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Egito Antigo

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Civilização Egípcia

Egito Antigo: Um oásis em meio ao deserto

Civilização egípcia desenvolveu-se a volta do Nilo, um oásis no meio do deserto do Saara, que propiciou a fixação do homem com água e solos férteis (devido às enchentes). Mas também a outros fatores que explicam desenvolvimento dessa civilização, como o fato do desempenho do homem para aproveitar os recursos com criatividade, trabalho e planejamento.

Para defender suas vilas e moradias das violentas inundações, os egípcios construíram diques. Também construíram canais de irrigação para levar águas do rio a regiões mais distantes. Assim essa civilização desenvolveu-se num clima árido e adverso, margeando o Nilo. O rio Nilo, tinha tão grande importância para os egípcios, que era considerado como um deus, com o nome Hapi.

Evolução Política 

Em mais de 3000 anos o Egito foi marcado por grandes oscilações políticas, glórias e decadências. A história do Egito antigo é dividida em dois períodos: Pré-dinástico, desde a formação das primeiras comunidades até a 1ª dinastia de faraós; e Dinástico, com três fases principais, Antigo, Médio e Novo Império.

Período pré-dinástico (5000-3200 aC)

No começo, o Egito era habitado por povos que viviam em clã, os nomos. Os nomos eram independentes, mas cooperavam quando havia problemas comuns, como abrir canais de irrigação, construir diques... As relações desses se transformaram até a formação do Reino do Baixo Egito, ao norte, e o Reino do Alto Egito, ao sul. Em aproximadamente 3200 aC esses dois reinos foram unificados sob o comando de Menés, este, se tornando, faraó absoluto do Egito, considerado como um deus na Terra. Usava uma coroa dupla demonstrando unificação entre os reinos. Assim surge a primeira dinastia, acabando esse período.

Período Dinástico (3200-1085 aC)

Durante essa época é que são construídas as pirâmides e há um grande crescimento territorial e econômico.

Antigo Império (3200-2423 aC)

Durante esse período faraós conquistaram enormes poderes religiosos, militares e administrativos. Queóps, Quefrén e Miquerinos, faraós da IV dinastia, tiveram grande destaque, sendo os mandantes da construção das principais pirâmides.

O Estado era composto por enorme número de funcionários para administrá-lo. Nos mais altos cargos estavam os administradores das províncias (nomos), os supervisores de canais e planejadores de construções (alguns deles eram escravos, excetuando-se os administradores das províncias, mas viviam muito bem). Na base uma imensa legião de trabalhadores que plantavam, construíam e arcavam com os altos tributos. Como capital o Antigo Império teve primeiro Tinis e após Mênfis.

Por volta de 2400 aC houve uma série de revoltas lideradas pelos administradores dos nomos com objetivo de enfraquecer o poder centralizador do faraó, com isso o Egito entrou num período de declínio e guerra civil.

Médio Império (2160-1730 aC)

Representantes dos nobres de Tebas reuniram forças para acabar com as revoltas, assim essa cidade acabou tornando-se a capital e dela surgiram os faraós dos próximos séculos. Nesse período o Egito teve uma relativa estabilidade política, crescimento econômico e das produções artísticas. Isso impulsionou conquistas territoriais, com a anexação da Núbia (região rica em ouro).

Em aproximadamente 1750aC, o Egito foi invadido pelos hicsos (povo nômade vindo da Ásia). Hicsos mostraram-se superiores militarmente, usando cavalos (desconhecidos para egípcios) para puxar carros de combate e armas de bronze. Assim dominaram o norte do Egito, estabelecendo a capital em Ávaris, permanecendo lá por volta 170 anos.

Novo Império (1500-1085 aC)

Nobreza de Tebas novamente entra em cena para expulsar hicsos. Inicia-se grande expansão militar. Usando técnicas militares dos hicsos faraós organizaram exércitos permanentes, lançando-se as conquistas. Invadiram cidades de Jerusalém, Damasco, Assur e Babilônia. Povos submetidos eram obrigados a pagar tributos em ouro, escravos...

Entre mais famosos faraós do período esta Tutmés III, Amenófis IV e Ramsés II.

Em aproximadamente 1167aC revoltas populares agitam o Egito, com a maioria da população envolta em tributos pesados e afundando na pobreza, enquanto faraós e chefes militares exibiam luxuria.

