Acesso Restrito

Formulário Acesso Restrito

O Orientador Educacional e uma necessidade filosófica nos cursos de pós-graduação

Dê sua nota:
  • Currently 0.00/5

Avaliação : 0.0/5 (nenhum voto)
Você precisa estar logado para votar.

O ORIENTADOR EDUCACIONAL E UMA NECESSIDADE FILOSÓFICA NOS CURSOS DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO-SENSU.

THE ONE ORIENTED EDUCATIONAL AND A MUSTA PHILOSOPHIC AT THE COURESES AS OF POST-GRADATION LATO SENSUAL.

Ana Paula Menezes de Freitas

Pós-graduação em Educação Profissional Fiocruz/EPSJV

Pós-graduação em Orientação Educacional Pedagógica-UCAM.

Menezes-freitas@uol.com.br

 

RESUMO

A proposta central desta pesquisa é explicitar que há uma nova forma de atribuir formação nos cursos de pós-graduação na especificada do orientador profissional e dentre outras modalidades que venham a surgir e repense que tipo de teoria e prática está sendo priorizado diante da formação ou da condução da vida de outros sujeitos.

E assim nasce uma iniciativa como ponto de partida de propor a reflexão, através do próprio campo de conflito onde esta inserida esta profissão e com isso não só propor outros caminhos de construção histórica.

Assim as questões emergenciais da Educação que ainda permeiam no contexto educacional a relevância da filosofia na educação é primordial no desenvolvimento desta pesquisa que é realizada por elucidações não com o objetivo de uma simples interrogação, mas que se torne o momento de refletir sobre as bases sempre se fizeram presentes para que não se fizesse a verdadeira mudança. Como, Amatuzzi “...O que vem a ser o falar autentico, como podemos descreve-lo, como podemos identifica-lo? E: sobre que condições sua ocorrência pode ser promovida ou facilitada? (1988, p. 18)

Quando é proposto que haja uma base filosófica, não está partindo do imaginário, ou seja, mais uma relevância sem sentido ou que esteja no plano da aparência, mas existem profissões que tem em sua base a argumentação para que ocorra tal ação desejada, como nós educadores, possuem como base uma ação concreta de fato, porém não é a visão concreta do ideário educacional por diversos motivos.

Dentre estes aspectos o que é totalizante no nascimento da educação e de seus profissionais e, além disso, o que de certa forma está embutido para que ocorra essa fragmentação tanto na teoria para o exercício da prática. E esses aspectos ainda que irrelevantes no sentido de ter uma pesquisa não só para leitores ou então por questão curricular, como Freidson, Foucault e para Amatuzzi “... o discurso cria seus próprios significados” (1988, p.20) ou Amatuzzi in Merleau-Ponty “... não pode ser compreendido palavra por palavra, com a ajuda de um dicionário... As palavras de uma pessoa adquirem uma significação no contexto de seu discurso, de toda sua presença, e da relação que ali se estabelece” (Ibidem, p. 21).

E para Focault a analise parte como essas palavras estabelecem uma relação e dentre o mais relevante “... ou mesmo produzir certos tipos de silêncio, ou seja, aquilo que não pode ser falado...” (Ibidem, p. 22). E como essa pesquisa busca entender ou te mesmo vislumbrar como é a expressão do eu social-político para com o eu profissional na manipulação da vida ou na como sente e faz o mundo ser mundo. E como achamos as palavras? O que é palavra, na formação do falar destinado ao discurso de orientar? E como os espaços de formação se atribuem desta construção a uma certificação de ação sem uma base filosófica?

E de certa forma levando a diante essa questão de uma problematização de uma formação que na verdade foi reduzida a um simples espetáculo do desmerecimento de uma coerência ao fincar em suas bases um teatro onde o canudo (certificação) é a resultante da opressão de discursos minimalistas e a vida caiu na desrazão de ser vivida plenamente.

 

 

Palavras-chave: Orientação Educacional- Educação- Políticas- Filosofia

 

Abstrace

 

The central proposal of this research is to clarify that there is a new way to assign training in post-graduate specified in the training and mentoring among other arrangements that emerge and rethink what kind of theory and practice is being prioritized before the training or the driving the life of other subjects.

And thus was born an initiative as a point of departure to propose a reflection through the same area of conflict where it entered this profession and thereby not only propose other ways of building history.

So the issues of Education emergency that still permeate in the educational context the relevance of philosophy in education is paramount in the development of this research that is performed by elucidators not with the goal of a simple question, but that has become the time to reflect on the bases when if they did not present to make a real change. How, Amatuzzi "... What is to be the authentic talk, how can describe it, how can we identify it? E: on what conditions their occurrence can be promoted or facilitated? (1988, p. 18)
When it is suggested that there is a philosophical basis, not on the imaginary, or one more relevance or that is meaningless in terms of appearance, but there are professions which have their basis in the arguments for such action to occur desired, as we educators, have concrete action as a basis in fact, but is not the concrete vision of educational ideas for various reasons.

Among these aspects which is totalizing at birth of education and their professional and, in addition, which is built in a way so that this fragmentation occurs both in theory for the exercise of the practice. And even if these aspects irrelevant in the sense of having a search not only for readers or for curricular issue, as Freidson, Foucault and Amatuzzi "... The speech creates its own meanings "(1988, p.20) or Amatuzzi in Merleau-Ponty" ... Can not be understood word for word, with the help of a dictionary ... The words of a person gain a meaning in the context of his speech, his whole presence, and the relationship that is established there "(Ibid, p. 21).

And for Foucault for review as part those words and establish a relationship among the most relevant "... Or even produce certain types of silence, or what can not be spoken ... "(Ibid, p. 22). And as this search search you even understand or see how the expression of the social-political to me with me in the handling of professional life or the like feel and makes the world be world. And as we think the words? What word, in the training of speaking for the speech guide? And as the spaces of training is to give the building a certification of action without a philosophical basis?

And in a way leading to face this question of a problematization of training that actually was reduced to a simple spectacle of Not belong and consistency to their bases fincar in a theatre where the canudo (certification) is the result of the oppression of speeches minimalist and life fell on desrazão to be lived fully.

