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Educação Ambiental na Formação de Professores. Quem se Importa?

O papel do professor na introdução de assuntos que retratam a força do coletivismo e de fatores sócio-ambientais.

SUMÁRIO

 

INTRODUÇÃO– Falas Iniciais
 
CAPITULO UM – Educação ambiental ao longo de sua escalada evolucionária 11
1.1 – Como surgiu a Educação Ambiental 11
1.2 – A Política Nacional de Educação Ambiental 23
CAPITULO DOIS – Um experimento com Educação Ambiental 26
2.1 – Histórico da Faculdade de Formação de Professores 27
2.2 – Conhecendo a Faculdade de Formação de Professores 29
2.3 – Onde existe Educação para o Ambiente na FFP/UERJ 30
CAPITULO TRÊS – Conclusão 41
3.1 – Ainda Discussões Provisórias 41
3.2 – Talvez Palavras Finais 43
Bibliografia Consultada 45
Lista de Siglas 47
Apêndice I (Questionário) 48
Apêndice II (Tabela de resultados) 51

INTRODUÇÃO:
FALAS INICIAIS

Em média, existem cerca de um bilhão de pessoas em todo o mundo “vivendo” em absoluta pobreza e, aproximadamente, um bilhão de analfabetos. Quatorze milhões de crianças com menos de cinco anos morrem, devido à má-nutrição, e trinta e cinco mil crianças, diariamente, de doenças relacionadas ao meio ambiente, no ano-base 1999.

Em todo o mundo, 26 milhões de toneladas de material são removidos dos solos devido à erosão excessiva, que tem afetado 43 milhões de hectares de terras irrigadas. Enfrentamos a perspectiva da extinção de um quarto de toda a diversidade biológica da Terra nos próximos vinte/trinta anos. Anualmente são derrubados sete milhões de hectares de florestas.

Todo ano, atmosfera absorve milhões de toneladas de óxido de enxofre e nitrogênio, monóxido de carbono e partículas em suspensão. Chegamos a um ponto em que as mudanças climáticas tornaram-se uma possibilidade ameaçadora. Neste cenário ambiental os países “desenvolvidos” não devem continuar a produzir e consumir em taxas excedentes a capacidade da Terra. Há que reciclar o lixo e restaurar o estoque de recursos dos quais dependem todas as atividades vitais. E os, “em desenvolvimento” tem que aprender a viver dentro dos limites impostos, na biosfera cada vez mais frágil e comprometida.

Definir educação ambiental neste contexto e falar sobre a Educação e para dar-lhe uma nova dimensão: a dimensão ambiental, contextualizada e adaptada à realidade interdisciplinar, vinculada aos temas ambientais locais e globais (glocais).

A maioria dos problemas ambientais tem suas raízes em fatores sociais, econômicos, políticos, culturais e éticos. Entende-se que os modelos de desenvolvimento econômico adotados pelos países ricos são causadores de degradação ambiental e causam desigualdades sociais junto a miséria.

No Brasil, o problema ambiental mais grave relaciona-se à água. Cerca de 50 milhões de brasileiros não dispõem de água de boa qualidade em suas casas, e quase 90% dos esgotos não recebem tratamento, indo direto aos rios.

Em conseqüência, em torno de 60% das internações hospitalares se devem a doenças transmitidas através da água, por falta de saneamento.

Por outro lado, os investimentos públicos em saneamento têm sido mínimos, demonstra-se a incompetência (ou competência) em direcionar os recursos para outros fins mais desejados pela classe política. Outros problemas ambientais graves como o desmatamento, os incendios florestais, a erosão, a desertificação, a extinção de espécies e o aumento de comunidades de baixa renda nas grandes cidades, ligam-se, de alguma forma, à pobreza, à ignorância e à miséria que os países ricos impuseram aos países pobres através da divida externa e da exploração dos recursos naturais por processos predatórios (destruidores), que atendem exclusivamente aos interesses econômicos.

Com o crescimento dos problema citados, eleva-se a importância da Educação Ambiental. Com a Educação Ambienta podem ser identificam-se os problemas ambientais que afetam a qualidade de vida das pessoas; descobrem-se as causas dos problemas e encontram-se alternativas úteis. Ao lado do processo teórico, através de diversos mecanismos de participação comunitária, pode-se agir em busca dos interesses da comunidade.

Para a grande maioria das pessoas a palavra pesquisa, vem sempre associada à elaboração por especialistas e estudiosos de volumosos e abstratos trabalhos científicos. Nestes alentados textos – que o sendo comum espera que sejam redigidos numa linguagem inacessível ao comum dos mortais – pesquisa é coisa de intelectual sênior que não tem nada que ver com a vida real. E fato: a maioria dos trabalhos de pesquisa são tarefas que acadêmicos devem executar para comprovar, diante de seus pares, suas competências para serem compensados com os diplomas e ashonrarias.  

O destino destes trabalhos é quase sempre as gavetas e estantes das bibliotecas e Holotecas! Textos-Prateleiras onde sua tranqüilidade só será perturbada de vez em quando, por outro “acadêmico” em busca de referências ou citações para a sua própria pesquisa sênior. A ordem da coisa ambiental fica restrita à Academia.

Neste trabalho escrito, de finalização de curso de Geografia, no terreno da Educação Ambiental, intenciona-se que “investigação da realidade, capacitação de quadros e aquisição de conhecimentos” sejam dimensões interligadas de um mesmo itinerário político-pedagógico. Debate-se na escrita um estudo de caso, em trajetória de vida: a do autor. Nesse sentido da monografia, a finalidade de qualquer ação educativa deve ser a produção de novos conhecimentos que aumentem a consciência e a capacidade de iniciativa transformadora de quem exerce a ação pessoal.