Decadência do Egito

Após o séc. XII aC, o Egito foi invadido por vários povos. 670 aC, os assírios dominam o Egito por 8 anos. Após libertar-se dos assírios, o Egito começa fase de recuperação econômica e cultural, conhecida com renascença saíta, devido ser impulsionada por soberanos da cidade de Sais. Mas isso durou pouco, pois, em aproximadamente 525aC, persas conquistam o Egito. E quase dois séculos após, vieram os macedônios, comandados por Alexandre Magno, que derrotaram os persas. E em 30aC os romanos dominam o Egito.

Sociedade

Faraó era considerado um deus vivo, com autoridade absoluta, apenas altos dirigentes e chefes de províncias podiam questionar algumas ordens do faraó. Abaixo do faraó a sociedade era dividida em dominantes e dominados.

Grupo dos dominantes

• Nobres: comandavam províncias ou principais postos do exército, os cargos eram hereditários.

• Sacerdotes: presidiam cerimônias religiosas e administravam os bens do templo, desfrutavam da enorme riqueza proveniente das oferendas.

• Escribas: funcionários públicos que cobravam impostos, fiscalizavam a economia, organizavam as leis... Todos sabiam ler, escrever e contar.

Grupo dos dominados

• Artesãos: trabalhadores urbanos como barbeiros, ferreiros, barqueiros, tecelões, carpinteiros... Muitos trabalhavam em construções e viviam quase sempre na pobreza.

• Felás: camponeses ou trabalhadores das obras públicas, transporte... Eram a grande maioria dos egípcios e viviam na miséria..

• Escravos: presos de guerra, trabalhavam nos serviços mais pesados como as pedreiras. Viviam precariamente, mas tinham alguns direitos, como casar com pessoas livres, possuir bens, testemunhar... (Alguns tinham altas colocações, inclusive alguns estavam entre os escribas).

Camponeses não tinham descanso mesmo durante as cheias, nesse período fabricavam e consertavam utensílios e, por vezes, eram chamados para as obras dos faraós. Quando as águas descem, eles consertavam os estragos feitos por esta, consertando canais e reforçando a margem do rio.

A irrigação era diária, devido a força do sol e a noite os camponeses verificavam os utensílios e fabricavam cordas. Alimentavam-se de pão, cerveja e legumes e, as vezes, peixe e frutas. Eram muito magros com essa alimentação. Os gordos são de classes abastadas, e eram considerados elegantes.

Economia

Predomina o modo de produção asiático. Estado/Faraó é dono de toda a terra, controlando o trabalho agrícola. Além da agricultura, o Estado egípcio também controlava muitas outras atividades econômicas, por meio de seus funcionários, administrava as pedreiras, minas e construções. A maioria dos egípcios viviam em servidão, obrigados a sustentar elites com tributos, em bens (impostos) ou trabalho (corvéia).

Principais atividades econômicas

• Agricultura: destaca-se o cultivo de trigo (pão), cevada (cerveja), linho (tecidos) e papiro (papel).

• Pecuária: criavam bois, asnos, carneiros, porcos e aves, após invasão dos hicsos começam a criar cavalos. Para a maioria da população carne era um luxo e só a consumiam em ocasiões especiais.

• Comércio exterior: exportação (trigo, tecidos de linho, cerâmica...) e importação (marfim, perfumes, peles...). Era de controle do Estado, que envia expedições para Palestina, Creta, Fenícia...

Cultura e Mentalidade

A vida no Egito era profundamente influenciada pela religião. Eles davam grande atenção aos deuses e aos mortos, Construindo templo e túmulos, como pirâmides, traziam de lugares longínquos pedras dura e metais preciosos. Mas eles moravam em casas de tijolo cru, modestas. Logo templos e túmulos resistiram e quase todas suas cidades desapareceram, restando apenas cacos de cerâmica.

Eram politeístas e suas cerimônias tanto podiam ser patrocinadas pelo Estado (oficial), como ser espontâneas (popular). Nas oficiais destacavam-se cultos a Amon-Rá (fusão de Rá, deus do sol e criador, e Amon deus de Tebas). Nas populares predomina três divindades: Osíris (deus da vegetação, natureza e mortos), Ísis (esposa e irmã de Osíris) e Hórus (deus do céu, filho de Osíris e Ísis). Faraós eram considerados descendentes de Hórus.