 

 

Key-words: Beacon Educational – education- policies- Philosophy

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

“Subentende-se ainda, naturalmente, que o profissional em orientação deve também possuir os traços de personalidade que caracterizam todos os que têm êxito em lidar com pessoas em situações face a face” (Beck, 1977, p.32).

 

             

Quando Freidson (1998), estrutura as relações podemos dizer que “procura estabelecer os limites de ambos sobre a vida humana”, que ao mesmo tempo vivemos intitulados pelos condicionantes que reconfiguram nosso processo a cada milésimo de tempo e com isso faz com que questionar o que é limite? Como discutir essa palavra desarticulada perante a essência? Ou até que pontos têm limite para levar meu orientando a que espaço? Será o meu determinismo ou será o dele consciente por que o meu (eu) demonstra ser consciente de minhas próprias incertezas do que realmente será um futuro adequado? (Freidson, 1998, p.25)

“Se tal interrogação surgiu, é que uma alteridade se introduziu no âmago do ser, um outro que o ser que, por se outro, será um não ser. Tal aparição não nos espantará, já que a consciência, enquanto intencional, coloca o ser como o outro dela própria. É, pois, a consciência que é o outro ser, o não ser”.  (Dartigues, 2005, p.106)

 

A partir de uma indefinição do papel do orientador educacional em sua historicidade e até mesmo pelos conflitos que permeiam a prática e sistematização de novas perspectivas tanto na legislação quanto no campo de atuação, a partir do pressuposto de Merleau-Ponty que traz a problematização do “que é uma pesquisa rigorosa, o que é uma verificação, o que é a crítica de si mesmo e dos próprios preconceitos”. (Merleau-Ponty, 2004, p.5).

 

Então, o presente trabalho se propõe analisar a partir da lógica da fenomenologia uma forma instrumentalizada para que se possam percorrer o caminho da ambigüidade da cientificidade da educação, como Dartigues, coloca que “As ciências dos fatos puros e simples produzem homens que só vêem puros e simples fatos”. Podemos relacionar com a questão da crise de identidade que vive fragmentada, onde tudo é foco para a realização de novos pilares de construção do conhecimento e ao mesmo tempo nesse intercambio Husserl diz que é simplesmente um olhar desarticulado de uma razão que não já se encontra nas relações permeadas de “contaminações” de uma falsa realidade de sustentabilidade de cotidiano que gera essa inconstância do saber para a história real e não para ideal ao qual o homem vem escrevendo e perdendo seu estado criativo e para além dessa pesquisa o Orientador Educacional de certa forma pela busca de uma identidade filosófica nos espaços de atuação só exerce esse puro direcionar que Husserl fala e não a questão o que é orientar diante de uma perspectiva existencial através da percepção de Merleau-Ponty. (Dartigues, 2005, p.66)

 

“Crise interna das ciências humanas, crise interna da filosofia e crise recíproca entre ambas: numa espécie de luta pelo poder, estabelece-se a “guerra fria” entre o “mito da filosofia” e um mito do saber científico” (Merleau-Ponty,2001, p.06)

 

 

A fenomenologia torna-se pertinente pela transitoriedade da experiência de consciência, onde construímos nossos processos mentais com descrições precisas do fenômeno e além desses mecanismos transitamos entre o transcendental e com isso a experiência adquirida vai além do método científico.  Portanto, Merleau-Ponty sintetiza que:

 

“...na fenomenologia o ego do pesquisador é o maior instrumento para a coleta de dados... [ e este] não procura a evidência como ela se dá em si mesmo enquanto originária, mas ao invés disto abre horizontes pela descoberta das pressuposições a respeito do fenômeno...”(Merleau-Ponty, 2004, p.35)

 

Dentre o mais importante na elaboração deste projeto de pesquisa é vislumbrar que na sua grande maioria os profissionais não só oriundos da graduação como da pós-graduação buscam problematizar o que esta no jogo entre o falso e o verdadeiro, assim a formação em Orientação dentre suas especialidades possa a estabelecer a dialética e complexidade na duração do urso, a exposição do que se acha necessário argumentar, a dicotomia entre prática e teoria.

 

Contudo, este profissional encontra-se a postos, como uma sentinela e “ como se o estabelecimento das verdades objetivas deixasse a liberdade humana ainda mais desamparada em suas escolhas e em suas condutas...” sem uma função específica para conduzir de certa forma nova rumos aos sujeitos que necessitam de uma nova perspectiva. (Dartigues, 2005, p.68)

 

Então, verifica-se não só a problemática do contexto que Beck, nos coloca não só a orientação em significado de junção de palavras, mas uma orientação que está profundamente preocupada e articulada coma a sua matriz educação que na resultante se estrutura em um ato consciente e político e ao mesmo tempo “com o tempo de tensão e indecisão”.  (Beck, 1977, p.3)

 

 

Assim,

“a orientação se desenvolve tão rapidamente e com tal impetuosidade em seus anos formativos, que não houve tempo para elaborar uma teoria cuidadosa, unificada, ou para formular de maneira erudita e pormenorizada seus fundamentos filosóficos”. (Ibidem, 1977, p.7)

 

Contudo, analisamos a contradição existente e que na maioria das vezes ficam subjugadas e direcionadas as ações do processo de formação e de atendimento que se evidencia na prática, por ainda estar no plano da aparência que retrata a classe excluída do processo emancipatório, ao qual descaracteriza em espaços minimalistas e de políticas educacionais sem base do cotidiano impensado em suas próprias necessidades.

 

  Portanto, partimos do conflito existente de paradigmas do espaço de ação e formação do orientador educacional, ao qual não se define em sua própria nomenclatura, onde o que é Orientar em um espaço de ambigüidades? Partindo da multiplicidade de contextos deste sujeito a ser orientado?

 

Como Garcia e Maia o orientador educacional por lei, deveria fazer a ponte Escola-Família-Comunidade, não é capaz de captar o mundo do aluno real, sujeito histórico do processo educacional. Assim, propondo-se a “conscientizar, contribuindo para ajustar, adaptar e regular comportamentos e até expectativas que fujam a um padrão ideológico de normalidade”. (1995, p. 9)  Desfocando do que é o essencial em educação, patologiza o processo, provocando um mal-entendido em que nem a escola ensina, função que lhe cabe, nem ajusta, função que se pretende.