Por isso, consciente do papel neste ensaio sobre “A Educação Ambiental na Faculdade de Formação de Professores: Quem se Importa?,”ao invés de limitar-se a só teorizar, isto é, constatar como pensam, falam ou vivem as pessoas em determinados grupos sociais ou prever o necessário (com vista a dissolver os conflitos e reforçar a coesão social) este texto terá outro enfoque. O principal interesse nesta reflexão solicitada pela Faculdade de Formação de Professores – FFP/UERJ – enquanto estudante universitário-ambientalista – foi mergulhar na espessura do real para captar a lógica dinâmica do discurso pessoal e das relações discursivas envolvidas.

Nesta perspectiva critica intenciona-se despertar nos leitores (deste texto) o desejo de construir os meios de sua realização. Conforme dizia Gandhi, “Precisamos Ser a Mudança que Queremos Ver no Mundo”. Para os estudantes da FFP, se forem oferecidas atividades diversas e de qualidade, além de um conjunto de participações que visam contextualizar o tema e descortinar os caminhos a serem trilhados por futuros professores. Na Faculdade, a verbação (o verbo + a ação) pode ser possível.

Por ser uma proposta interdisciplinar, a Educação Ambiental na FFP/UERJ não deve pertencer exclusivamente a nenhuma disciplina e nem departamento, mas relacionar-se com todas elas. Em uma discussão nacional é importante gerar uma ponta de lança para implementar a Educação Ambiental nos sistemas de ensino em todos os níveis e modalidades. A nível Nacional, a verbação (o verbo + a ação) pode ser possível.

Este neoenfoque busca a consciência critica que oportuniza o entendimento e a intervenção da sociedade, encorajando o surgimento de um novo modelo de sociedade, onde a preservação dos recursos naturais seja compatível com o bem-estar sócio-econômico da população. Nas reflexões escritas nesta introdução pretende-se oportunizar a familiarização com alguns pontos fundamentais, norteadores deste trabalho.

Nesta Monografia objetiva-se que a Educação Ambiental contribua na FFP/UERJ a rever a delimitação dos papeis do educando e comunidade, encontrando uma prática de construção coletiva de um saber não fragmentado, para recuperar o papel do educador como organizador de sua prática, vinculando a construção do conhecimento à realidade e priorizando a construção coletiva da ação pedagógica na escola. Afinal, a Educação Ambiental é uma pedagogia de ação e o professor é um profissional que lida com pessoas, pode ter/ser efeito multiplicador. Os profissionais da educação em suas formações acadêmica e social devem buscar suas qualidades.

Se na função do Profissional de Educação, no caso específico do(a) Professor(a), lhes fossem oferecidos melhores preparações, onde os problemas da sociedade (não somente a questão ambiental) pudessem ser discutidos de forma ampla, na plena complexidade do ambiente poderia haver melhorias educativas reais.

O método aplicado na monografia baseia-se no histórico da construção da Educação Ambiental (Brasil/ Mundo) e a evolução dos conceitos adjuntos. As análises de grades curriculares de 5 cursos da FFP (Biologia, Geografia História, Letras, Matemática) intencionou verificar o quanto a FFP/UERJ importa-se com o tema, ou seja, como os temas ambientais e a Educação Ambiental apresentam-se na Faculdade de Formação de Professores – FFP.

O tema monográfico complementa-se com 200 questionários respondidos por discentes das licenciaturas. A especial educação “para o ambiente” é globalizadora e se diferencia das outras “educações” (sexuais, antidroga, para o trânsito, para a saúde, higiene, para o lar, agrícola, física, etc.) porque integra aspectos, enfoques e práticas inovadoras.

Por fim, na monografia estão discutidas questões sócio-ambientais, investidas de importância e complexidade, onde seus equacionamentos exigem esforço global das escolas, comunidades, cidades, estados, países, blocos econômicos, enfim, de uma ação integrada de toda a humanidade. Esse esforço coletivo é resultante da ação de cada cidadão, inserido em seu contexto sócio-cultural, e isto pode ser experimentado.

CAPITULO UM:
EDUCAÇÃO AMBIENTAL AO LONGO DA SUA ESCALADA EVOLUCIONÁRIA

1.1 – COMO SURGIU A EDUCAÇÃO AMBIENTAL?

Neste capitulo serão apresentados as várias definições que a Educação Ambiental recebeu ao longo dos anos, para que colaborassem na compreensão do meio ambiente humano. Começar-se-á destacando algumas definições formuladas em alguns eventos já realizados. Estes conceitos são referências na prática e no fazer Educação Ambiental, a nível do Mundo e do Brasil.

Iniciando-se na décadas de 60, continuando nos anos 70 e 80, aconteceram fortes impactos nas relações do homem com a natureza. Esse período ficou conhecido como o momento da alienação do homem com o próprio homem e deste com a natureza: Então, milhares de hectares de florestas são derrubadas; bilhões investidos em armamentos; produtos tóxicos sendo usados indiscriminadamente; erosão do solo crescente em todos os países; a poluição do ar provocando doenças, mortes e comprometendo a temperatura e o clima do planeta; nos países pobres o índice de mortalidade crescendo a cada dia; esgotos a céu aberto; a quantidade de lixo produzido é assustadora; os mananciais hídricos em estado de degradação; a fauna ameaçada; industrias pesadas e poluidoras se consolidando em escala crescente.

Ao constatar-se esse cenário, o homem através de suas organizações governamentais e não-governamentais nas diversas áreas do conhecimento, inicia a concepção de um modelo de desenvolvimento sustentado pautado de forma equilibrada nos parâmetros ecológicos e sócio-econômicos. E, nesse contexto, surgem as propostas mais comprometidas de Educação Ambiental.

