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Palavra Cantada: A música brasileira como ferramenta pedagógica para interpretação e produção textua

Alfabetização não é apenas representação e decodificação de códigos lingüísticos.

Resumo

Alfabetização não é apenas representação e decodificação de códigos lingüísticos; em seu sentindo amplo, alfabetização é a capacidade de interpretar, compreender, criticar, resignificar e produzir conhecimento. No Brasil de hoje é notória a dificuldade de grande número de pessoas – entre estes estudantes de nível superior – em produzir e interpretar textos orais e escritos; essa dificuldade pode ser associada a diferentes fatores, entretanto, a ausência do contato prazeroso com materiais escritos contribui significativamente para este déficit educacional. O intuito deste trabalho é comprovar, a partir de pesquisas de campo e bibliografias, que Platão tinha razão ao afirmar que a música é “o instrumento educacional mais potente que qualquer outro”.

Utilizando a música como ferramenta pedagógica para a interpretação e a produção textual no ciclo II do ensino fundamental, comprovaremos que a música brasileira é um instrumento motivador e facilitador no processo de apropriação da leitura e da escrita, devido ao rico acervo textual inserido no contexto da sonoridade rítmica brasileira, às suas particularidades regionais, dialéticas e temporais.

Resumen

Alfabetización, no es apenas representación y decodificación de códigos linguísticos, en su sentido amplio, alfabetización es la capacidad de interpretar, comprender, criticar, resignificar y producir conocimiento; en el Brasil de hoy es notoria la dificultad de un gran número de personas, entre estas estudiantes de un nivel superior, en producir e interpretar textos orales y escritos; esa dificultad puede ser asociada a diferentes factores, entre tanto, la ausencia del contacto placentero con materiales escritos contribuye significativamente para este deficit educacional. El instinto de este trabajo es comprobar, a partir de investigar de campo y bibliografías, que Platón tenga razón al firmar que la música es “el instrumento educacional más potente que cualquier otro”.

Utilizando la música como herramienta pedagógica para la interpretación y la producción textual en el ciclo ll del enseño fundamental, comprobaremos que la música brasileira es un instrumento motivador y facilicitador en el proceso de apropiación de la lectura e de la escritura debido al rico texto inserido en el contexto de la sonoridad ritmica brasileira, a las popularidades regionales, dialécticas y temporales.

Sumário

Introdução

6

Metodologia

8

Cap. I: Interpretação e produção textual na vida cotidiana

11

Cap. II: Alfabetismo e analfabetismo funcional no Brasil

14

Cap. III: Expectativas de aprendizagem em Língua Portuguesa - 6º ao 9º ano

18

Cap. IV: O que nos diz Aristóteles?

21

Cap. V: Música, alimento da alma e da mente

23

Cap. VI: Música do Brasil e a Educação

26

Cap. VII: Musica brasileira e interpretação textual

28

Cap. VIII: A música brasileira e produção textual

29

Cap. IX: Colocando a tese em prática

30

Considerações Finais

31

Referências

36

Anexos

38

Introdução

É notória a dificuldade de grande número de alunos do ensino fundamental II, médio e até mesmo superior em interpretar textos escritos, bem como em produzi-los; essa dificuldade pode ser associada a diferentes fatores, entretanto a ausência de contato prazeroso com materiais escritos contribui significativamente para este déficit educacional.

A alfabetização não se restringe a representação e decodificação de códigos lingüísticos; ser alfabetizado plenamente é possuir a capacidade de interpretar, compreender, criticar, resignificar e produzir conhecimento. Mas para que é necessário saber tudo isso hoje? Procuramos responder essa pergunta analisando o mercado de trabalho e, com o intuito de modificar essa realidade de alfabetização – ou analfabetismo – funcional, este trabalho tem o objetivo de criar uma sugestão de solução ao processo de apropriação da leitura e da escrita, proporcionando prazer em aprender. Partindo do pronunciamento de Platão afirmando que a música “é o instrumento educacional mais potente do que qualquer outro”, focamos nossos estudos nos efeitos da música no cérebro e no corpo humano, comprovando que as harmonias dos ritmos e a melodias influenciam no comportamento humano, motivando e contribuindo para a concentração.

A partir das evidências dos efeitos da música no organismo, passamos a estudar a música brasileira, sua riqueza de acervo rítmico e textual. A música brasileira é a língua portuguesa escrita (letra) e falada (canto), com raízes e temas intrínsecos ao cotidiano e a maneira de ver e sentir a vida. Acreditamos assim que trabalhos focados em análises e interpretações de letras de musicas brasileiras serão de grande valia para o processo de ensino-aprendizagem de interpretação e construção textual, como poderá ser observado no decorrer deste trabalho.

O respectivo documento foi produzido em dez (10) capítulos; primeiramente iniciamos os trabalhos convidando os leitores a refletirem sobre a interpretação e a produção textual na vida cotidiana, demonstramos como “estes exercícios da língua portuguesa” não são tão teóricos como pensamos; abordamos as expectativas de aprendizagens para o ciclo II do ensino fundamental, ciclo no qual direcionamos pesquisas práticas sobre o tema e oferecemos um panorama sobre a realidade da alfabetização dos brasileiros. Em seguida voltamos nossos olhares para a Grécia Antiga e constatamos que os ensinamentos de Aristóteles sobre educação continuam atuais, canalizamos os objetivos para o estudo da música na educação e procuramos explanar sobre os efeitos da música na alma e na mente. Continuando a divagar sobre música, traçamos um panorama histórico sobre a música brasileira, suas raízes e suas riquezas rítmicas e textuais (letras), exploramos sucintamente sobre as possibilidades de trabalho da música brasileira, em interpretação e produção textual e descrevemos a experiência da teoria praticada na E.E Rocca Dordall para teste desta tese. Fechamos o trabalho apontando objetivamente as conclusões concebidas a partir de toda a pesquisa prática e bibliográfica e anexamos tabulações de pesquisas e planos de aulas.

Esperamos que a leitura seja proveitosa, tão quanto foi a elaboração deste.

Metodologia

O presente trabalho foi desenvolvido a partir de pesquisa bibliográfica, analisando obras de pensadores que já trataram de alguma forma o tema aqui transcrito, sendo assim procuramos encontrar livros e artigos que abordassem os temas:

  • Alfabetismo e analfabetismo funcional no Brasil;
  • Interpretação e produção textual na vida cotidiana;
  • Música e Educação;
  • Música brasileira;
  • Redação

Também trabalhamos com pesquisas de campo e entrevistas. Dividimos as pesquisas de campo em quatro (4) tipos, os quais foram respondidos em formulários impressos especificamente:

1º. Professores de língua portuguesa do ciclo II do ensino fundamental

2º. Alunos do ciclo II do ensino fundamental

3º. Profissionais da área de RH - recrutamento e seleção

4º. Profissionais da área de educação musical

Para primeira pesquisa, com o intuito de diagnosticar dificuldades para os alunos no processo de produção e interpretação textual, indagamos a 30 docentes sobre suas percepções sobre o assunto:

“Professor (a), você identifica em seus alunos dificuldades para realizar o processo de interpretação e produção textual”? Para as respostas apuramos que:

(76,6%) acreditam que SIM, a maioria dos alunos apresenta dificuldade.

(23,4%) acreditam que APENAS ALGUNS alunos apresentam dificuldades.

(0%) acreditam que NÃO, meus alunos não apresentam nenhuma dificuldade.