 

Assim, como entrelaçar estes itens na perspectiva de busca de autonomia e de legitimação onde de a sua postura ainda persiste na condição de sentinela que fica na espreita esperando soluções rápidas e adequadas que o sistema impõe para o condicionamento coeso da sociedade.  No entanto (1998) redefine que para uma reformulação das ações do Orientador Educacional a necessidade de uma nova escola, para assim demandar novas ações do Orientador Educacional.   Verifica-se a partir do pressuposto de Pimenta, mas ao mesmo tempo colocar um ponto de interrogação em nossos pensamentos e em nossas ações pela historicidade do que realmente é educação, antes de pensar na profissionalização, como todo o processo formador que é permeado de discursos e de muita pouca prática coerente para se ter um espaço ampliado de forma democrática e que busque a autonomia de ações deste profissional.

 

A trajetória deste profissional nos traduz de certa forma a prática vigente dos dias atuais, mas caro leitor, o texto não se propõe a ter embates de uma criticidade elevada, mas nos mostrar avanços e retrocessos desta profissão, como seu surgimento que se dá na década de 20, que é imposto a partir da lógica liberal que parte da representação de papéis e não assim explicitando a importância de ações incisivas deste profissional no contexto escolar.

 

  Contudo, mascarando o papel dialógico que é superado pelo autoritarismo, pela produtividade em larga escala e de sujeitos catalogados e classificados para a atuação de amplitude desse espaço.  

        

O Orientador Educacional não surge do nada, como algo não refletivo estrategicamente, ele é o processo da própria contradição da reformulação dos conflitos existentes no processo educacional, porque a busca de identidade vem sendo traçada desde o curso de Pedagogia até um curso de especialização que ainda persiste na fragmentação do saber ou até mesmo em um curto tempo para a fundamentação e sistematização para trilhar novos rumos. E de acordo que “... as coisas não são, portanto, simples objetos neutros que contemplaríamos diante de nós...” (Merleau-Ponty, 2004, p.23). Portanto, para além de algo ainda não concretizado essa necessidade de buscar o cunho filosófico para este profissional se dá pela evidencia que “ ele nasceu de experiências do mundo sensível (mesmo que ainda se busque entender certas “razões” para tais atos”) onde encontraremos corpos com formas imperfeitas e variadas...No mundo visível que nos cerca...” (Dartigues, 2005, p.68)

 

E a partir dessa lógica de Merleau-Ponty que tudo tem um sentido, nós essencialmente sob todos os aspectos a mesma estrutura do ser, não em uma questão de isolar ou de “refinar” para obter uma resposta para o outro, mas em um sentido pleno e coeso dessas relações em busca de respostas essenciais que explicitará cada rumo ou cada encontro de vida.

 

Partindo da lógica de Merleau-Ponty o que é estruturado por Diretrizes Curriculares pela ausência falaciosa de políticas públicas, onde necessariamente não é pautado o que é “educação” como diretriz de ações para com a ciência pedagógica ou até mesmo Pedagogia que é ultrapassada por uma ideologia do processo de formação deste país e das próprias ciências que na maioria das vezes ofusca o que é realmente Educação, Ciência pedagógica e dentre outras, como:

“O mundo verdadeiro não são essas luzes, essas cores, esse espetáculo sensorial que meus olhos me fornecem, o mundo são as ondas e os corpúsculos dos quais a ciência me fala e que ela encontra por trás dessas fantasias sensíveis” (Merleau-Ponty, 2004, p.3).

 

Como Garcia e Maia (1995) A formação do Orientador, pautada, sobretudo numa certa Psicologia e numa concepção de educação como instância de democratização e promoção social, tem dificultado a apreensão das relações entre Escola e Sociedade, o que o capacitaria a fazer a crítica de sua própria prática, embora seu discurso o defina como crítico do processo.

 

Umas das vertentes que priorizou na fundamentação da relação teoria e prática do O. E. (Orientador Educacional), foram às tendências pedagógicas ao qual tinha-se a forma ou até mesmo o referencial de formação a ser elaborado e executado por este profissional foi a falta de uma formação mais consciente e articulada na ação em seu próprio cotidiano que levaram este profissional a um caminho dual, pois a falta de articulação e até mesmo a imposição diante de normas pré-estabelecidas levaram ao O.E própria dualidade em busca de uma autonomia intelectual e prática.

 

Como Garcia e Maia (1995) Mas, que a legislação que vinha de cima e as teorias que vinham de fora, começam a surgir, no final da década de 70, a crítica dos próprios orientadores educacionais, que, insatisfeitos com o papel que lhes fora destinado, buscam um novo papel. Vendo-se como educadores, começam a se perceber no contexto e, aproxima-se de outros educadores, que têm com eles um problema comum, e que com eles, tentam encontrar novos caminhos.

 

Mesmo partindo das concepções das autoras temos que verificar mesmo diante da perspectiva do atual século, onde o sujeito passa para a categoria de indivíduos e assim a pós-modernidade instaura seus pressupostos é necessária uma reflexão mais profunda do realmente se trata do que é ser Orientador Educacional em uma análise sócio-histórica.

 

Como Garcia e Maia (1995) Ou se mantém sob as asas protetoras do Estado, garantidos por leis, agindo corporativamente, e preocupando-se com o que lhes é específico. E nesse caso, sua ação será compartilhada na escola e fora da escola. Ou se incorporam à luta coletiva de todos os profissionais da educação, preocupando-se mais com o que lhes é comum do que com o que os distingue. E nesse caso sua ação será globalizadora dentro da escola e fora da escola.