Alguns destes espaços de organização são mostrados nas páginas seguintes, referidos aos anos de 1968 a 1997.

1968

- Clube de Roma: 30 especialistas de vários países reúnem-se para estudo e análise da situação dos Recursos Naturais do Planeta.

- Delegação da Suécia na ONU: Chama a atenção da comunidade internacional para a degradação do ambiente humano.

1972

- Os limites do Crescimento: Relatório conclusivo dos estudos realizados pelo Clube de Roma – Crescimento Zero. Relatório Meadows.

- Conferência Internacional sobre o Ambiente Humano – ONU/Estocolmo, Suécia, chamada de Conferência de Estocolmo. Avaliação dos problemas ambientais globais. Elaboração e divulgação da Carta de Princípios sobre o Ambiente Humano – 26 artigos entre os quais está incluída a Educação Ambiental. Neste encontro a Comunidade Internacional pressiona o Brasil (ditadura militar) e condiciona a liberação de recursos externos à implantação de uma política de proteção ambiental.

O capitulo XIX da Declaração sobre o Ambiente Humano desta Conferência cita:

“É indispensável um trabalho de educação em questões ambientais, visando tanto as gerações jovens como os adultos, dispensando a devida atenção ao setor das populações menos privilegiadas para assentar as bases de uma opinião pública bem informada e de ser uma conduta responsável dos indivíduos, das empresas e das comunidades, inspirada no sentido de sua responsabilidade, relativamente à proteção e melhoramento do meio ambiente, em toda a sua dimensão humana”.

1975

- Programa Internacional de Educação Ambiental –PIEA: Encontro de Belgrado promovido pela UNESCO. Orientações especificas para Educação Ambiental. Inicio das atividades na América Latina. Alguns pontos definidos no Seminário de Belgrado (Iugoslávia) estão elencados abaixo:

Tema principal: Nova Ética Global para:
• erradicação da pobreza
• erradicação da fome
• erradicação do analfabetismo
• erradicação da Poluição
• erradicação da dominação e exploração humana.

- Neste encontro de 1975 estabeleceu-se que a Educação Ambiental deve ser:
• continua;
• integrada as diferenças regionais;
• multidisciplinar;
• voltada para os interesses nacionais e ao tipo de desenvolvimento;


- O ideario educacional de Belgrado envolve o seguinte contexto:

a) Nova ética global individualizada, de forma a demonstrar o compromisso individual de comportamento pela melhoria de qualidade do meio ambiente e conseqüentemente pela vida de todas as pessoas.

b) Nova ética de desenvolvimento e ordem econômica, onde a reforma dos processos e sistemas educacionais é central. Há necessidades de um novo e produtivo relacionamento entre:
• professor x aluno
• escola x comunidade
• sistema educacional x sociedade

1975

- As idéias também devem estar relacionadas e baseadas nos “princípios básicos delineados na Declaração das Nações Unidas e da Nova Ordem Econômica Mundial”.
- Este cenário deveria tornar “possíveis” o desenvolvimento de novos conhecimentos e habilidades, valores e atitudes, visando a melhoria da qualidade de vida para as gerações presentes e futuras.


1977

- 1º Conferência Inter-Governamental sobre Educação Ambiental, atual marco conceitual em Educação Ambiental.
• Organizada pela UNESCO/ PNUMA
• Realizada em Tbilisi, Geórgia (Antiga URSS), entre 14 e 26 de outubro.

• Estabeleceu:
Marco conceitual que serviu de base para os Programas Internacionais de Educação Ambiental.]
Definiu estratégias, princípios, função, objetivos, características, diretrizes e mecanismos de ação para a Educação Ambiental no plano nacional e internacional.

• Preconizou:
Incorporação pelos estados membros participantes da Conferência, de políticas de educação que incluíssem conteúdos, diretrizes e atividades ambientais em seus sistemas.
Intensificação de trabalhos reflexivos, de pesquisa e inovação, com respeito a Educação Ambiental.
Colaboração, por intercâmbio entre os países membros, de experiências, pesquisas, documentação, materiais e a colocação dos serviços de formação à disposição do pessoal docente e dos especialistas de outros países.
Fortalecimento da solidariedade entre os povos através da comunidade internacional, visando a PAZ.

1977

Na primeira Conferência Inter-Governamental sobre Educação Ambiental, na Geórgia, antiga URSS:

“A Educação Ambiental foi definida como uma dimensão dada ao conteúdo e a pratica de Educação Ambiental, orientada para a solução dos problemas concretos do meio ambiente, através de enfoques interdisciplinares e de uma participação ativa e responsável de cada individuo e da coletividade”.


1979

- Encontro de Educação Ambiental para a America Latina: patrocinada pela UNESCO (Costa Rica).


1980

- Seminário Internacional sobre o Caráter Interdisciplinar da Educação Ambiental no Ensino de 1º e 2º graus:
• Promovido pela UNESCO e Organização Nacional de Proteção Ambiental e Conservação da Natureza.
• Realizado em Budapeste, Hungria, entre 10 e 14 de novembro.

- Seminário Regional Europeu sobre Educação Ambiental para a Europa e América do Norte:
• Realizado em Essen, Alemanha, entre 8 a 12 de dezembro.
• Promovido pelo Centro de Educação Ambiental da Universidade de Essen.

- A Secretaria do estado e Meio Ambiente de São Paulo e a CETESB lançam o Guia do Professor de 1º e 2º graus (edição piloto), EDUCAÇÃO AMBIENTAL, corolário de um projeto de pesquisa (1983 e 1984) criado, desenvolvido e coordenado por Kazue Matsushima.

1981

- Seminário sobre Energia e a Educação Ambiental na Europa:
• Promovido pelo Conselho Internacional de Associação de Ensino de Ciências (ICASE).
• Realizado em Monte Carlos, Mônaco, entre 25 e 31 de março.