Na mesma pesquisa foi questionado, ainda, sobre os principais impasses que os alunos encontram para a interpretação e a produção de textos orais e escritos na opinião dos educadores. Para estas perguntas tivemos respostas diversas, porém destacamos as mais comuns:

53,3% dos entrevistados apontam o desinteresse do educando como impasse para efetiva apropriação da leitura e da escrita.

60% dos entrevistados apontam a falta do hábito de leitura como impasse para efetiva apropriação da leitura e da escrita.

36,6% dos entrevistados apontam problemas na base da alfabetização como impasse para efetiva apropriação da leitura e da escrita.

Para segunda pesquisa, entrevistamos 20 alunos com o intuito de conhecer o que eles pensam a respeito da disciplina de língua portuguesa e de música, e a estes perguntamos:

a. “Gosta da disciplina de Língua Portuguesa?” Respostas: 25% SIM 75% NÃO

b. “Gosta de música?” Respostas: 95% SIM 5% NÃO

c. “Quanto tempo (+-) do seu dia você passa ouvindo ou cantando músicas?” Respostas: 15% de 1 a 3 horas por dia; 70% de 4 a 6 horas por dia; 10% de 7 a 10 horas por dia e 5% mais de 11 horas por dia.

d. “Qual (is) gênero(s) musical (is) mais lhe agrada(m)?” Respostas: 20% Axé Music; 80% Eletrônica; 5% Forró; 95% Funk; 65% MPB; 85% Pop Brasil; 80% Pop Internacional; 40% Samba/ Pagode; 80% Rock Brasil; 35% Rock Internacional; 65% Sertanejo; 0% Outro.

A terceira pesquisa foi direcionada a empresas do ramo de RH (10), e seu teor continha a seguinte indagação:

“É sabido que muitas consultorias e empresas contam com a ‘redação’ como ferramenta para o processo seletivo de funcionários para o exercício de diferentes funções; mediante este fato, gostaríamos de saber, em sua opinião, qual a importância da interpretação e da produção textual para a seleção de mão de obra e para o mercado de trabalho?”

Para esta pergunta as respostas foram variáveis, porém foi observado que em 70% das respostas a habilidade de interpretar e produzir textos escritos e orais está relacionada com indivíduos seguros de suas práticas, 80% das respostas indicam que estruturar um texto, oral ou escrito, assim como contra argumentar ou debater uma idéia são fundamentais para o mercado de trabalho atual, possuir essas características indicam pessoas de habilidade mental apurada.

A pesquisa número quatro (4) foi dirigida a cinco (5) instituições de educação musical, com o intuito de associar ou não música e educação; para tanto perguntamos:

“Quais os benefícios que a música proporciona para a concentração, a produtividade e a motivação no campo educacional?”

Para esta questão as respostas foram variadas, porém em 100% das respostas notamos que a música está diretamente relacionada à concentração, à motivação e à produção; 60% das respostas citaram a música como elemento potencializador do poder criativo.

As entrevistas foram realizadas como abordagem pessoal e direta, conversamos com os alunos e registramos suas falas sobre suas impressões sobre a escola, transcrevemos algumas destas entrevistas no corpo deste trabalho.

Capitulo I

Interpretação e produção textual na vida cotidiana

Qual a importância da interpretação e produção textual no atual cenário social?

Muitas pessoas afirmam categoricamente abominar as “temidas” redações, assim como detestar as “chatíssimas” interpretações de textos, outras pessoas vão além e direcionam seu ódio de modo a abranger toda a nossa rica e querida Língua Portuguesa. Mas como pode alguém não gostar de seu próprio idioma? Falamos em português, pensamos em português e até sonhamos em português! Levando em consideração que a língua portuguesa está intrínseca no dia-a-dia dos brasileiros, descartaremos o grito de ódio ao idioma e substituí-lo-emos por um apelo ao conhecimento desta língua-pátria. Da mesma maneira, tanto as interpretações quanto as produções textuais estão mais presentes na vida cotidiana das pessoas do que muitos, talvez, imaginem, aliás, existem muitas definições de “o que é texto?”, para GUIMARÃES (1990, p. 25)

“...texto, em sentido lato, designa toda e qualquer manifestação da capacidade textual do ser humano (quer se trate de um poema, de uma música, de uma pintura, um filme, uma escultura, etc.), isto é, qualquer tipo de comunicação realizado através de um sistema de signos. Em se tratando de linguagem verbal, temos o discurso, atividade comunicativa de um falante, numa situação de comunicação de um falante, numa situação de comunicação dada, englobando o conjunto de enunciados produzidos pelo locutor (ou por este e seu interlocutor, no caso do diálogo) e o evento de sua enunciação. O discurso é manifestado, lingüisticamente, por meio de textos (em sentido estrito)...”

Partindo do ponto de vista de GUIMARÃES, podemos perceber que os “temidos” textos a serem interpretados e/ou produzidos estão mais presentes na vida cotidiana de todas as pessoas do que, possivelmente, se imagine; os textos são construídos nas conversas telefônicas, nos e-mails (enviados ou não), nas declarações de amor escritas em papel perfumado ou ainda nas discussões acaloradas e declamadas aos berros. Sempre que falamos, escrevemos, pensamos ou nos comunicamos de alguma forma, estamos construindo textos, da mesma forma os interpretando, afinal, a comunicação não é uma via de mão única, o emissor que produz o texto também é um receptor quer interpreta textos de seu interlocutor num processo dinâmico e contínuo.

Vivemos o século XXI, Era da Globalização, nunca antes a comunicação eficaz foi tão valorizada como está sendo na atualidade. Tanto no mercado profissional quanto na vida particular a comunicação articulada, clara e fluente é fator determinante para selecionar parceiros, concretizar negócios, solidificar fusões, estabelecer ações cooperativas, preservar relacionamentos e etc. Para Margot Cardoso, jornalista colaboradora da revista Vencer:

“a dificuldade com o idioma não é nova, mas ela nunca foi tão notada e apreciada como atualmente” (Revista VENCER, Ed. 41 fev/2003)

Para CARDOSO inúmeros impasses da vida cotidiana são ocasionados devido a uma comunicação ineficaz, originada ora por idéias enevoadas, argumentações anêmicas, ausência de coesão e coerência, ora pelos comuns erros gramaticais de concordância ou ortografia, o fato é que de algum modo a presença de obstáculos impede que o conteúdo da mensagem a ser transmitida (ou recebida) atinja o objetivo principal da comunicação proposta: não se fechar um negócio por falta de valores agregados, não conquistar um emprego por falta de persuasão, deixar de ir a uma festa por falta de informações (data, horário, local), ser mal interpretado numa apresentação, não conseguir usar algum equipamento por não compreender o manual de instruções, e mais inúmeros infortúnios são decorrentes de problemas ligados à comunicação. Cardoso conclui que “quem escreve e fala bem demonstra um pensamento sistematizado, raciocínio lógico e clareza de idéias”, alguém que muito interessa ao mercado de trabalho em tempos de globalização, conclusão correta no ponto de vista de Inês Perna, consultora e vice-presidente do Grupo Catho que afirmou que

“Ninguém gosta de contratar um profissional que não fale ou escreva corretamente. O mercado está mais tolerante, mas dependendo da posição, erros são inaceitáveis – o profissional é um representante da empresa”.