        

  E como entender o Orientador Educacional se a matriz é a Educação. É o ato político. É a relação humana. É a formação histórica social e enfim a busca de novos horizontes, mas que ao mesmo tempo o movimento de Merleau-Ponty que vai:

“... estabelecer uma verdade que não fosse uma verdade para esta vida..., na qual seriam trazidas à luz as “estruturas invariantes” deste mundo que entram em toda experiência real e possível e constituem assim um “ a priori pré-lógico” tão universal e necessário quanto as formas do “a priori lógico”, que se fundam sobre ele”  (Dartigues, 2005, p.73)

                   

 

                                            CAPÍTULO I

ALÉM DO PROFISSIONALISMO

 

 

Partindo da perspectiva de Maurice Merleau-Ponty que a multiplicidade de contextos que difere de cada ser humano é a chave ou até mesmo uma possibilidade do real para que possamos mesmo submersos diante da estrutura contraditória refletir independente desta perspectiva, mas vislumbrar a partir da lógica da fenomenologia que estrutura o sujeito desde a sua origem.  É através desse referencial, onde Leis, origens, ética, profissionalismo e dentre outros que tem como início o todo sempre do sujeito desde a articulação proposta nesta pesquisa, como:

“O mundo é aquilo mesmo que nós representamos, não como homens ou como sujeitos empíricos, mas enquanto somos todos uma única luz e enquanto participamos do Uno sem dividi-lo”.  (Merleau-Ponty, 1999, p.7)

 

Assim, a estrutura do Orientador Educacional nos faz trazer questões emergências para a atualidade, onde não só os cursos de formação, mas também a mediocridade na atuação de sujeitos, como Arendt desloca-se no sentido de uma posição concisa de que “a educação não pode desempenhar papel nenhum na política, pois na política lidamos com aqueles que já estão educados”.  (1972 p. 225); e a partir dessa classe que ramifica outras classes, através de um “trunfo” ideológico e em contra partida como uma problemática estrutural que são os que possuem como articulação o discurso fincado na hipocrisia da verdade e que ainda passam um saber determinado e falsamente articulado na proporção que o sujeito esta na sua relação de poder ou de saber. 

 

E com isso Freidson (1998), traduz duas grandes complexidades de dimensões da profissionalização, pois sendo a mais importante que delimita com a proposta da pesquisa que são:

 

“... as que são mais acadêmicas ou cientificas, que podem sobreviver obtendo o apoio ou o mecenato de grupos poderosos, como o Estado e as associações profissionais, o que lhes permite prescindir da adesão de uma clientela leiga... O problema em questão consiste em focalizar a autonomia profissional como um atributo relevante para o poder de uma profissão”.(Freidson, 1998, p.38)

 

Contraditoriamente tanto a Freidson e Merleau-Ponty que traz uma outra lógica para além da postura ética:

 

“Para que outro não seja uma palavra vã, é preciso que minha existência nunca se reduza à consciência que tenho de existir, que ela envolva também a consciência que dele se possa ter e, portanto, minha encarnação em uma natureza e  pelo menos a possibilidade de uma situação histórica”. (Merleau-Ponty, 1999, p.9)

 

Contudo verificamos diante do próprio profissionalismo, através da fenomenologia a origem da necessidade deste profissional desde sua elaboração até o posicionamento de uma profissão articulada entre a prática, teoria e ética. Como Merleau-Ponty, que “... mas isto não é perceber, é definir”. (Merleau-Ponty, 2004, p.56).

 

Indo além do esperado como um senso comum de um ensino privado, pois este é o seio onde surge o objetivo desta pesquisa de analisar a definição já pré-estabelecida com a percepção que o olhar nos dá para com os processos fictícios entre ser orientador na perspectiva fenomenológica e ser orientador no simples ser por questões meramente desarticuladas com a proposta de um profissional que problematiza sua essência, seu espaço e suas relações.

 

Uma das questões importantes desta pesquisa antes é ir além da sistematização das Leis que traduziram o caminhar deste profissional como fonte de percepção que aos olhos (na perspectiva de um sujeito agente) não refletem de forma clara e objetiva, como Merleau-Ponty que é a própria fonte infinita e necessária para caminhar no incontrolável da maquinaria da mente humana que ao mesmo tempo é enquadrante e perceptiva em suas múltiplas faces.  Por isso,

 

“O mundo é não aquilo que eu penso, mas aquilo que eu vivo: eu estou aberto ao mundo, comunico-me indubitavelmente com ele, mas não o possuo, ele é inesgotável. “Há um mundo”, ou, antes, “há o mundo”; dessa tese constante de minha vida não posso nunca inteiramente dar razão”. (Merleau-Ponty, 1999, p.14)

 

  Portanto, quando o Orientador Educacional orienta em que sentido? Para quem? Para que? E assim temos como processo do pensar que está caminhando para um determinado lugar e com isso questões que envolvem esse sujeito ainda na condição de ser passivo, serão esquecidas diante da própria indagação e pré-conceitos de um plano de vida, assim é possível fixar quando começa e quando termina a efetivação deste profissional? Aonde que se esgota a proposta final? Será que a formação do emissor dará conta ou até que limite pode estabelecer entre o estabelecer caminhos? Será que esse caminhar é certo? E o que é certo para nós?  Então Merleau-Ponty nos diz que “... flechas indicativas nas estações, cuja única função é orientar-nos em direção à saída ou a plataforma?...” (Merleau-Ponty, 2004, p.58)

 

Para além do imaginário que a vida nos dá os cursos de certa forma mesmo em seu cunho assistencialista no sentido de uma formação para o tecnicismo e não para a emancipação ou de caráter formador apenas, sendo estes mais presentes na sociedade atual onde o sujeito agente nunca será o diferencial na trajetória do outro e é nesses outros homens que irão fazer história não a partir de um novo com ramificações velhas, mas de um novo articulado ao velho com processos de clivagens divergentes dos atuais. Como Arendt:

 

“Basicamente, estamos sempre educando para um mundo que ou já está fora dos eixos ou para aí caminha, pois é essa a situação humana básica, em que o mundo é criado por mãos mortais e serve de lar aos mortais durante tempo limitado”. (1972, p.243)

 

Então a preocupação de categoria filosófica é pertinente no contexto que este profissional está inserido e como perpetua suas ações, assim Arendt que:

 

“Tudo que vive, e não apenas a vida vegetativa, emerge das trevas, e, por mais forte que seja sua tendência natural e orientar-se para a luz, mesmo assim precisa da segurança da escuridão para poder crescer” (1972, p.236)

 

Mas Arendt coloca uma das evidencias mais nítidas nesse processo de formação que é o conduzir através de ideários a formação que mesmo não estando atrelada ao Orientador Educacional faz com que a reflexão esteja presente, como “pelos próprios cursos superiores, cujos currículos padecem, por isso, de uma sobrecarga crônica, a qual afeta por sua vez a qualidade do trabalho ali realizado” (1972, p. 228).