- Seminário Regional Europeu sobre Educação Ambiental nos Estados Árabes.
• Promovido pela UNESCO/ PNUMA.
• Realizado em Manama, Bahrein, entre 12 e 19 de maio.

- Primeira Conferência Asiática sobre Educação Ambiental:
• Realizada em Nova Delhi, Índia.


1984

- I Simpósio Nacional de Educação Ambiental, realizado em Sorocaba, São Paulo.


1985

- Segunda Conferência Asiática sobre Educação Ambiental:
• Promovida pelo Departamento de Meio Ambiente do Governo Indiano e pela Sociedade de Meio Ambiente da Índia.
• Realizada em Nova Delhi, Índia.
• Tema: “Educação e a Questão Ambiental em Países em desenvolvimento”.

- Seminário sobre Educação Ambiental para professores de Ciências da América Central:
• Promovido pela UNESCO/PNUMA.
• Realizado entre 12 e 18 de agosto.


1985

- II Simpósio Nacional de Educação Ambiental em Santos, litoral de São Paulo, no Museu de Pesca, com o auxilio da secretaria de Agricultura (SP).


1986

- III Simposio Nacional de Educação Ambiental


1987

- Congresso Internacional da UNESCO/PNUMA sobre Educação e Formação Ambientais:
• Realizado em Moscou, antiga URSS, entre 17 e 21 de agosto.
• Estabeleceu os elementos para uma estratégia internacional de ação em EDUCAÇÃO AMBIENTAL para a década de 90.
- 16º Conferencia Anual da Associação Norte Americana para Educação Ambiental:
• Realizada em Quebec, Canadá, entre 12 e 20 de outubro.

- IV Simpósio Nacional de Educação Ambiental.Instituto Butantã na recém inaugurada Estação Ciência, em São Paulo.


1988

- Conferência Intergovernamental sobre a Educação Ambiental e Treinamento, Aconteceu em Moscou e foi patrocinada pela. UNESCO/ PNUMA. Esta conferência avaliou as ações desenvolvidas nos diversos países.
- Seminário Latino-Americano de Educação Ambiental, em Buenos Aires.
Com participação de Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Chile. Nos trabalhos, os delegados formularam recomendações reconhecendo as realidades especificas dos países latino-americanos.
- V Simpósio Nacional de Educação Ambiental, no SESC de Santos, SP.
- I Encontro de Educação Ambiental da Cidade do Rio de Janeiro da Fundação Brasileira de Conservação da Natureza – FBCN.

1989

- Lançados pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Fascículos de Educação Ambiental, dentro do Programa Universidade Aberta, com ênfase emensino a distância mantido pela Fundação Demócrito Rocha em convènio com quinze universidades nordestinas e diversas outras instituições de pesquisa e difusão tecnológica.

- Primeiro Seminário de Materiais para a Educação Ambiental:
• Promovido pela UNESCO/ OREALC/ PIEA
• Realizado em Santiago, Chile, entre 11 a 13 de dezembro.

- I Encontro Nacional sobre Educação Ambiental no Ensino Formal:
• Promovido pelo IBAMA/UFRPE
• Realizado em Recife, Pernambuco, em setembro.

- VI Simpósio Nacional de Educação Ambiental.
Realizado no Campus Acadêmico da Universidade de Mogi das Cruzes, SP, com uma proposta de discussão setorial de problemas que são nacionais e mundiais.


1990

- IV Curso de Especialização em Educação Ambiental (EA)
• Promovido pelo PNUMA/ IBAMA/ CNPq/ CAPES
• Realizado na Universidade Federal do Mato Grosso

- IV Seminário Nacional sobre Universidade e Meio Ambiente
• Realizado em Florianópolis, SC, entre 19 e 23 de novembro
• Discutiu-se a interface Universidade e Comunidade diante da política ambiental brasileira.

- VII Simpósio Nacional e Simpósio Interestadual de Educação Ambiental.
Na cidade de Volta Redonda ( RJ). O tema do Simpósio conjunto modifica-se categoricamente, saindo dos problemas que circundam o Homem e suas comunidades, abrangendo aspectos do interior do Homem, em sua mente e sua alma.

1990

- Conferência Mundial sobre a Educação para Todos, na cidade de Jomtien na Tailândia, de 5 a 9 de março.


1991

- Projeto de Informações sobre Educação Ambiental:
• Encarte lançado em 20 de agosto pelo Palácio do Planalto (IBAMA-MEC).
• Contém orientações básicas sobre Educação Ambiental, objetivos, recomendações.

- Centro de Desenvolvimento para Educação Ambiental:
• Ligado à Fundação Brasileira de Educação (FUBRAE).
• Publicou, em Brasília, o documento Educação Ambiental situação e perspectivas.

- VIII Simpósio Nacional e II Simpósio Interestadual de Educação Ambiental:
No Museu do Instituto Butantã, SP, dentro de temário sobre Educação, Ambiente e Saúde Pública. A parte mais profunda do ambiente interior humano foi tratada por renomados profissionais. Houve discussão da mente como indutora de todos os movimentos e atitudes humanas, que produz a degradação física e social. O evento propiciou o envolvimento de crianças para uma Oficinas e Origami.


1992

- Conferência Internacional das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento – ECO 92, Rio de Janeiro. Convenções:
• Clima
• Biodiversidade
• Protocolo de Florestas
• Direito Internacional e Meio Ambiente
• Desenvolvimento Sustentável

1992

- Fórum Global – Conferência Paralela das Organizações Não-Governamentais:
Lançamento de Tratados em diversas áreas, entre os quais o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e de Responsabilidade Global.
• Agenda 21: Bases para consolidar o Desenvolvimento Sustentável.