Da mesma forma, sob ponto de vista diferente, Maria Thereza F. Rocco afirmou que “quem é capaz de produzir um bom texto demonstra operações mentais sofisticadas...” (Revista Época, Ed. 225 set/2002). Para a vice-diretora-executiva da FUVEST e professora de Educação da USP, produzir um texto (bom ou nem tanto) descreve o caminho educacional percorrido pelos educandos, bem como, aponta as necessidades de mudança no sistema educacional brasileiro, o que justifica o peso elevado atribuído à redação em relação aos vestibulares: “uma exigência feita no vestibular indica a necessidade de mudanças no ensino fundamental e no médio, por isso é tão importante atribuir peso elevado à redação. O domínio da escrita eficiente é condição para a cidadania”.

Em pesquisa realizada pelos estudantes do curso de Letras EAD da Universidade Metodista de São Paulo em dez (10) empresas do ramo de prestação de serviços na área de Recrutamento & Seleção na capital paulista, ao serem questionadas sobre a importância da produção e interpretação textual para seleção de mão de obra para o mercado de trabalho, oito (08) delas afirmaram que a capacidade de interpretar e construir bons textos é fundamental no processo de seleção, porque o candidato deve “convencer” que é apto ao preenchimento da vaga e, para isso são necessárias argumentativas plausíveis e estruturadas.

É fato que produzimos textos a todo o momento, quando escrevemos, quando falamos, quando pensamos, quando sonhamos, quando criamos, quando nos expressamos seja de qual forma for; da mesma forma é fato que interpretamos diversos textos no dia-a-dia, quando ouvimos música, lemos notícias, apreciamos obras de arte ou participamos de diálogos; é fato ainda que o mercado de trabalho, assim como as instituições acadêmicas, e porque não dizer, os parceiros pessoais, todos os organismos sociais, sejam eles pessoas ou instituições/organizações, todos pendem àqueles que melhor se comunicam, seja se expressando com eloquência, ou expondo suas idéias com clareza, compreendendo as mensagens enviadas por seus interlocutores com respeito e que, sobretudo, possuam uma leitura crítica de mundo; perante todas as conclusões acima expostas a grande questão a ser discutida é “existe a qualidade esperada no atual processo de interpretação e produção textual por parte da população brasileira?”.

Capitulo II

Alfabetismo e analfabetismo funcional no Brasil

Qual a importância da interpretação e produção textual no atual cenário social?

Em tempos passados eram considerados alfabetizados os indivíduos que reconheciam os códigos lingüísticos, e eram capazes de reproduzi-los graficamente para fins de comunicação; por outro lado, aqueles que não conheciam o processo de codificação e decodificação eram considerados analfabetos. O tempo passou e muitos estudos sobre a “alfabetização” foram realizados; no final década de 1970, a UNESCO modifica a idéia superficial acima apresentada e institui o conceito de analfabeto funcional, que é aplicado ao indivíduo que, apesar de saber ler e escrever frases simples, não possui as aptidões indispensáveis para atender as necessidades sociais implícitas no cotidiano e se desenvolver pessoal e profissionalmente.

A partir do ano de 2001 o Instituto Paulo Montenegro, uma ação do IBOPE pela educação, inicia uma pesquisa abrangendo todo o território nacional dirigida à população de faixa etária entre 15 e 64 anos denominada INAF (Indicador de Alfabetismo Funcional). As pesquisas são aplicadas e os resultados são tabulados e distribuídos em dois grupos e quatro subgrupos, resumidamente apresentados abaixo:

  • Analfabetos Funcionais

→ Analfabetismo: não realiza leitura de palavras ou frases curtas, embora possa reconhecer números familiares.

→Alfabetismo rudimentar: localiza informações em textos curtos e familiares, realiza operações matemáticas simples, lê e escreve números usuais.

  • Alfabetizados Funcionalmente

→Alfabetismo básico: lê e compreende textos de média extensão, no entanto apresenta limitações quando a situação propõe maior número de etapas, elementos ou relações. Realiza operações matemáticas simples e tem noção de proporção.

→Alfabetismo pleno: sem restrições para compreender e interpretar elementos usuais da sociedade letrada, resolve problemas mais complexos que exijam planejamento e controle, bem como operações matemáticas mais difíceis.

Em setembro de 2002 o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) divulgou os resultados INAF e indicou que 75% dos brasileiros maiores de 15 anos não sabiam ler e escrever de modo pleno. Sete anos depois, analisando novamente os dados da INAF/2009 constatamos que, apesar da diminuição do índice de analfabetismo e do alfabetismo rudimentar, pouca coisa mudou, 75% dos brasileiros continuam não sabendo ler e escrever plenamente.

Inaf / BRASIL - Evolução do Indicador de Alfabetismo
População de 15 a 64 anos (%)
  2001 2002 2002 2003 2003 2004 2004 2005 2007 2009
Analfabeto 12 13 12 11 9 7
Rudimentar 27 26 26 26 25 21
Básico 34 36 37 38 38 47
Pleno 26 25 25 26 28 25

É importante salientar que os resultados do INAF estão diretamente relacionados com a escolaridade dos entrevistados e, de acordo com Vera Masagão, coordenadora do programa Ação Educativa, foi justamente os esforços para acesso universal da educação que proporcionou às pessoas com menos recursos a oportunidade de freqüentar escolas, consecutivamente colaborou para a diminuição dos níveis de analfabetismo (de 13% para 7%) e analfabetismo rudimentar (de 26% para 21%), bem como o aumento do nível de alfabetismo básico (de 36% para 47%), o que representa o percentual migratório dos grupos anteriores para este.

Inaf / BRASIL

Nível de Alfabetismo, segundo a escolaridade

População de 15 a 64 anos (%)

  Nenhuma 1ª a 4ª série 5ª a 8ª série Ensino médio Ensino superior
Analfabeto 66 10 0 0 0
Rudimentar 29 44 24 6 1
Básico 4 41 61 56 31
Pleno 1 6 15 38 68
Analfabetos Funcionais 95 54 24 6 1
Alfabetizado Funcionalmente 5 46 76 94 99

Partindo da análise dos dados estatísticos acima apresentados, nos deparamos com um quadro preocupante, afinal três quartos da população brasileira ainda não apresentam condições para estabelecer a comunicação de qualidade que, como apresentado anteriormente, é fator determinante no relacionamento social e cidadão na Era da Globalização.

Para a execução deste trabalho, foi realizada uma pesquisa junto aos professores de língua portuguesa da rede pública da cidade de São Paulo, e lhes foi indagado se estes identificavam em seus alunos dificuldades para realizar o processo de interpretação e produção textual; dentre as respostas 76,6% afirmaram que a maioria dos alunos apresentava dificuldade, 23,4% afirmaram que apenas alguns alunos apresentavam dificuldades e nenhuma das repostas obtidas afirmaram que os alunos não apresentavam nenhuma dificuldade. Indagamos ainda quais eram, na opinião dos professores, os principais impasses que os alunos encontram, na interpretação e na produção de textos orais e escritos; para esta pergunta foram várias as respostas, porém, desinteresse por parte dos alunos apareceu em 67% das pesquisas válidas.

As informações estatísticas contidas nas pesquisas divulgadas pelo IBOPE, além de deterem caráter informativo da realidade brasileira, servem para diagnosticar os males a serem remediados em nossa sociedade e planejar ações para isso. A partir da análise da INAF e da pesquisa promovida pelos alunos da Universidade Metodista de São Paulo, detectamos a necessidade de intervenção no processo educativo no que diz respeito ao ensino de língua portuguesa, disciplina que proporciona a construção e apropriação da linguagem verbal, para superar as deficiências ligadas à alfabetização rudimentar e funcional no Brasil.

Capitulo III

Expectativas de aprendizagem em Língua Portuguesa - 6º ao 9º ano

Existe dificuldade na interpretação e produção textual para os alunos dos ensinos fundamental II?