 

Além das problemáticas trazidas por Merleau-Ponty outro autor que se torna pertinente pela problemática apresentada é Eliot Freidson que é um cientista social que tinha uma relação dialética com a questão do profissionalismo e suas atuações, como uma relação com o mundo como sujeito agente e receptor dessas ações na área profissional, mas de certa forma este autor traçou na lógica da saúde, sendo esta não muito distante de uma relação da trajetória da orientação vocacional para a pedagógica, pois as duas áreas se interpelam por ainda não ter encontrado seu eixo de ação.

 

Traçando um panorama nas fases do Orientador Educacional no Brasil, a partir das diretrizes da Educação Brasileira, podemos verificar que desde o início do século XX verifica-se a caracterização de três pólos, como o educando tem uma nova configuração, como passa ser agente “ativo” de toda uma problemática de necessidade de demanda de mercado e com isso o aspecto individualista é sobre posto como foco principal e a partir deste contexto o Orientador Educacional começa a traçar novas perspectivas.

 

Na diretriz de dois mundos complexos e divergentes Orientador e aluno tinham uma educação toda voltada pelo processo de culpas e estigmas que era dado a esse sujeito passivo, onde mesmo era a fonte de toda articulação, mas ao mesmo tempo não era o foco a ser atingido pelo processo desse profissional.

 

Devido a inúmeras questões que foram sendo envolvidas diante do processo educacional ao longo do século XX o educador de certa forma começa a mudar a perspectiva de suas ações e necessidades, como o Orientador Pedagógico que é mais uma alternativa e dentre inúmeras que a Educação busca para minimizar suas contradições e não refletir de forma concisa suas estruturas para que assim busque novos rumos.

 

Assim com o advento da industrialização e assim novas relações fabris diante do processo formador passa-se assim uma nova configuração de relações do mundo da empresa a partir de uma lógica mesmo que ainda tardia para colocar a devida nomenclatura o capital humano sempre este a frente do ato político formador do ceio da escola ou até mesmo em outros espaços de ampliação ou não de um conhecimento coeso e com seu estado criativo em pleno vapor.  Dentre essa perspectiva Arendt mostra que:

 

“A intenção consciente não era a de ensinar conhecimentos, mas sim de inculcar uma habilidade, e o resultado foi uma espécie de transformação de instituições de ensino em instituições vocacionais que tiveram tanto êxito em ensinar a dirigir um automóvel ou a utilizar uma maquina de escrever, ou, o que é mais importante para a “arte” de viver, como ter êxito com outras pessoas a ser popular”. (1972, p. 232)

 

Devido a este contexto, esta pesquisa torna-se viável e pertinente para a história da educação por se tratar de uma nova possibilidade nos espaços de formação do Orientador Educacional, onde a fenomenologia e a filosofia se interpelam de forma a vislumbrar um novo olhar para o que temos hoje, sendo este minimalista.

 

Assim, Merleau-Ponty é a referencia dentre essas argumentações mais viável para retomar a questão da própria constituição do fenômeno diante da resposta do comportamento na formação e ação do Orientador Educacional.

 

Com o desenvolvimento industrial e suas ramificações para seu desenvolvimento pleno o Orientador Educacional na década de 20 começa a sofrer modificações no seu próprio discurso, mas sua essência ainda continua contraditória, pois ainda neste período não se amplia para a questão de uma filosofia ou mesmo uma estrutura de orientação para os outros, mas sim para o âmbito empresarial.

 

E a partir dessa lógica verificamos duas possibilidades como a ampliação dos espaços do desenvolvimento do recebimento através do contexto escolar, no âmbito do tecnicismo e a influência da Escola Nova que defendia a reformulação para que a qualidade estivesse atrelada à necessidade da expansão do mercado de trabalho.

 

Verificando a possibilidade de inserção no mundo acadêmico esta pesquisa é dentre muitas um ponto de interrogação no surgimento do profissionalismo na própria ciência educativa, onde os seus “pensantes” é que na verdade fazem a diferença no desenvolver desta.  Assim, a cada profissão a cada inesperado e cada dúvida torna-se “cruel’ com a formação ou até mesmo com o direcionamento dos sujeitos inseridos neste processo, como especifico do Orientador Educacional.

 

Mesmo diante desta proposta de ação filosófica a psicologia poderia ser tomada como uma relação de ajuda mutua, mas a intensidade dada dependerá de cada ação do sujeito, pois nesta parte ainda de transição da década de 20 a meados da década de 30 e a base psicológica transpassa o ato político que é a educação, mesmo com o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova.

 

Um dos embates mais importantes diante de toda a trajetória do Orientador Educacional é como a técnica e o racional puro, como bem diria a razão transpassando a todos limites ou se podemos dizer limites, algo que é imposto para além de uma ação fenomenologia e que de certa forma não buscaria tal preceito, mas que mesmo que Foucault (1979) diz com a crise das ciências humanas a formação deste profissional está a mercê do que é idealizado O que é orientação? , fato este que se torna extremamente preocupante no caminhar ou transitar de vidas e trajetórias nas mãos de sujeitos “autorizados” socialmente.

 

Como Freidson, que a “Profissão, portanto, passou a ser vista como uma relação e não como uma unidade fechada em si mesma ou como uma organização isolada de outras interações no mundo profissional” (Freidson, 1998, p. 20).