- Jornada Internacional de Educação Ambiental:
• Promovida pela ONU/ UNCED
• Realizada no Fórum Global (Rio-92), entre 2 a 6 de junho.
• Houve vários “Workshops” paralelos

- Lançamentos de programa temático-prático pelo Grupo de Educação Ambiental da AELAC/ Brasil (Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ). Coordenação: Tania Guimarães Santa-Rita/ Lourdes Brasil.

- IX Simpósio Nacional e III Simpósio Interestadual de Educação Ambiental. Universidade de Brás Cubas, em Mogi das Cruzes, São Paulo.

A Comissão Interministerial na Preparação da Eco-92 ressalta:

“A Educação Ambiental se caracteriza por incorporar as dimensões sócio-econômica, política, cultural e histórica não podendo se basear em pautas rígidas e de aplicação universal, devendo considerar as condições e estágios de cada país, região e comunidade, sob uma perspectiva histórica. Assim sendo, a Educação Ambiental deve permitir a compreensão da natureza complexa do meio ambiente e interpretar a interdependência entre os diversos elementos que confirmam o ambiente, com vistas a utilizar racionalmente os recursos do meio na satisfação material e espiritual da sociedade, no presente e no futuro”.


1993

- ECO URB 93, Ecologia Aplicada ao Ecossistemas Urbanos, 1993.

- X Simpósio Nacional e IV Simpósio Interestadual de Educação Ambiental.
Na Universidade Cidade de São Paulo (UNICID), São Paulo.

1993

- III Encontro Latino Americano de Educadores Ambientais (ECOAPLICADA 93):
Na cidade de Colonia Del Sacramento, Uruguai, organizado pela Federação Latino Americana de Educadores Ambientais (FLEA).


1994

- III Fórum de Educação Ambiental – PUC/São Paulo.

- XI Simpósio Nacional e V Simpósio Interestadual de Educação Ambiental. Realizado na cidade de Guaíba, Rio Grande do Sul. Tema principal:: “GAIA – Educação Ambiental: este é teu caminho”. O I Simpósio Pia de Educação Ambiental também ocorreu na ocasião.


1995

- I Encontro da Rede Brasileira de Educadores Ambientais.
De 5 a 8 de agosto no Centro de Convenções do SESC de Guarapari, ES.

- Conferência Nacional de Educação Ambiental

- XII Simpósio Nacional, VI Simpósio Interestadual de Educação Ambiental, I Seminário Estadual de Iniciação Cientifica no 1º e 2º grau.
Na cidade de Campo Grande – Mato Grosso do Sul no evento participaram cerca de de mil pessoas entre estudantes, e professores(as) da Região Centro-Oeste e de outras regiões do País e inclusive de outros países, incentivando o ecoturismo, e valorizando a região.


1996

- XIII Simpósio Nacional e VII Simpósio Interestadual de Educação Ambiental Na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, objetivou a melhoria da qualidade de vida, o desenvolvimento sustentável e a internalização de novos padrões de conduta.

1996

- Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9394/96 de 20/12/1996)
Ressalta no Cap. VII, Educação Básica, Art. 36, Inciso I, o caráter obrigatório e interdisciplinar do conteúdo básico da Educação.

- I Curso de Especialização em Educação Ambiental.
Congregou aa Universidade Federal Fluminense – UFF e a Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, na Faculdade de Educação da UFF. (40 alunos)


1997

- International Conference Environment and Society Education and Public Awareness for Sustainability, Thessalonique, Gréce, 8 a 12 de dezembro.

- IV Fórum de Educação Ambiental .
Rede Brasileira de Educação Ambiental, de 05 a 08 de agosto, em Guarapari, ES.

- 26th Annual Conference of the North American Association for Environmental Education, Vancouver, Canada, agosto.

- I Conferência Nacional de Educação Ambiental.
De 07 a 10 de Outubro, Centro de Convenções em Brasília, Distrito Federal




1.2 – A POLITICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Este capitulo contem o debate da Política Nacional de Educação Ambiental, e a falta de políticas públicas de Educação Ambiental que parecem atravancar o desenvolvimento da Educação Ambiental no Brasil.

Desde da década de 1980, a Educação Ambiental passou a ser um dos instrumentos da Politica Nacional de Meio Ambiente (Lei nº 9795 de 27 de abril de 1999). Em 1998, com a promulgação da Constituição Brasileira, reconheceu-se que:

“Todos têm direito ao Meio Ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e a coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”; Cabendo ao Poder Público: “Promover a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente”. Artigo 225, inciso 5.


Também a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996), estabelece, em seu artigo 36, inciso I:.

“A Educação Ambiental será considerada na concepção dos conteúdos curriculares de todos os níveis de ensino, sem constituir disciplina especifica, implicando desenvolvimento de hábitos e atitudes sadios de conservação ambiental e respeito a natureza, a partir do cotidiano da vida da escola e da sociedade”.

As finalidades da Política Nacional de Educação Ambiental, que servem de base as ações a serem desenvolvidas pela comunidade, são os seguintes:
• Permanente preocupação com a situação ambiental na zona rural e urbana e a busca do entendimento sobre os fatores que interferem nessa situação sob os aspectos econômicos, social, político e ecológico;
• Aquisição do conhecimento, do valor, da atitude, do compromisso e da habilidade necessários à proteção e melhoria do meio ambiente.

• Criação de novos padrões de conduta orientados para a preservação e melhoria da qualidade do meio ambiente.

O processo de Educação Ambiental, como em geral ocorre com todo o processo educacional, exige a participação dos professores e professoras, o que implica em tarefa didática e pedagógica.
Cabe ao professorado e demais pessoas ligadas ao ensino, possibilitar a aquisição de conhecimentos relativos ao ambiente, tendo em vista a realidade local, do Pais, e as perspectivas mundiais. Isto pode ser feito através de informações e as diferentes experiências sobre problemas ambientais.