Em 1997 o MEC (Ministério da Educação e Cultura) publicou uma coletânea denominada Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN). Estes referenciais têm a incumbência de atender ao disposto na lei 9394/96, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, no que se refere ao encargo direto da União “... em colaboração com os Estados, Distrito Federal e os Municípios, competências e diretrizes para a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio, que nortearão os currículos e os seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar a formação básica comum", ou seja, a responsabilidade da União em definir os nortes que deverão seguir os estados, distritos e municípios no que diz respeito à educação básica brasileira. No mesmo ano os estados e municípios brasileiros começaram a se organizar para atender os dispostos dos DCNs e, muitos destes, difundiram seus próprios “manuais”, de modo a adequar as orientações nacionais às realidades locais, sem perderem porém as características comuns do ideal de educação básica.

A Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, por exemplo, elaborou os cadernos de aprendizagens para os alunos da rede estadual e os manuais dos professores, divididos para as diferentes experiências de aprendizagens e ciclos, enquanto no município de São Paulo a SME (Secretaria Municipal de Educação) disseminou a coletânea das Orientações Curriculares, vários volumes, cada qual destinado a um determinado ciclo e/ou disciplina, abrangendo desde a educação infantil até as matérias especificas do ensino fundamental do ciclo II direcionadas para a formação do docente.

Todos os materiais publicados, embora distintos na organização e nomenclatura, apresentam objetivos comuns. No que diz respeito à área de língua portuguesa, especificamente no ciclo II do ensino fundamental, é esperado que todos os educandos do país possam “produzir, expressar e comunicar suas idéias”, bem como “interpretar e usufruir das produções culturais atendendo a diferentes intenções e situações de comunicação” (PCN Língua Portuguesa, pag. 05, 2007). Em outras palavras, espera-se que todos os alunos das instituições brasileiras de ensino, sejam elas públicas ou privadas, estejam plenamente alfabetizados, sendo capazes de produzir e interpretar diferentes tipos de textos.

Em pesquisa realizada com professores de Língua Portuguesa atuantes no ciclo II do ensino fundamental de escolas distintas localizadas na capital paulista, constatamos que, apesar das expectativas de aprendizagem vislumbrarem a alfabetização plena, a maioria dos alunos encontra dificuldades na interpretação e produção textual:

“Alguns alunos não realizam as atividades porque não conseguem entender as propostas; eles lêem, mas não entendem... Penso que isso os desmotiva a participar da aula.” (professora Dinalva Soares, EE Rocca Dordall)

“Os alunos lêem pouco, ou nada, em virtude disso não conseguem redigir textos com coesão e coerência.” (professora Fernanda Moreira, EE Maria Augusta de Ávila)

“Eles não gostam de ler, de escrever, não tem interesse por nada que se refere a aula de português.” ( professora Priscila Franco, EE Astolfo Araujo)

Também consultamos alunos integrantes do ciclo II do ensino fundamental de diferentes anos (séries) e estes também apontaram repúdio pela disciplina, pela leitura e pela escrita:

“Não gosto de português, a gente tem que ficar escrevendo...” (Vinicius Lima, 12 anos, 6ª série, EMEF Jackson de Figueiredo)

“Eu de português, gosto da professora, mas ficar lendo me dá sono! É muito difícil também ficar descobrindo o que as perguntas que ela passa pedem, daí ela fica brava e eu não gosto mais.” (Gabriel Caravieri, 14 anos, 8ª serie, EE Visconde Congonhas do Campo)

Para que os objetivos sejam alcançados os “norteadores” desenvolvidos, material de formação aos professores, contam também com capítulos dedicados ao conteúdo a ser desenvolvido para que os objetivos sejam alcançados e com orientações sobre tratamento didático a estes conteúdos; acreditamos, no entanto, que a aprendizagem está diretamente relacionada com o prazer, pensamos que as atividades didáticas devem envolver metodologias que despertem o prazer e que só assim a realidade de desmotivação e o desinteresse apontados em nossa pesquisa se modifique.

Capitulo IV

O que nos diz Aristóteles?

Que conseqüências positivas pode haver no processo de aprendizagem com música?

Aristóteles nasceu na cidade de Estagira, na Caldídica (Grécia) em 384 a.C, foi médico, pesquisador, filósofo e, entre tantas outras coisas, fora também pedagogo, lecionou e fundador de uma escola. Apesar de ter vivido há muito tempo atrás e de sua obra ser reconhecida principalmente por seu caráter político-filosófico, os fragmentados ensinamentos que Aristóteles deixou sobre educação ainda se mostram atuais.

Sem apegar-se em demasia a riquíssima filosofia e ao conceito de sociedade ideal aristotélica, podemos afirmar, dentre outras coisas, que a educação, do ponto de vista deste filósofo, está diretamente relacionada com a vida sã e a doutrina da felicidade, tanto no plano individual como no coletivo.

Quando mensuramos “felicidade” entramos em contato com um emaranhado de possibilidades, que estão diretamente relacionadas ao prazer individual do ser; o que é conceito de felicidade para um, pode não ser o mesmo para outro, a “felicidade” de um ainda poderia ser o infortúnio de outro, e, assim sendo, poderíamos ter cerca de 7 bilhões de conceitos de felicidade diferentes em todo o mundo que colocados em prática causariam o caos. No entanto, Aristóteles atrela a felicidade a uma doutrina e à vida sã, individual e coletiva, o que limita as imaginárias 7 bilhões de possibilidades, de busca de felicidade e direcionam organizadamente no caminho do bem individual e comum, mantendo a característica de prazer que o sentimento de felicidade proporciona.

Ora sim, mas o que toda essa explanação aristotélica tem a ver com alfabetismo e analfabetismo funcional no Brasil? Sem pestanejar afirmamos que, simplesmente, tudo! Em entrevistas realizadas pelos alunos do curso de Letras EAD da Universidade Metodista de São Paulo, junto a alunos e professores do ciclo II do ensino fundamental da cidade de São Paulo, foi verificado que 75% dos estudantes consultados não gostam da disciplina de língua portuguesa, enquanto 53,3% dos professores disseram que uma das maiores dificuldades dos alunos na produção e interpretação textual está relacionada com a falta de interesse dos mesmos para com a leitura, ou com a escrita, ou com a própria instituição escolar. A leitura destes dados nos permite afirmar que falta o “prazer”, falta doutrina da felicidade no processo de apropriação da leitura e da escrita.

Capítulo V

Música, alimento da alma e da mente.

Que consequências positivas pode haver no processo de aprendizagem com música?

A combinação de sons e silêncio, de melodias, harmonias e ritmos, desde os tempos primórdios, encantam, embalam e contam as culturas das diversas sociedades no decorrer da história. Estudos arqueológicos não podem descrever com precisão a data estimada do surgimento da música como forma de interação social, no entanto é estimado que, pelo desenvolvimento cognitivo do ser humano, os primeiros instrumentos musicais que objetivavam imitar os sons da natureza surgiram há cerca de 40.000 anos atrás, juntamente com o desenvolvimento da língua falada e do canto, com o intuito de comunicação.

A música, durante toda a história, aparece presente em rituais de naturezas diversas: culto aos deuses, à natureza, em casamentos, em nascimentos e falecimentos. Ela também embalava o trabalho no campo, o sono e as brincadeiras das crianças, embalava as interações socioculturais e harmonizava os momentos de ócio. Para Sílvio COSTTA, autor do livro “Como contar histórias usando sons”:


Dança de Cogul. Imagem encontrada em Cogul, Espanha. Mostra a dança das mulheres em torno de um homem nu.