 

CAPÍTULO II

ORIENTADOR EDUCACIONAL E A FENOMENOLOGIA

 

Dentre inúmeras questões como assumir a função de orientador diante da complexidade existe diante da pós-modernidade, onde o sujeito encontra-se em pleno caos, com sua própria essência, razão e direcionamento de sua própria historicidade. Portanto a cada direcionamento propõe uma razão que eventualmente é estruturada de acordo ao nosso subconsciente, onde este se torna um enigma do ficamos como verdades certas ou erradas, como Beck “A escolha não é um fato, mas uma ilusão considerada do ponto-de-vista da pessoa que atua. Está totalmente determinada” (1977, p. 82)

 

Parte-se da necessidade filosófica o exercício dessa profissão, quando Beck, traduz que:

“... o orientador faz e diz esta determinando pelo seu próprio campo, assim como é determinado o campo do cliente, amenos que o orientador seja diferente de todos os demais no universo físico, por alguma razão formulada. Faz o que deve fazer; tanto no que se refere a ele como a seu cliente, não tem sentido elogiá-lo ou condená-lo”. (1977, p. 70)

 

Partindo de uma proposta de novas inserções, porém o mais importante não perdendo as bases comuns, pois o Orientador Educacional já está pré-estabelecido dentre as bases do sistema, onde se coloca na hierarquia de um determinado micro-poder, Ibidem, que a própria condição de “... reestruturar o campo fenomenológico...”, assim na medida em que a orientação não se torne manipulador.  Contudo, ibidem, “... na realidade, a única maneira de modificar a “escolha” em qualquer direção é reestruturando o campo...cada um faz inferências com base em seu estado atual de conhecimento...” (1977, p. 83)

 

As inúmeras fundamentações de Beck o sentido próprio da presença de que nada é fragmentário desde o momento em que o sujeito propõe-se a refletir sua essência como força motriz da história.  Portanto, “... não há a possibilidade do individuo fugir da própria responsabilidade pelas escolhas... escolher não escolher é, em si mesmo, uma escolha... o destino do homem está dentro de si; poderá ser aquilo que pretende ser orientada a ação nesse sentido”.

 

Umas das questões relevantes e este perceber do orientador educacional em uma proposta mais reflexiva a partir da fenomenologia é segundo Bonomi “o percebido não se dá nunca em si mesmo, mas em um contexto relacional, assim toda a trajetória de embates e conquistas” (1973. p.9)

 

De acordo com a proposta desta pesquisa Merleau-Ponty torna-se necessário para que a reflexão do orientar torna-se uma atividade ética, ou seja, além de um compromisso profissional, mas sim um ato político e consciente do conflito existente neste sujeito ao qual estará nesse processo.

 

Assim, busca se a filosofia onde se revela como um processo contínuo o ser humano como um agente ativo e não como uma mera reprodução que vem se perpetuando no ideário do orientador educacional.  A parti dessa lógica o jogo do discurso do senso comum rompe-se e como tudo que somos é tudo no seu sentido literal e de certa forma as influencias ficaram no ar, como mesmo merleau-ponty propõe.

 

E a partir não só de Foucault (1979), na análise dos poderes relacionados na área da educação, dos micros e dos macros-poderes, Merleau-Ponty faz um contra ponto importante no que se refere essa questão de liberdade que ao mesmo tempo é levantada por esta pesquisa que traduz no plano da aparência e da coerência que este profissional ainda encontra-se influenciado de uma imparcialidade no agir diante de inúmeras teorias que permeiam a hipocrisia da forma, estrutura, intenção e sentido, fato este que Merleau-Ponty traz como conceitos essenciais para a reflexão cotidiana em busca de novos sentidos.

 

Uma possibilidade que o homem ao longo do tempo vem exercendo é fazer e refazer novos caminhos, mas não de modo significativo, pois sua essência com a pós-modernidade ainda encontram-se abalada, através de mesma uma falta de uma orientação de um caminho, de um discurso coerente, de uma percepção, de um olhar não este fragmentado e com um pensar para amanhã.  “Mas é verdade também que o homem não pode escapar às interrogações radicais, a menos que renuncie à busca desse sentido fundamental sem o qual ele não seria de nenhum modo homem”.  (Dartigues, 2005, p.73)

 

Contudo, a fenomenologia é a porta para que este profissional dentre múltiplos olhares consiga ter o problematizar do hoje independente de teorias desarticuladas e leis com brechas que permeiam a ambigüidade do agir e do pensar, assim seu espaço de atuação será o agora e não o amanhã tão fundamentado pelas teorias educacionais e seus atores.

 

CAPÍTULO III

ORIENTAR: OLHAR E PERCEPÇÃO.

 

Orientar? Quem? Como o orientador percebe se como percebe o outro nas suas limitações e assim ao mesmo tempo dialogar com o conflito existente de ser este profissional, como dentre muitos que tentam sair do circulo vicioso entre a hipocrisia da teoria e da prática, como Merleau-Ponty:

 

“Eu comecei a refletir, minha reflexão é reflexão sobre um irrefletido, ela não pode ignorar-se a si mesma como acontecimento, logo ela se manifesta como uma verdadeira criação, como uma mudança de estrutura de consciência, e cabe-lhe reconhecer, para alguém de suas próprias operações, o mundo que é dado ao sujeito, porque o sujeito é dado a si mesmo.” (Merleau-Ponty, 1999, p.5).

 

É através deste refletir que o orientador educacional teria que buscar essa relação com a essência e a problematização desta, onde a psicologia de certa forma se faz mais presente no seu processo formador do que a própria filosofia. Assim esta pesquisa busca vislumbrar que quando psicologia e filosofia acabam sendo disponibilizadas tornam-se desarticuladas em sua grande maioria nos cursos de pós-graduação e em muitos casos as duas ciências estão fragmentadas e acaba sempre em embate de posicionamento, não tornando assim uma possibilidade de diálogo.  Assim fragmenta um corpo diferente proposto por Merleau-Ponty:

 

“Enquanto tenho um corpo e através dele ajo no mundo, para mim o espaço e o tempo não são uma soma de pontos justapostos, nem tampouco uma infinidade de relações das quais minha consciência operaria a síntese e em que ela implicaria meu corpo; não estou e no tempo, não penso o espaço e o tempo; eu sou no espaço e no tempo, meu corpo aplica-se a eles e os abarca. A amplitude dessa apreensão mede a amplitude de minha existência; mas, de qualquer maneira, ela nunca pode ser total: o espaço e o tempo que habito de todos os lados têm horizontes indeterminados que encerram outros pontos de vista”. (Merleau-Ponty, 1999, p.195).