Dias (1992) em seu livro, sobre Educação Ambiental alega que “o Brasil não tem uma política para a chamada Educação Ambiental”.

Inédita na América Latina, após quase cinco anos de tramitação no Congresso Nacional, finalmente foi aprovada pelos parlamentares e sancionada pelo Presidente da República a Política Nacional de Educação Ambiental. O Presidente Fernando Henrique Cardoso vetou o artigo 18, que previa a destinação de pelo menos 20% da arrecadação das multas ambientais para ações em educação ambiental.

A Lei nº 9795, de 1999, seria, na prática, uma regulamentação do inciso VI do artigo 225 da Constituição Federal (1998) e consolida, legalmente, temas significativos e debatidos pelos educadores, como:

Interdisciplinaridade – A Educação Ambiental (EA) deve estar presente em todos os níveis de ensino, como prática educativa integrada, não se constituindo em disciplina especifica, à exceção dos cursos de pós-graduação.
Direito Coletivo – Todos têm direito à educação ambiental, que deve ser promovida pelo Poder Público, instituições educativas, órgãos do Sisnama (Sistema Nacional de Meio Ambiente), meios de comunicação, empresas, entidades de classes e sociedade como um todo.
Sustentabilidade – Entre os princípios básicos da EA são listados o enfoque holístico, democrático e a concepção do meio ambiente em sua totalidade, considerando a interdependência entre meio natural, socioeconômico e cultural, sob o enfoque da sustentabilidade.
Capacitação – As atividades da EA devem ser desenvolvidas na educação formal, informal e não-formal, por meio da produção de material educativo, pesquisas e capacitação de recursos humanos que incorpore a dimensão ambiental na formação dos educadores em todos os níveis e modalidades de ensino.
Órgão Gestor – A execução dessa política ficará a cargo de um órgão gestor definido na regulamentação da lei, no prazo de 90 dias da sanção presidencial.

A Lei, na sua Seção II – Da educação Ambiental no Ensino Formal, no seu artigo onze, cita:

“A dimensão ambiental deve constar dos currículos de formação de professores, em todos os níveis e em todas as disciplinas”. “Os professores em atividades devem receber formação complementar em suas áreas de atuação, com o propósito de atender adequadamente ao cumprimento dos princípios e objetivos da Política Nacional de Educação Ambiental”.

Apesar das dificuldades, neste texto monográfico buscou-se identificar alguns parâmetros de interpretação e implementação da Educação Ambiental, que a história da luta pela preservação do meio ambiente construiu.
A Faculdade de Formação de Professores, na luta pela Educação Ambiental, desenvolveu atividades onde alunos (discentes/futuros professores) e professores (docentes) buscaram considerar as cobranças cada vez maiores por resultados que demonstrem de fato a ocorrência de mudanças de comportamentos nos educandos, propiciadas pelo processo educativo. No capítulo dois serão apresentadas tais experiências mutacionais com perspectivas relevantes.



CAPITULO DOIS:
UM EXPERIMENTO COM A EDUCAÇÃO PARA O AMBIENTE



Neste capitulo dois será analisada, através de relatos com alunos da Faculdade de Formação de Professores, a questão ambiental na FFP/UERJ.

Os objetivos desta pesquisa de opinião foram:

I) encontrar uma prática de construção coletiva a partir de um saber não fragmentado;

II) recuperar o papel do futuro professor (aluno da FFP) como organizador de sua prática em sua sala de aula;

III) vincular a construção do conhecimento à realidade;

IV) priorizar a construção coletiva da ação pedagógica da escola;

V) contar a história da formação da Faculdade de Formação de Professores – FFP/UERJ em São Gonçalo, Rio de Janeiro.




2.1 – HISTÓRICO DA FACULDADE DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES


A Faculdade de Formação de Professores de São Gonçalo (Rio de Janeiro) foi criada em 1971, como extensão do Centro de Treinamento de Professores do Rio de Janeiro (CETRERJ), órgão criado em 1968 para a execução sistemática de reciclagem de professores de 1º e 2º graus de ensino. Possuía inicialmente três cursos: Letras, Ciências e Estudos Sociais.

Em 1975 a FFP em São Gonçalo foi incorporada a UERJ pelo Decreto Lei nº 67 de 11 de abril de 1975. Porém por falta de acordo – acerca de procedimentos a serem adotados para a integração desta a Universidade – por força do artº 60 da Lei Federal nº 5692/1971 que veda ao Poder Público e aos respectivos órgãos de administração indireta criar ou auxiliar financeiramente estabelecimento de ensino que constituam duplicidade desnecessária ou duplicação de recursos humanos, o Conselho Estadual de Educação, revogou o Decreto Lei nº 67/1975 e retornou a FFP ao CETRERJ, que transformado em CDRH (Centro de Desenvolvimento de Recursos Humanos), tornou-se sua mantenedora.

Em 1980 a FFP passa a integrar a FAPERJ (Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) que englobou o CDRH e outras instituições estaduais.

Até 1980 a FFP possuia os seguintes cursos – Curso de Licenciatura Curta em Letras, Ciências e Estudos Sociais; Curso de Licenciatura Plena em Letras, com habilitação em Português e Literatura de Língua Portuguesa, e Português e Inglês; Curso de Licenciatura Plena em Ciências com habilitações em Matemática e Biologia (Regimento Interno da FFP aprovado pelo parecer nº 338/1980 do Conselho estadual de Educação), uma Coordenação Didática e uma Coordenação de Estágio Supervisionada.