“A música foi criada para expressar sentimento e impressões, e ainda é assim.” (COSTTA,2008, pag.37)

Povos antigos acreditavam que o som fazia parte do equilíbrio espiritual, do todo, sendo assim a audição sentido fundamental para a ligação do homem e do mundo. Crendices à parte, fato importante é que a música, em geral, possui a capacidade de interferir no comportamento emocional humano, isso porque as vibrações do som (ondas sonoras) ao adentrarem o ouvido, se encontram com os nervos auditivos e se transformam em impulsos químicos e nervosos que são registrados pela área do cérebro que normalmente é estimulada pelas emoções; uma vez detectados pelo cérebro, os impulsos são, imediatamente, direcionados para todo o corpo. Tore Sognefest, músico profissional, pianista e colaborador do livro “O CRISTÃO e a MÚSICA ROCK”, baseando-se em estudos científicos a cerca do assunto afirma que:

“... o impacto da música no sistema nervoso e as mudanças emocionais provocados direta ou indiretamente pelo tálamo, afetam processos tais como a freqüência cardíaca, a respiração, a pressão sangüínea, a digestão, o equilíbrio hormonal, o humor e as atitudes.”

O tálamo, conjunto de vários núcleos de neurônios localizados no encéfalo que têm como principal função reorganizar os estímulos recebidos, inclusive os impulsos sonoros, também são responsáveis pelo controle das glândulas endócrinas:

“o hipotálamo controla as excreções da glândula tiróide, o córtex adrenal e as glândulas sexuais. Assim, ele influencia a velocidade do metabolismo... bem como também a produção de hormônios sexuais... O hipotálamo tem um efeito marcante na liberação das respostas autônomas provocada pelo medo, raiva, e outras emoções.” (GRIFFITHS, M.; Fisiologista)

A partir dos fatos explícitos concluímos que a música é capaz de provocar efeitos fisiológicos e emocionais nos ouvintes. Voltemos agora para Aristóteles; segundo este, a música aplicada à educação, através de suas melodias e ritmos, teria o poder de moldar o espírito dos jovens. Concorda com ele o filósofo Platão, de quem Aristóteles fora discípulo: “A música é o instrumento educacional mais potente do que qualquer outro”.

Para Aristóteles, a música contribui para a constituição do senso moral, auxilia na aquisição da virtude e habitua o homem a gozar prazeres justos porque a música é, por natureza, agradável. Desta forma, a música alimenta a alma!

A música gera um tipo de prazer sem o qual a natureza humana não pode passar. (Confúcio)

Em suas teorias acerca da educação, Aristóteles explora ainda a “dimensão poética”, ação criadora estética de beleza. Aristóteles insere a poética como parte insolúvel da arte: ação criadora intelectual acoplada a conhecimento técnico que objetiva suprir as carências da natureza. Inseridos na dimensão poética pregada por Aristóteles encontram-se, não somente as belas artes, como também atividades que, definitivamente, complementam a natureza: trabalhos artesanais, de arquitetura, alimentação, de cuidados para com a saúde e etc. No entanto, para este trabalho, nos concentraremos na produção de poesia, a criação literária intelectual que busca e exprime a essência de si e o conhecimento de mundo.

“O homem, com ajuda da poesia e da educação, toma em suas próprias mãos o funcionamento da natureza e age em seu lugar, num nível superior.” (HOURDAKIS, 2001, PAG 70)

Entende-se por poesia toda a criação literária esculpida em versos, e, quando há união entre música e poesia, som e letra, o resultado é, além de alimento para alma, alimento para mente, isso porque a mente passa a trabalhar com o concreto, com a materialização das ausências tecida através das palavras.

Durante muito tempo a música era composta somente pela harmonia instrumental, o canto não era a ela incorporado, instrumentos de corda, sopro e percussão eram os únicos meios de produção musical. Ao poucos o universo das palavras foram sendo inseridos no contexto musical, primeiro utilizando a música como pano de fundo para narrativas líricas e para as encenações teatrais, posteriormente acopladas à partitura. A música se torna então poesia, ou a poesia se torna música, independente da ordem dos fatores, o interessante se dá pelo fato da arte literária ter fundido a arte instrumental e assim, juntas, propiciarem o alimento para alma e mente.

Capitulo VI

Música do Brasil e a Educação

De que forma poderíamos trabalhar música brasileira para interpretação e produção de textos?

Teoricamente a MPB classifica os ritmos urbanos mais sofisticados interpretados por cantores que caem na graça da classe média e alta; sendo assim, a Bossa Nova, o BRock e as composições interpretadas pelos intelectuais da cultura musical brasileira. No entanto, ao explorarmos, neste trabalho, a Música do Brasil que abrange todos os ritmos e estilos, desde as canções folclóricas até os grandes sucessos do momento, considerá-la-emos então popularizada, isso porque são estas as que estão “na boca do povo”, sendo assim, tão popular quando qualquer outra, até mais, afinal a verdadeira concepção de “popular” é a que ultrapassa barreiras sociais e geográficas. A música popular brasileira é hoje, aliás sempre foi, de riqueza imensurável; teve sua origem antes da chegada dos portugueses a terra de Pindorama com os cânticos indígenas, estes se mesclaram às cantigas européias trazidas pelos colonizadores portugueses e, na sequência, receberam grande influência das canções negreiras que cruzaram o oceano vindas da África junto com os escravos; ou então iniciou-se em Portugal e chegou até o Brasil sendo influenciada pelos cânticos “pindorâmicos” e africanos; ou ainda era uma batucada vinda da África que se encontrou com a música do índio e do branco e virou o que é... De qualquer modo, é nesta primeira miscigenação cultural (branco + negro + índio) que o acervo musical brasileiro teve seu alicerce!

No decorrer da história, a música brasileira recebeu influências de outros povos, de outras culturas; contando histórias e lendas locais ou ainda discutindo aspectos sócio-políticos, a música brasileira enriquece o panorama cultural de nosso país: com acervo abastado, tanto em quantidade como em diversidade e qualidade.

A música brasileira não é mero patrimônio de entretenimento, em vários momentos de nossa história as músicas foram armas contra os opressores, serviram como ferramentas de denúncia, de mudança social e narrativa da trajetória do Brasil. Utilizar a música brasileira como ferramenta metodológica é fazer uso de eficiente recurso tecnológico, primeiro pela capacidade que tem a música de motivar e ativar a concentração do educando (dado obtido a partir de pesquisa realizada em instituições de educação musical), segundo pela riqueza cultural implícita e explícita nas letras das músicas brasileira, até mesmo as músicas aparentemente sem conteúdo apropriado para o desenvolvimento de conhecimento, mas que estão cada vez mais presentes no cotidiano e na mídia brasileira podem ser utilizadas como fator comparativo para qualidade musical e verbal.

Capitulo VII

Música brasileira e interpretação textual

De que forma poderíamos trabalhar música brasileira para interpretação e produção de textos?

Analisar letras de músicas, buscar as verdades implícitas nos textos, e traçar panoramas históricos e sociais são algumas das possibilidades plausíveis ao utilizar a música brasileira como ferramenta metodológica para interpretação textual.

Muitas são as músicas que possuem letras bárbaras e envolventes para desenvolver as habilidades interpretativas dos alunos, dentre estas podemos citar as músicas pertencentes ao movimento tropicalista, quais abordam temáticas ligadas ao contexto histórico da década de 60: a ditadura, o exílio, a busca de paz e etc.

“... Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão...”
(Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores, Composição: Geraldo Vandré)

Outro período musical a ser destacado se dá na década de 80, quando muitas bandas de pop rock emergem com letras idealistas e envolventes que remetem o jovem de hoje a repensar seus valores.

“Naquela época, a gente fazia uma banda de rock pra ver se a gente conseguia mudar o mundo... ou pelo menos o Brasil!”

(Paulo Ricardo, CD RPM ao Vivo MTV, a frase antecede a música Radio Pirata, sucesso nos anos 80.)

Capitulo VIII

A música brasileira e produção textual

De que forma poderíamos trabalhar música brasileira para interpretação e produção de textos? Ponte para atividades interdisciplinares e conceitos culturais e regionais.

Cantar e encantar, compor... A música fala a alma e a alma, quando permitimos, responde em música também! Se procurarmos lá no fundo, todas as pessoas são notas musicais esperando para serem tocadas de alguma forma.

A música desperta o interesse do ser humano porque os impulsos sonoros harmônicos são recebidos e computados pela área do cérebro que trabalha as emoções. Fazer música é um exercício prazeroso e eficiente ao dividir os próprios impulsos harmônicos com outrem.

No que diz respeito à produção textual, propostas voltadas à composição de letras musicais oferecem a possibilidade de amplitude de vocabulário, estruturação do pensamento lógico, objetivo e claro. Trata-se então de uma forma prazerosa de propiciar o contato com o universo escrito!

Muitos são os artistas e os gêneros da música brasileira que podem ser utilizados como base para produção textual e a apropriação real da escrita; ao mesmo tempo, estes serviram de leme para temas e atividades interdisciplinares e ampliação de cultura.

Capitulo IX

Colocando a tese em prática

De que forma poderíamos trabalhar música brasileira para interpretação e produção de textos?

Dois projetos foram planejados e aplicados para a experimentação da tese aqui descrita, um focado na interpretação (Projeto de Apropriação da Leitura) e outro na produção textual (Projeto de Apropriação da Escrita). Para iniciarmos o planejamento de ambas, primeiramente realizamos uma investigação sobre o gosto musical dos alunos. Pensamos em levar em consideração as preferências visto que, segundo Aristóteles, a aprendizagem está diretamente relacionada com o prazer e, sendo assim, se apresentássemos uma proposta que não estivesse diretamente incluída nas preferências dos alunos poderíamos minar as chances de sucesso das propostas pedagógicas antes mesma de aplicá-las.

A. Projeto de Apropriação da Leitura

Para trabalhar a interpretação textual escolhemos uma música do estilo “Funk” (História Real, MC Martinho) para que os alunos de uma 7ª série da E.E. Rocca Dordall ouvissem, acompanhassem a letra, identificassem na letra palavras e/ou frases que apresentassem sentido conotativo e/ou produzissem dissonância à norma culta da Língua Portuguesa, interpretassem a mensagem transmitida de forma oral em roda de conversa, com ilustrações e encenações. Findo a sequência de atividades com a música “História Real”, apresentamos outra composição cuja mensagem era similar a esta, porém o estilo musical se diferia, apresentamos aos alunos “Cabocla Tereza, de Tonico e Tinoco”, que esta inserida no estilo o “sertanejo caipira”; propomos para esta as mesmas atividades da primeira, acrescentando a esta análises de semelhanças situacionais entre as duas canções.

O projeto de apropriação da leitura através da música brasileira foi realizado durante uma (1) semana, o que equivaleu a cinco (5) aulas, e os resultados obtidos foram satisfatórios, uma vez que a maioria dos alunos acolheu a primeira música apresentada com satisfação, em consequência realizaram as atividades propostas e, como já conheciam e apreciaram as atividades, foram receptivos à segunda música e às atividades referentes a esta (apesar de não apreciarem seu estilo rítmico). Percebemos que além da participação prazerosa na realização das atividades, houve aproveitamento significativo dos conteúdos propostos para o desenvolvimento da capacidade interpretativa dos textos, ou seja, da apropriação da leitura, os alunos ao término das atividades sequenciais foram consultados sobre a avaliação que estes faziam a respeito das mesmas, e seguem abaixo algumas das respostas:

B. Projeto de Apropriação da Escrita

O trabalho realizado para desenvolver as habilidades de produção textual foi baseado na composição de paródias, num primeiro momento foi apresentado aos alunos de uma 6ª serie da E.E. Rocca Dordall o tema “paródia” em caráter investigativo, questionando-os sobre seus conhecimentos prévios sobre a palavra escrita na lousa (PARÓDIA), foi observado que esta era quase desconhecida para a turma, apenas 3 alunos em meio os 34 presentes na sala naquela ocasião souberam o que era uma paródia. Durante as explanações, explicações e exemplos sobre a paródia alguns alunos comentaram que eles já faziam paródias no dia a dia na escola:

“A gente já faz isso, prô! A gente passa o intervalo fazendo rima, que é isso aí que a senhora tá falando.” (Pedro Nascimento, 12 anos)

Em cima do comentário do aluno foi solicitado que os alunos mostrassem um pouco sobre as “rimas” que eles produziam. E assim foi feito; segue abaixo uma amostragem das rimas compostas pelos alunos:

Te dei arroz, te dei feijão pra ganhar seu macarrão, você é raio de lingüiça meteoro de agrião, explosão de alimentos que eu não pude evitar, ah como é bom poder jantar!” (Lucas Henrique, 12 anos – Paródia da música Meteoro de Paixão de Luan Santana)

“Estava lá na rua, com o meu Juliet, só vejo o meu pai chegando de Chevet, quando eu tiver meu carro, vai ter farol xênon não posso esquecer de colocar o meu neon (Vinicius Andrade 12 anos – Rima de Rap)

“Chego na escola, nada consigo entender; e no intervalo, eu só quero é comer; não ta muito certo, eu não sou esperto, mas não vou botar tudo a perder... Sempre tem aquela pessoa especial, que me passa cola, tem o seu potencial e ajuda o amigo, me tira do perigo, isso sim é que é legal...” (Marco Antônio – Paródia da música Fugidinha do Exaltassamba)

“... Não posso ficar na mão, não agüento mais comer macarrão; não posso mais ficar assim, frita logo um ovo ou me dá um pudim... (Vinicius Andrade, 12 anos – Paródia da música Madrid de Fernando e Sorocaba)

Após ouvir as composições dos alunos, mostramos alguns vídeos de paródias que, através de humor e ironias, realizam críticas políticas e sociais. Distribuímos também as letras das músicas originais e a colocamos para tocar antes da apresentação dos vídeos para que os alunos as associassem com as paródias. Mostramos também um vídeo extraído do programa televisivo “Por toda a minha vida” da TV Globo onde o cantor e compositor Bochecha fala um pouco da forma que compõe e do uso do dicionário para ajudar nos arranjos das letras de suas músicas. Falamos que compor é mais que fazer rimas aleatórias, compor letras musicais requer conhecimento léxico e normativo para estruturar poeticamente o pensamento de forma a transmitir perfeitamente o pensamento.

Na sequência sugerimos que os alunos se reunissem em grupos, escolhessem um tema e escrevessem suas próprias paródias musicais. Esta foi uma atividade muito produtiva que contou com a participação ativa de todo o grupo, os alunos avaliaram essa atividade como “difícil e legal”:

Eu gosto de música, mas quando se quer contar uma coisa real na música fica mais difícil encontrar a rima certa” (Vinícius Andrade, 12 anos).

