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Resenha A referenciação Segun Koch

Resenha A referenciação Segun Koch, a língua, o pensamento, percepção/cognição transforma o real em referente, sociocognitivamente interagimos.

KOCK, Ingedore G. Villaça. A Referenciação. In: Desvendando os Segredos do Texto. Cortez, ed. São Paulo; 2002.

 

Discorrer sobre o conceito de realidade, postulando a relação existente entre ela, a língua, o pensamento e o conhecimento são uma tarefa um pouco subjetiva, complexa e tão árdua que, certamente, a Hércules restaria recorrer aos poderes da divindade.

No entanto, Blikstein, um fascinante mortal, entrou em conflito com suas próprias idéias e a partir das seguintes indagações compôs uma obra, a respeito do que acima foi descrito: “Até que ponto o universo dos signos lingüísticos coincide com a realidade” extralingüística? Como é possível conhecer tal realidade por meio dos signos lingüísticos? Aquilo que julgamos ser realidade não passa de um produto de nossa percepção cultural. Na verdade, a realidade é fabricada por toda uma rede de estereótipos culturais, conclui Blikstein conforme cita a autora Koch.

Essas e outras concepções estão presentes na obra de Ingedore Villaça Kock, Desvendando os Segredos do Texto. Nesse livro, Kock explica que Blikstein afirma que é na dimensão da percepção/cognição que se fabricam os referentes e que as teorias dos signos não têm levado em conta o referente na explicação dos mecanismos de produção do significado.

Assim, de acordo com Blikstein, a percepção/cognição transforma o real em referente, ou seja, a realidade se transforma em referente por meio da percepção/cognição ou da interpretação humana. Kock ainda esclarece que Blikstein interpreta a teoria de Saussure em que este define que é o ponto de vista que cria o objeto.

Se o referente é fabricado pela prática social, o que dizer da atividade sócio-cognitivo-discursiva da referenciação? Esse é o assunto que norteia os estudos de Kock; é o seu ponto de partida. Ela afirma que referenciação constitui uma atividade discursiva. Dessa maneira, postula-se uma visão não-referencial da língua e da linguagem, possibilitando criar uma instabilidade das relações entre as palavras e as coisas, completa a autora.

Sendo assim, a realidade é construída, mantida e alterada não somente pela forma como nomeamos o mundo, mas pela forma como sociocognitivamente interagimos com ele, garante a professora Kock.

Concordo com a autora que ao finalizar o texto afirma que o discurso ao mesmo tempo é tributário de sua construção e constrói uma representação que opera como uma memória compartilhada, alimentada pelo próprio discurso. Logo, admite-se que os objetos do discurso são dinâmicos: podem ser modificados, desativados, recategorizados etc. E neste viés, então, a discursivização ou a textualização da linguagem de informação é uma (re) construção do real e não um simples processo de elaboração da informação.
 

Por Mercia Diniz Silva Morato




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