Em 1982 a FFP teve reconhecida pelo Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro os novos currículos dos Cursos de Letras e Ciências com suas habilitações plenas, ficando Estudos Sociais para ser instalado em 1985 através do Parecer nº 751/1985 do Conselho Estadual de Educação com habilitações em Geografia e História.

Em 21 de julho de 1987, pela Lei Estadual nº 1175, estabeleceram-se objetivos a nova estrutura da FAPERJ e o seu artigo 10º determinou a vinculação da FFP à UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Com a incorporação à UERJ, criaram-se na FFP novos cursos de Geografia e História, que substituiam os anteriores, que eram habilitações de Estudos Sociais.




2.2 – CONHECENDO A FACULDADE DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – FFP/UERJ


Estrutura Acadêmica

A Faculdade de Formação de Professores (FFP) no município de São Gonçalo no Rio de Janeiro é uma Unidade Acadêmica integrante do Centro Setorial de Educação e Humanidades. Possui Diretor e Vice-Diretor e se divide em 5 departamentos de Ensino, listados em ordem alafabética: Ciências Biologicas e Humanas, Educação, Geografia, Letras e Matemática.


Conselho Departamental

O Conselho Departamental é o órgão deliberativo de representação dos Departamentos. É composto pelo Diretor e Vice-Diretor, pelos chefes de Departamentos e pelos representantes eleitos de alunos e funcionários.
A representação estudantil, com mandato de 1 (um) ano constitui 1/3 do total de membros do Conselho Departamental.



2.3 – ONDE EXISTE EDUCAÇÃO PARA O AMBIENTE NA FFP/UERJ

Neste capitulo está detalhada a pesquisa de opinião efetuada com 34 alunos da Faculdade de Formação de Professores sobre a questão da Educação Ambiental, para gerar um diagnóstico.

A intenção desta monografia de finalização de curso em Geografia da FFP foi traçar alguns indicativos para uma reflexão em termos da formação aos profissionais de ensino, em nível superior universitário, na licenciatura da FFP em São Gonçalo, sobre a dimensão ambiental. Foram consideradas os temas já realizadas à respeito do tema ambiental, portanto, pontos discutidos em encontros anteriores também foram abordados

No Brasil, a discussão sobre Universidade e Meio Ambiente começou em 1986 e já foram realizados cinco encontros nacionais. Estes contribuíam muito na difusão de experiências e no avanço de reflexão sobre a temática. No entanto, não houve uma avaliação para consolidar os resultados alcançados. Pensa-se que não se deve ficar repetindo as mesmas questões debatidas em outros eventos sem avançar muito na efetivação das ações ou na definição da produmetria encontrada. É relevante nesta idéia as palavras de Teilhard de Chardin:

“Algum dia, quando tivermos dominado os ventos, as ondas, as marés e a gravidade, a noosfera ... Utilizaremos as energias do amor. Então, pela segunda vez na história do mundo, o homem descobrirá o fogo”.

As recomendações dos encontros foram claras no que se referia aos cursos de graduação; a questão seria equacionada na reformulação tanto dos objetivos quanto dos conteúdos na direção de uma formação mais geral. Este foi (e é) considerado o maior e mais importante desafio a ser enfrentado.

A solução não seria a introdução de mais uma disciplina sobre o meio ambiente, geradora da educação para o ambiente, em cada currículo mas definir qual seria a contribuição de cada área disciplinar à dimensão abrangente da Educação para o ambiente. Não acrescentar mais uma tema a ser estudado pelas diversas áreas do conhecimento.

A Educação para o ambiente (inteiro) envolve a integridade dentro de uma abordagem holística, superando as barreiras entre as ciências naturais e as ciências sociais. A inclusão da dimensão ambiental na formação dos estudantes da FFP/UERJ seria um projeto que poderia resgatar o entusiasmo e a alegria em meio a essa crise que vem instalando-se na sociedade fechada (“inteiriota”) de modo geral.

A criação de fóruns de discussão mesmo em níveis institucionais de avaliação da problemática ambiental possibilitaria canais de interlocuções, construindo interfaces entre o trabalho universitário da FFP/UERJ e a sociedade gonçalense (do município de São Gonçalo) e dos bairros do entorno. Essas ações poderiam aproximar a Faculdade dos problemas da sociedade fluminense e dos movimentos sociais. Na intenção manifestada nesta monografia, propõe-se à Universidade exercer sua função social e do abertismo, já que é uma instituição em si mesma articulada à comunidade “universal”.

Uma outra proposta, para eliminar o fechadismo, seria a de estimular a criação de formas de organização interdisciplinar (como a experiência do NIEA – Núcleo Interdisciplinar em Educação Ambiental, em ação na FFP desde 1996) de cursos integradores interdepartamentais, de modo a servir de referência para o público interno e externo. A proposta de cursos integrativos permitiria o investimento dos alunos e, ao mesmo tempo, um desenvolvimento dos professores envolvidos. Essa articulação acadêmica entre discentes e docentes, na construção e busca do conhecimento possibilitaria o desenvolvimento de um trabalho critico, criativo e transdisciplinar.

A falta de articulação com a sociedade do sistema universitário, reflete-se em todas as instituições Universitárias. Como as outras Universidades, a FFP/UERJ apresenta-se em uma estrutura departamentalizada, o que dificulta a articulação interna, na formação de equipes interdisciplinares.

Essa fragmentação do conhecimento (fechadismo acadêmico) coloca sérios obstáculos no trato da questão ambiental, que exige claramente uma visão além das disciplinas clássicas. O meio ambiente (como objeto de estudo) exige que o profissional de ensino ultrapasse os limites das disciplinas.

A própria estrutura departamental parece não esta adaptada a gerar um profissional multifacetado. Como tratar a questão ambiental em uma concepção de conhecimento, dentro dos paradigmas tradicionais e clássicos?