 

Então, para Merleau-Ponty traz que o corpo é feito ou até mesmo estruturado os objetos do mundo, porém a simplificação restringe a própria fenomenologia e a coloca em qualquer patamar e que “essa nova concepção de reflexão, que é a concepção fenomenológica, significa em outros termos dar uma nova definição do a priori” (Merleau-Ponty, 199, p. 297)

 

A necessidade de uma abordagem para a trajetória desenvolvida nos capítulos propostos e que ao mesmo tempo questionados de uma simples evidência do ato e formação do Orientador Educacional, verificamos a necessidade emergente de traçar, O que é o olhar? Nosso olhar é ou não o questionamento de nossos pensamentos ou mesmo a virgula de um senso comum hierarquizado pela falta de posicionamento de nossas ações do agora? E com isso continuamos no mesmo patamar mesmo com o referencial de Merleau-Ponty que “ se eu não tivesse consciência de meu próprio movimento e de meu corpo como idêntico através das fases desse movimento” (Merleau-Ponty, 1999, p. 273)

 

Dentre a percepção é o extremo de nossas relações com outro homem em uma perspectiva dialética como Merleau-Ponty “sem perceber que ele mesmo percebe” e, portanto, o ato perceptivo é uma nova possibilidade do real como “ todo saber se instala nos horizontes abertos da percepção” (Merleau-Ponty, 1999, p. 279 e 280).

 

“Pertinente ou não o profissional de Orientação Educacional parte de duas lógicas perceptivas, uma quando fragmenta Orientação e a outra Educacional duas vias de mão dupla, pois o entrelaçar destas é o conflito e contradições existentes entre ambas na história da educação no Brasil. E seguindo ao horizonte a percepção fenomenologia é o ponto de partida desse próprio caminhar, pois “consiste em afirmar a significação presuntiva do objeto, sem perguntar-se como ela entra em nossa experiência... A percepção exterior e a percepção do corpo próprio variam conjuntamente porque elas são as duas faces de um mesmo ato”. (Merleau-Ponty, 1999, p. 275 e 276).

 

Mesmo evidenciando os avanços da “educação”, ocorre sempre à necessidade de elaboração de pesquisas pertinentes para que além do ato perceptível verifique-se que não só o Orientador Educacional, mas todo o profissional de educação necessita de uma base filosófica para que mesmo “sem perceber que ele mesmo percebe” para que este permeie nesse campo de relações que cada vez distanciam-se, pois:

 

“O pensamento objetivo ignora o sujeito da percepção. Isso ocorre porque ele se dá o mundo inteiramente pronto, como meio de todo acontecimento possível,... Mas, retomando assim o contato com o corpo e com o mundo, é também a nós mesmos que iremos reencontrar, já que, se percebemos com nosso corpo, o corpo é um eu natural e como que o sujeito da percepção”. (Merleau-Ponty, 1999, p.278 e 279)

 

 

A liberdade da percepção vai além da própria história do homem no seu processo evolutivo, quando o mesmo transforma a sua realidade para com as suas relações, pois “sob a pena de perder o fundamento de todas as minhas certezas, não posso pôr em dúvida aquilo que minha presença a mim mesmo me ensina” (Merleau-Ponty, 1999, p.581)

 

Então, essa liberdade do pensar de certa forma é o enquadramento do meu questionamento diante da arte de viver, pois Merleau-Ponty fez foi essa transição, através da fenomenologia para que o uso desta torna-se permeável a uma essência deslocada da história, como “se, por uma única vez, sou livre é por que não faço parte das coisas... nunca o sou inteiramente para mim mesmo me ensina” (Merleau-Ponty, 1999, p.582).

 

Dentre as questões abordadas por esta pesquisa e ser uma possibilidade da percepção de uma realidade fragmentada e ao mesmo fincar-se independente das “contaminações”, como o próprio diferencial deste profissional tão esquemático e complemente fora de sua ciência, porém não que este tem que ser obrigatoriamente a única, mas que é primordial tê-la como ponto de principio de sua ação, mas contraditoriamente o que vem ocorrendo Merleau-Ponty sintetiza com a maior veracidade de que “uma consciência para quem o mundo é “óbvio”, que o encontra “já constituído” e presente até nela mesma, não escolhe absolutamente nem seu ser, nem sua maneira de ser” (Merleau-Ponty, 1999, p.608).

 

Não só partindo da perspectiva de Merleau-Ponty, mas de certa forma do que a história dos homens vem trazendo para a evolução humana e que esse é o momento de acertarmos os ponteiros e verificar o que realmente estamos produzindo não só como uma relação recíproca para nosso próprio eu e para com o outro, mas acima de tudo para as novas gerações e com isso verificar quem e como chegamos a ser sujeito no processo histórico, assim:

 

“E sem duvida é o individuo, em sua prisão, quem revivifica a cada dia esses fantasmas, eles lhe restituem a força que eles lhes deu, mas, reciprocamente, se ele se envolveu nesta ação, se ele ligou a estes camaradas ou aderiu a esta moral, é porque a situação histórica, os camaradas, o mundo ao redor lhe parecem esperar dele aquela conduta”. (Merleau-Ponty, 1999, p.609).

 

 

Não só enfatizando a questão da problemática dos cursos de pós-graduação no sentido de sua formulação e mesmo que este tenha toda uma lógica ainda do vazio ou ao âmago da elaboração e estrutura do pensar, não podemos deixar de refletir que hoje este núcleo é uma realidade, mesmo de forma negada, existe e tem que obrigatoriamente ser pautada para o agora. Como Merleau-Ponty (1999), que todo o momento procura mostrar a necessidade evidente do filósofo, não como este fosse a tábua de salvação da humanidade, mas como este se vê ir além da superação entre o domínio de como a sensibilidade esta articulada a nossa trajetória e como esse entendimento é entrelaçado como condição para desestruturar laços do problema do racional.