“É difícil encontrar uma musica pronta que tenha o ritmo certo pra ideia que temos. Temos que ficar mudando a ideia pra se encaixar na musica ou então mudando a musica pra se encaixar na ideia, sei lá... Mas eu gostei de compor! (Amanda dos Santos, 13 anos)

O projeto de apropriação da escrita através de composições musicais via paródias foi realizado durante duas (2) semanas, o que equivaleu a dez (10) aulas, e os resultados obtidos foram satisfatórios, uma vez que, apesar da dificuldade encontrada pelos alunos para organizar os pensamentos e consolidar produção textual, a maioria dos alunos participaram ativamente e demonstram interesse na proposta, verbalizaram suas angustias e dificuldades e mostraram abertos a opiniões construtivas.

Considerações Finais

O desenrolar deste documento se construiu após ampla pesquisa teórico-bibliográfica e de campo. Como pudemos verificar o alfabetismo e o analfabetismo funcional ainda são problemas a serem superados no Brasil e, apesar das expectativas de aprendizagens para o ciclo II do ensino fundamental no que se refere às experiências da linguagem verbal prevejam a formação de indivíduos capazes de interpretar e produzir diferentes tipos de textos, ainda são comuns dificuldades na interpretação e produção de textos orais e escritos entre alunos do ciclo II do ensino fundamental.

Verificamos também que a capacidade de interpretar e produzir textos coesos, claros e coerentes são habilidades indispensáveis em processos seletivos para ingresso no mercado de trabalho.

A partir da apresentação sintetizada da Educação na visão de Aristóteles, podemos crer que há muito tempo atrás a musica já era atrelada a educação como fator positivo na construção do indivíduo de bem, o que se comprovou com as pesquisas realizadas em instituições de educação musical e na aula-teste aplicada na E.E Rocca Dordall com os alunos da 6ª e da 7ª série. Podemos afirmar ainda que a música atua diretamente na zona emocional do cérebro e impactua seus efeitos sobre todo o corpo humano, o que reflete no comportamento do ser, o que tranqüiliza e envolve a turma, motivando-a e promovendo concentração nas atividades, o que gera maior aproveitamento cognitivo para o aprendizado proposto.

Os adolescentes pesquisados afirmaram apreciar música brasileira, o que nos remete a crer que utilizá-la em sala de aula como ferramenta pedagógica seria uma alavanca para o aprendizado com prazer, o que consecutivamente proporciona resultados satisfatórios, uma vez que atua como ferramenta do interesse do educando, motivando-o a participar das atividades e vivenciar as experiências propostas como sujeitos ativos da construção do saber.

Por fim, concluímos que a música brasileira é um instrumento motivador e facilitador no processo de desenvolvimento da interpretação e da produção de textos, o acervo musical brasileiro é riquíssimo e possibilita, além de facilidades para a apropriação real da leitura e da escrita, pontes para atividades interdisciplinares e enriquecimento cultural.

Referências

1. PERRISÉ, Gabriel; Ler, Pensar e Escrever – Editora Arte e Ciencia

2. FIORIN, José Luiz ; Savioli, Francisco Platão - Para Entender o Texto - Leitura e Redação; Editora Ática, 2009.

3. HOURDAKIS, Antoine - Aristóteles e a Educação – Editora Loyola, 1998.

4. COSTTA, Silvio – Como Contar Histórias Usando Sons – Ed. Ave Maria, 2008

5. AGUIAR, Joaquim – A Poesia da Canção – Ed. Scipione,

6. FERREIRA, Martins; Como Usar Música na Sala de Aula; Editor Contexto 2002

7. MEDINA, C. A.; Música Popular e Comunicação: Um Ensaio Sociológico. Petrópolis: Vozes, 1973.

8. GRANJA, Carlos Eduardo de Souza Campos; Musicalizando a Escola: Música, Conhecimento e Educação Editora: Escrituras.

9. FUTZENREUTER, Patrícia do Amaral - Experiências Musicais, Revista do Professor Volume 15 número 59.

10. GAINZA, Violeta Hemsy de - Estudos de Psicopedagogia Musical. São Paulo: Summus, 1988.

11. JESUS, Carlos Renato Rosário de - Música, Linguagem e Discurso: O que Cícero não nos disse?
http://www.iel.unicamp.br/revista/index.php/seta/article/viewFile/411/345

12. CLARET, M. - O poder da Música. São Paulo; Martin Claret, 1996.

13. FEDELI, Orlando - Associação Cultural Montford – Rock, Revolução e Satanismo http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cadernos&subsecao=arte&artigo=rock0&lang=bra

14. Jornal, Carreira & Sucesso - 26 de Fevereiro de 2004 - 218ª. Edição – Erros de Português Podem Custar uma Vaga no Mercado - ¬ Cristina Balerini.

15. Exigências do Mercado em Relação ao Domínio da Língua Portuguesa http://www.aulasdeportugues.com.br/portugues.htm

16. ESSENFELDER, Renato - Profissional não Fala a Língua do Mercado - São Paulo, Domingo, 15 de Dezembro de 2002
http://www.sinprorp.org.br/clipping/2003/031.htm

17. CARDOSO, Margot - Falar e Escrever Bem – Revista Vencer – Edição 41 http://www.vencer.com.br/materiaCompleta.php?id=388

18. NEVES, José Roberto Santos - MPB de Conversa em Conversa.

19. Biografia e Discografia de Grandes Nomes da Música Brasileira.

ANEXO 1 – Plano de Aula

Para realização deste trabalho, desenvolvemos dois projetos didáticos para comprovação da tese:

A)

Disciplina: Língua Portuguesa

Ano de ensino: 7ª série

Tema: Projeto para Apropriação da Leitura – A música como ferramenta metodologia para interpretação textual.

Objetivo: Utilizar músicas como ferramentas metodológicas para a interpretação textual

Material: Micro Systen, gravação da música História Real de MC Martinho, Gravação da música Cabocla Teresa de Tonico e Tinoco, cópias das letras das músicas em questão em quantidade suficiente para os alunos, caderno, lápis, borracha, giz, lousa.
Cronograma: 5 aulas, 1 semana

Encaminhamento metodológico:

Apresentar a música tocada História Real de MC Martinho;

Apresentar a letra da música História Real de MC Martinho;

Solicitar para que os alunos identificassem na letra palavras e/ou frases de sentido conotativo ou que produzissem dissonância à norma culta.

Em roda de conversa explorar as interpretações do grupo sobre a mensagem transmitida pela canção.

Propor ilustrações e encenações do texto lido e ouvido.

Apresentar a música tocada Cabocla Tereza de Tonico e Tinoco;

Apresentar a letra da música Cabocla Tereza de Tonico e Tinoco;

Solicitar para que os alunos identificassem na letra palavras e/ou frases de sentido conotativo ou que produzissem dissonância à norma culta.

Em roda de conversa explorar as interpretações do grupo sobre a mensagem transmitida pela canção.

Solicitar aos alunos que identifiquem as semelhanças situacionais entre as duas canções

Propor ilustrações e encenações do texto lido e ouvido.

Avaliação: Observação da participação dos alunos nas atividades propostas e registros de suas reações perante as atividades.

História Real

Mc Martinho

Composição: Martinho

Hoje, o Martinho conta uma história real

Que infelizmente não teve um bom final
Desde a periferia, até o asfalto
Essa história é contada por todo favelado

Dois corações unidos num sentimento
Novinha e guerreiro em um só fundamento

Mesmo no sofrimento e na vida loca
Por ela, ele queria até sair da boca

Infelizmente foram vítimas de intrigas
Recalque de invejosos destruíram suas vidas

Felicidade alheia incomodou um milhão
Mexeu com a mente do guerreiro
usando a conspiração

Assim dizia o perigoso elemento:
Meu mano escuta só o que ela ta dizendo,
Que não te ama mais e até rolou traição.

