de Cristo em sua morte. A fé é o meio pelo qual a obra de Cristo é apropriada individualmente. Significa a renuncia de qualquer esforço de justificar-se a si mesmo e uma completa confiança na obra de Deus em seu favor. Desse modo, exclui qualquer ostentação; a fé é, de fato, absolutamente oposta á ostentação. “Ostentação significa a exaltação de si mesmo e de suas próprias realizações; essa atitude é, em sua essência, a própria pecaminosidade”. A Fé é uma confiança total em Deus e na providencia divina para a salvação. [2]

O elemento “emocional”, este que é o mais usado nas reuniões de adoração principalmente de linha pentecostal, é muito importante para a vida da igreja, pois é esse meio que nos faz buscar um contato mais intimo com Deus, “a emoção parece dar uma pitada de açúcar em uma relação”, ao passo que se torna um meio inviável se trabalhado de forma incorreta. Infelizmente, o que mais encontramos é lideres desviando-se da verdade bíblica. O apostolo Paulo ensina que o nosso culto a Deus deve ser racional “Romano 12.2”. Mas o que enxergamos é tentativo totalmente humano de transformar a adoração racional em algo irracional onde o adorador deve sair de si entrar em transe parecendo que as pessoas estão possuídas, sendo que, ninguém fica possuído do Espírito Santo. Quando direcionamos nossos olhares para esse problema, logo lembramos daquilo que chamam “Avivamento em Toronto”, milhares de pessoas buscando um relacionamento com o sagrado, através da “Unção do Riso ou Bebedeira Espiritual, onde as pessoas ficam com seus corpos desordenados”.

Ao olharmos para a nossa realidade não é diferente, pessoas que dizem sair de si e começa a dançar, pular, entortar as mãos, cair, rolar, gritar, se esfregar nas paredes e mais, oração por fotos, chave de carro casa etc. O que seria isso? Temos uma nova revelação que não está inserido nas escrituras? È claro que não! Será que Deus tem prazer em fazer de seu povo marionetes, onde ele brinca um pouco e depois vai embora? Se for assim, então servimos um Deus tão mesquinho e sujo como os deuses gregos. Sabemos que o ser humano em sua maioria, tem grande facilidade de se relacionar com coisas místicas, e pelo que parece, essa tentativa de adorar a Deus, foi diretamente influenciada pelo misticismo, e culto afro-brasileiros.

No livro de Atos 2.6, o relato da decida do Espírito, é um dos primeiros argumentos usados por aqueles que defendem ser Deus um utilizador de marionetes, para muitos desses, o mistério está implícito no verso 13, “E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto”, a argumentação é muito ilusória, pois usam o mosto para dizer que os discípulos de Jesus não podiam controlar os movimentos de seus corpos assim como pessoas literalmente embriagadas. Outra argumentação está ligada no livro de Daniel 8:17, quando ele caiu amedrontado com o rosto em terra.

A mensagem que é ministrada nesses tipos de conferencias, em sua maioria, são criadores de expectativas, com grande menção de que algo extraordinário, fora do comum ira acontecer. Parece que estamos tendo problemas mais sérios do que a igreja em Corinto, quando o Apostolo Paulo, teve que exorta-los por causa da falta de ordem nas reuniões 1Co 14.23; Os ministros em nossas igrejas deixam ser levados por qualquer meio que faça a igreja crescer em numero, mas não em qualidade de vida com Deus, dessa forma, encontramos muitas pessoas confusas e sem conhecimento de seu próprio Deus. Essa forma de cultuar a Deus parece ser muito antiga na historia da igreja. Encontramos o chamado “movimento anabatista”. [3]Tinham forte tendência místicas, haja visto que esse grupo teve sua historia na época da reforma, formado em meados de 1525, muitos deles, se preocupavam mais com suas tendências espirituais do que com a própria reforma. Muitos deles sentiam que a inspiração do Espírito estava acima da Escritura, e alguns até reivindicaram que a palavra escrita devia ser colocada de lado em favor da Palavra que Deus fala diretamente ao espírito humano.

Em sua maioria, cristãos que se preocupam apenas com o aspecto emocional da fé, tornam-se pessoas vulneráveis, principalmente no que tange ao conhecimento de Deus, pessoas que se preocupam em uma suposta experiência, talvez nunca tenham tido um encontro verdadeiro com o Senhor através da sua palavra. O verdadeiro culto a Deus é racional, “Rm 12.2”, pois as manifestações místicas não dão lugar a reflexão e a meditação, as manifestações do Espírito estão ligadas totalmente aos dons espirituais, mas tudo com ordem e decência “1Co. 14.40”. O principal objetivo do culto cristão é glorificar a Deus, e edificar a igreja através dos dons que são distribuídos pelo Espírito Santo. Um lugar onde reina as supostas manifestações, não há lugar para a palavra de Deus e nem para a edificação do próximo por meio de palavras inteligíveis. Os dons, quando exercidos segundo uma teologia bíblica sadia, não é de forma nenhuma causador de confusão, pois o mesmo Espírito que nos usa com os dons, esse também trás a ordem devida.

Concluímos que, o Espírito de Deus não faz dos adoradores de Deus meras marionetes, e muito menos Deus precisa tirar nossos sentidos para nos mostras o verdadeiro sentido da adoração, pois ele trabalha em nossa razão para que possam entender o verdadeiro propósito da adoração. Afirmamos não existir outra revelação divina. Que não temos um evangelho à parte. Portanto, todo e qualquer movimento que coloque as doutrinas bíblicas fora de foco é perigoso e considerado herética, etimologicamente incorreta e totalmente perigosa para a verdadeira fé em Cristo nosso Senhor e salvador.

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[1] Parte da lingüística que estuda o étimo das palavras. ( Do grego etymon, verdadeiro) Novo Dicionário Escolar da Língua Portuguesa: Editora Didática Paulista; “www.didatica .com.br .

[2] Palestra em Teologia Sistemática; Thiessen Henry Clarence. Imprensa Batista Regular do Brasil.

[3] JUSTO L. GONZALEZ. UMA HISTORIA DO PENSAMENTO CRISTÃO. DA REFORMA PROTESTANTE AO SÉCULO 20. SÃO PAULO: CULTURA CRISTÃ 2004.
 

Por victor john correia




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