 

Muitos dos embates envolvidos do ensino articulados a formação de pós-graduação resultam do discurso critico que está além de nossas forças para problematizar, pois mentes intrínsecas permitem o abismo que se encontra hoje, mas que ao mesmo tempo existe “cérebros” pertinentes na via de mudança filosófica para a realidade atual, pois a percepção desta evidência muitas vezes está voltada para o objeto e não para aquilo que faz o objeto.  Assim, mesmo que este espaço seja dicotômico tanto publico quanto privado o formar deve estar além de interesses pessoais ou a uma dosagem de saber ou de poder, pois “não precisamos temer que nossas escolhas ou nossas ações restrinjam nossa liberdade, já que apenas a escolha e a ação nos libertam de nossas âncoras” (Merleau-Ponty, 1999, p. 612).

 

Se verificarmos a partir de um olhar além da razão humana, como Freidson “em quase todas as nações industriais, as profissões estão passando por inúmeras transformações... prevêem a proletarização; outros profetizam uma considerável reorganização das profissões...”, e a questão a ser abordada não só correlacionada a revolução industrial e o outro formato dado há este século o orientador educacional perdeu ao longo do tempo a sua filosofia tanto quanto ser para si e ser em si nas relações sociais e profissionais. (Freidson, 1998, p.37)

 

Mesmo que diante da problemática do processo de formação nos cursos, diante da questão da profissão, esta pesquisa busca o resgate do filosofar o agora e “não se tenta determinar o que é profissão num sentido absoluto, mas, sim, como as pessoas de uma sociedade determinam quem é profissional e quem não o é, como eles ”fazem” ou “constroem” profissões...como eles vêem e realizam”. (Freidson, 1998, p. 55)

 

Mesmo diante da trajetória dada a Orientação Profissional e Vocacional era direcionada ao trabalhador e ao mundo fabril, sendo que o Orientador Educacional vem deste contexto, mas diverge só na nomenclatura, onde a Educação proporciona outro direcionamento mais estruturado nas nuances do ideário educacional mesmo que ainda fragmentário como “O homem é só um laço de relações, apenas as relações contam para o homem” (Merleau-Ponty, 1999, p.612).

 

Estendendo o pensar de Merleau-Ponty com o de Freidson que:

 

“O caráter fenomenológico de uma profissão, então, não é determinado unicamente pelos membros de ocupações que realizam seu trabalho de modo a levar outros a tratá-los como profissionais” (Freidson, 1998, p. 57).

 

 

 Mesmo partindo da extrema complexidade da perspectiva de que a percepção não é simplesmente uma interpretação, pois o que está ao redor para complementar não pode fazer parte de um simples juízo, pois a transitoriedade pede como força motriz, onde se sei onde estou e me vejo no meio das coisas, assim torno o núcleo da consciência e que ao mesmo não faz parte de lugar nenhum e retoma ao mesmo movimento para entender os processos iniciais. Como:

 

“É transcendental como existência: com isso ela reconduz o fenômeno psíquico à sua fonte, vendo nele não um fato ou um objeto, mas uma maneira de existir, isto é, uma maneira de se escolher e de se compreender, logo, de escolher de compreender o mundo, pois existir é sempre assumir seu ser, isto é, ser responsável por ele em lugar de recebê-lo de fora como é o caso de uma pedra”. (Dartigues, 2005, p.90)

 

 

Assim o Orientador Educacional a partir da lógica desta pesquisa vislumbrará no campo fenomelógico que a filosofia é a preparação para um novo ser, onde a indagação terá a possibilidade de via de superação constante dos prejuízos e do vazio que se encontra a humanidade como um todo que reflete nas relações sociais, políticas e éticas no âmbito do ideário educacional em busca de novos rumos.

 

CONCLUSÃO

 

“... há sempre um pensamento que contesta um outro pensamento e o denuncia como ilusório... que não seja saudade nessas palavras. A não ser aquela preguiçosa, de um tempo em que o universo mental não estava dilacerado e onde um mesmo homem podia, sem concessão ou artifício, dedicar-se a filosofia,... não é a decadência que nos separa..., mas um progresso de consciência e de experiência”. (Merleau-Ponty, 1975, p. 419 e 420)

 

Mesmo partindo do referencial de Merleau-Ponty se torna inviável uma conclusão, pois neste momento estaria enquadrando o Orientador Educacional em algum mecanismo relacionado tanto nas suas relações quanto na sua profissão, porém o objetivo que foi traçado ao longo da trajetória desta pesquisa é levar a um mundo contrario ao exato de verdades vazias e ao mesmo tempo de certa forma construiu seus mecanismos.

 

Portanto, o caminho proposto é como chegamos à objetivação da pertinência do Orientar e com isso toda uma história de constituição que vem entrelaçada ao mundo quanto o ato perceptivo, como “refaz os seus passos, os contrai e os fixa em um objeto identificável, passa pouco a pouco do ver” ao “saber”, e obtém a unidade de sua própria vida” e buscar diante desses processos o que está imperceptível, através da ferramenta que a filosofia é vital, refletir e construir e refletir de um ponto inicial e retomar o que refleti não está mais comigo e sim com o mundo e suas células.  (Merleau-ponty, 1999, p.85).

Concluir e retomar ao certo do principio, assim é a fenomenologia que é o momento para pensar o que é de inferior e superior na relação do homem com o mundo e com isso cada vez mais surgirão novas visões, pois o passado de certa forma só é enfatizado hoje, pois o homem ainda não se conscientizou que temos que fazer o novo a partir do novo. 

 

Portanto, “se, com efeito, a ciência não recebeu a sua verdade de si própria, se ela não é verdade antes da vida e sem a vida, resta perguntar-se em que esta vida pode ser, ela própria, verdade e fonte de verdade” (Dartigues, 2005, p.74 e 111).  Então o que é educação? Para depois pensar o que é o Orientador Educacional? Assim dando continuidade ao pensamento de Dartigues que se torna pertinente a uma interrogativa de uma possibilidade de um entendimento do que é a orientação educacional no ceio da educação, pois busca “fazer de si mesmo o que se manifesta, tal como de si mesmo ele se manifesta. Esse é o sentido normal da investigação a que se deu o nome de fenomenologia”.

 

 

 

 

 


BIBLIOGRAFIA

 

  1. ARENDT, H. Entre o passado e o futuro. São Paulo: Perspectiva, 1972.</