Já era o recalcado envenenou a mente do irmão
E o guerreiro partiu atrás da mina

Com a hornet, de 9 na mão
Cheio de ódio pela tal traição

E tá de volta seu lado neuroticão
E quando a encontrou deu logo dois tirão

No peito que a derrubou
Com muita dor, chorando ela perguntou:

Qual o motivo desses tiros, meu amor?
Triste ele lhe respondeu:
Te dei o meu amor mesmo assim você me traiu
Foi nessa hora que a tua casa caiu

Desesperado ele ficou quando a ouviu, quando a ouviu
No último suspiro falou:
Eu nunca te traí, quem sua mente envenenou?

Sua mãe chorando gritou quando ela morreu:
Minha filha tava grávida de um filho teu, de um filho teu!
É, a moral da história eu já vou contar:

Não é em qualquer um que se deve acreditar
Ele acreditou e hoje chora demais
Seu grande amor não volta mais

Ele percebeu fatalmente atrasado
Que a semente do mal pode estar do seu lado
Fez chorar a mãe, 2 irmãos e o pai

Porque ela não volta mais !
Porque ela não volta mais!
Seu grande amor não volta mais!

Cabocla Tereza

Tonico e Tinoco

Composição: Raul Torres-João Pacífico

"Lá no alto da montanha
Numa casinha estranha
Toda feita de sapê

Parei numa noite à cavalo
Pra mór de dois estalos
Que ouvi lá dentro bate

Apeei com muito jeito
Ouvi um gemido perfeito
Uma voz cheia de dor:

"Vancê, Tereza, descansa
Jurei de fazer a vingança
Pra morte do meu amor"

Pela réstia da janela
Por uma luzinha amarela
De um lampião quase apagando
Vi uma cabocla no chão
E um cabra tinha na mão
Uma arma alumiando

Virei meu cavalo a galope
Risquei de espora e chicote
Sangrei a anca do tar

Desci a montanha abaixo
Galopando meu macho
O seu doutô fui chamar

Vortamo lá pra montanha
Naquela casinha estranha
Eu e mais seu doutô
Topemo o cabra assustado
Que chamou nóis prum lado

E a sua história contou"

Há tempo eu fiz um ranchinho
Pra minha cabocla morá
Pois era ali nosso ninho
Bem longe deste lugar.

No arto lá da montanha
Perto da luz do luar
Vivi um ano feliz
Sem nunca isso esperá

E muito tempo passou
Pensando em ser tão feliz
Mas a Tereza, doutor,
Felicidade não quis.

O meu sonho nesse oiá
Paguei caro meu amor
Pra mór de outro caboclo
Meu rancho ela abandonou.

Senti meu sangue fervê
Jurei a Tereza matá
O meu alazão arriei
E ela eu vô percurá.

Agora já me vinguei
É esse o fim de um amor
Esta cabocla eu matei
É a minha história, dotor.

B)

Disciplina: Língua Portuguesa

Ano de ensino: 6ª série

Tema: Projeto para Apropriação da Escrita – A música como ferramenta metodologia para produção textual.

Objetivo: Utilizar músicas como ferramentas metodológicas para a produção textual

Material: Micro Systen, gravação de músicas (*), TV, DVD, CD com gravação de clipes de paródias (*) clipes, letras de músicas e das paródias em quantidade suficiente para os alunos, CD com gravação do especial “por toda a minha Vida com o cantor e compositor Bochecha, caderno, lápis, borracha, giz, lousa.

Cronograma: 10 aulas, 2 semana

Encaminhamento metodológico:

Apresentar o tema “PARÓDIA” e levantar o conhecimento prévio dos alunos acerca do tema,

Apresentar as músicas originais tocadas e escritas

Apresentar os clipes das devidas paródias

Apresentar vídeo com trecho da entrevista do cantor Bochecha no especial “Por Toda a Minha Vida” (http://www.youtube.com/watch?v=J5PKaToQnYs)

Propor que os alunos escolham um tema vinculado ao que eles aprendem na escola e componham suas próprias paródias.

Avaliação: Observação da participação dos alunos nas atividades propostas e registros de suas reações perante as atividades, bem como de suas produções.

(*) Clipes e Músicas

1. Alagou! - Paródia de “Abalou!” de Ivete Sangalo, composição de Ivete Sangalo, Larissa Meira e Gig
 http://www.youtube.com/watch?v=Kyhz_jLdZ8Q&feature=related;

2. Melô do Congresso - Paródia de “Felicidade” de Caetano Veloso, composição de Lupicinio Rodrigues
 http://www.youtube.com/watch?v=apXkLNrT_xg

3. Brasileiro Canta o Créu - Paródia de “Dança do Créu” de MC Créu, composição de MC Créu.
 http://www.youtube.com/watch?v=i634ggIw6eI&feature=related

4. O Deputado - Paródia de “Negro Gato” de Roberto Carlos, composição de Getulio Cortes
 http://www.youtube.com/watch?v=rlKiSpV_8kY&feature=&p=C2E6D2DF2E0DED5A&index=0&playnext=1

5. Sarney e Renan cantam Borboletas - Paródia de “Borboletas” de Vitor e Léo, composição de Vitor Chaves
 http://www.youtube.com/watch?v=OTjOwTuorpk&feature=related

6. Só Você - Paródia de “Por Você” de Barão Vermelho, composição Roberto Frejat / Guto Goffi / Mauro Santa Cecília
 http://www.animatunes.com.br/animacoes/index.php?a=2010/10/29/&tipo=leg

7. Rebolation do Corinthians - Paródia de Rebolation de Parangolé
 http://www.youtube.com/watch?v=Gcmxb6Ron6Y&feature=related

8. Show dos clássicos, Bobina e Rolhardo - Paródia de Paga Pau de Fernando e Sorocaba, composição de Sorocaba.
 http://www.animatunes.com.br/animacoes/index.php?a=2010/10/27/&tipo=leg

ANEXO 2 – Produção textual

Segue abaixo a finalização do trabalho de produção textual realizado pelos alunos da6ª série da E.E. Rocca Dordall em atenção ao projeto de apropriação da escrita citado neste trabalho:

Descobrimento do Brasil

Paródia da musica “Sorte Grande” de Ivete Sangalo

Foi em 22 de abril, que o Brasil foi descoberto
o ano era mil e quinhentos!

Os “português” chegaram, os índios encontraram e aproveitaram o momento:
Fizeram-se de amigos, deram vários presentes

E subiram as serras
Desbravaram as matas, catequizaram índios

Exploraram as terras
Chegaram no pedaço, tomaram os espaços

E trouxeram também os escravos
Pessoas diferentes, iguais a toda gente

Que tinham vindo lá da África
Da África, da África, da África
Os escravos vieram da África!

Sorte Grande

Ivete Sangalo

A minha sorte grande foi você cair do céu
minha paixão verdadeira

Viver a emoção, ganhar teu coração
pra ser feliz a vida inteira

É lindo teu sorriso, brilho dos teus olhos
meu anjo querubim

Doces dos meus beijos, calor dos meus braços
perfume de jasmim

Chegou no meu espaço mandando no pedaço
O amor que não é brincadeira

pegou me deu um laço, dançou bem no compasso,
de prazer levantou poeira

poeira, poeira, poeira
Levantou poeira 

Por Janaina Pereira Lima




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