Acreditavam na vida após a morte, onde, ao morrerem, eram julgados por Osíris, podendo retornar a seus corpos se absolvidos, mas para isso precisavam que seus corpos fossem conservados, por isso a mumificação. Após mumificação os corpos eram enterrados nos sarcófagos com alimentos, roupas, jóias e um exemplar do Livro dos mortos (coleção de textos religiosos para serem recitados quando alma comparecesse ao Tribunal de Osíris).

Durante o novo império, o faraó Amenófis IV tentou instaurar o monoteísmo, instituindo o culto a Aton, simbolizado pelo disco solar. Tais reformas tinham fundo político, pois faraó desejava diminuir o poder dos sacerdotes, se tornando o supremo sacerdote. Mas, após sua morte, os antigos cultos foram retomados junto com o poder dos sacerdotes.

Escrita: hieróglifos e papiro

Hieróglifos (palavra de origem egípcia, significava sinais sagrados) eram sinais que simbolizavam objetos concretos e aos poucos foram tomando sentido convencional, expressando idéias abstratas. Foi o francês, Jean-François Champolion, que, em 1822, decifrou a escrita egípcia através da Pedra da Roseta, que possuía inscrições egípcias traduzidas para o grego. Registros eram feito em pedra, madeira ou papiro (papel fabricado a partir de planta do mesmo nome).

Arquitetura: túmulos monumentais

• Mastabas: túmulos, normalmente em trapezóide, que possuíam câmara subterrânea onde ficavam os corpos.

• Hipogeus: túmulos subterrâneos, com vários compartimentos, geralmente feitos nos barrancos do Nilo.

• Pirâmides: grandes túmulos dos faraós. Constituídos, internamente, por labirintos para evitar saques e uma câmara secreta onde ficava o sarcófago do faraó. Esse túmulo pressupõe avançados conhecimentos de matemática e engenharia.

Na Região de Gizé encontram-se as pirâmides de Queóps, Quéfren e Miquerinos, que são as mais monumentais. Para suas construções foram usados blocos de pedras calcárias. Calcula-se que a pirâmide de Queóps tem 150m de altura e foram empregados mais de dois milhões de blocos de pedra.

A descoberta do túmulo de Tutancâmon, que morreu com 19 anos (1352aC), é tida como principal achado arqueológico do séc.XX. Primeiro tumulo de faraó inviolado por ladrões. Nesse tumulo havia riquezas historicamente incalculáveis e o ouro nela presente pesava quase uma tonelada.

Arte: pintura e escultura com finalidade religiosa

A pintura e a escultura eram influenciadas diretamente pela religião. Maior parte dessas serviam para decorar túmulos e templos. Em ambas a figura humana era geralmente representada em postura hierática (posição rígida e respeitosa, cabeças e pernas de perfil, e tronco de frente).

Ciências: soluções para problemas práticos e concretos

Egípcios não eram muito filosóficos, desenvolveram o seu saber para resolução de problemas práticos como construção, enfermidades, contabilidade e estações agrícolas.

• Química: manipulação de substâncias químicas surgiu no Egito e deu origem á fabricação de remédios e composições. Palavra química vem de kemi, terra negra, do egípcio.

• Matemática: foi desenvolvida devido as transações comerciais e a necessidade de padronização de pesos e medidas. Desenvolveram a álgebra e a geometria.

• Astronomia: orientava a navegação e atividades agrícolas. Também desenvolveram a Astrologia.

• Medicina: devido ao respeito pelos mortos, cadáveres não eram dissecados, mas mumificação permitia tais estudos. Médicos especializavam-se em diferentes partes do corpo. Apesar disso a medicina era ligada a magia. Tratamentos variavam desde livro velho fervido com azeite até excremento de crocodilo.

Cotidiano

Egípcios adoravam a vida, desejavam que a pós-vida fosse igual a essa. Por isso mumificavam e deixavam comida para mortos. Eles se divertiam com jogos de azar, os jovens nobres preferiam caçar e pescar. Luta e natação eram esportes populares. Havia um esporte similar a esgrima, com varas ao invés de espadas. Barqueiros formavam equipes para e faziam competições na qual deviam derrubar uns aos outros na água com um pau.

Encontraram-se também brinquedos infantis, bonecas e bolas. Pinturas dos túmulos mostram crianças dançando, jogando em equipe e pulando caniça. Não havia teatro, mas havia procissões e paradas militares que eram grandes espetáculos.

Por Francisco Furtado Gomes Riet Vargas




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