Parece inegável a responsabilidade da FFP/UERJ: com o desenvolvimento acadêmico, respeitando a sua diversidade cultural, onde lhe compete a formação de profissionais de ensino que ocuparão o mercado de trabalho no século XXI.

Esta nova sociedade exige, a cada dia, um nível de exigência elevado na qualificação desses profissionais. A sociedade precisa de cidadãos/cidadãs, em todas as profissões, capazes de questionar, analisar, criticar, enfim de participar de forma atualizada dos rumos da sociedade: Acredita-se que o professor com competência ambiental seria aquele fundamental nestes tempos futuros da sociedade informática.

A questão ambiental traz novos elementos para as estruturas conceituais de currículo, propõe uma superação das barreiras entre as disciplinas. A analise da estrutura da grade curricular da FFP/UERJ, inicia-se na colocação de instrumental teórico-metodológico para aluno/aluna licenciando(a) refletirem criticamente sobre a realidade. Uma formação mais critica dos quadros acadêmicos diretamente envolvidos com a questão ambiental, constituem a contribuição objetiva que a FFP/UERJ pode oferecer para melhorar a situação ambiental no Estado do Rio de Janeiro.

Ao observar a grade curricular da FFP/UERJ, achou-se que determinadas disciplinas poderiam trabalhar a questão da Educação Ambiental, como a integração para a interdisciplinariedade. Não somente as matérias das ciências ambientais (Biologia e Geografia), mas também as de ciências sociais (História e Pedagogia) teriam este privilégio. Os cursos como Matemática e Letras (Português/Inglês e Português/Literatura) também debateriam a Educação Ambiental.

Os currículos da FFP/UERJ analisadas, parecem estar fragmentada nas questões atuais, em temáticas como:sexualidade, saúde, cidadania, violência, tecnologia da informação, tecnologia educacional. Algumas disciplinas do Departamento de Educação poderiam contribuir com atualização dos discentes da FFP/UERJ, por serem disciplinas que perpassam por todos os cursos.

O Curso de Pedagogia, contem uma disciplina (Fundamentos das Ciências da Natureza) que poderia ser interessante para o trabalho com as questões ambientais. Em uma visão ambientalista, ainda educacional, este cenário mostra-se de uma forma fragmentada, mas já seria um início do começo da grade curricular pensada “para o ambiente”, na FFP:
Fávero (1992, pág.54) afirma:

“Se aceitarmos que a finalidade primeira da Universidade e de suas unidades acadêmicas é a produção do conhecimento e de tecnologia, não poderemos ignorar, também, que pela importância da ciência e da tecnologia moderna, sobretudo num pais como o nosso, que deve buscar na Universidade algumas bases para seu desenvolvimento, ela não pode descurar do seu objetivo de ministrar e produzir cultura”.

O Estado de São Paulo, através de uma Comissão específica, mostrou a participação de uma Universidade de Formação de Professor na construção de conhecimento em Educação Ambiental. Neste processo criou-se a Comissão Interinstitucional com representantes tanto das principais Universidades do Estado de São Paulo (principalmente a de formação de professores), quanto por entidades interessadas, além da coordenadoria de Educação Ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Esta comissão objetivou conjugar esforços para viabilizar a introdução da Educação Ambiental nos cursos universitários, com as seguintes atribuições:

1. Concentrar e disseminar informações acerca da pesquisa de ensino de Educação Ambiental nos cursos universitários;

2. Obter e repassar informações relativas a cursos, programas e currículos de Educação Ambiental;

3. Estabelecer vínculos entre escolas com o objetivo de realizar conjuntamente experimentos da Educação Ambiental;

4. Promover intercambio de docentes visando a atualização da docência na área;

5. Promover cursos para professores da educação básica (artigo 21, inciso I, LDB.1996).

Nesta monografia ressalta a importância da extensão universitária, porque ela exerce a função de fazer a interface da universidade com a sociedade. Docentes- pesquisadores(as) através da extensão colocam-se diante de uma realidade tal como ela é, com todos os aspectos imbricados onde não há divisões entre o natural e social. A extensão pode ser um campo promissor para a implementação de políticas de ensino e pesquisa comprometidas com a questão ambiental e voltadas para as demandas reais da sociedade.

No sentido de iniciar a analise dos problemas como passo preliminar, foi aplicado aos estudantes dos cursos de licenciaturas da FFP/UERJ um questionário com quatro perguntas (apêndice no final da monografia), para verificar opiniões sobre a importância de vários temas:

1. Após recordar, desde a entrada de seu curso até o momento, identifique onde existe educação para o ambiente, na FFP/UERJ?

2. Qual a sua opinião sobre a importância de vários temas hoje muito presentes nos meios de comunicação e na pauta de discussões sobre a manutenção do equilíbrio ambiental?

3. Relacione as categorias de avaliação de acordo com a importância dos temas da pergunta dois:

4. O que seria Educação Ambiental?

5. Quais sugestões daria para incorporar a preocupação com a Educação para o Ambiente na FFP/UERJ?

Durante o segundo semestre de 1999 realizou-se o levantamento exploratório na Faculdade de Formação de Professores, passando um total de 200 questionários com questionamentos listados anteriormente.

Na questão dois, foram arrolados trinta e quatro tópicos para definição de “muito importante”, “de alguma importância”, “sem importância” ou “não sei”. Os 35 tópicos citados pelos(as) respondentes foram os seguintes: desmatamento das florestas, poluição hídrica, uso indiscriminado de agrotóxicos, controle populacional, falta de saneamento básico, uso de substância para conservação no trabalho, poluição sonora, uso indiscriminado de energia nuclear, desenvolvimento industrial não planejado, controle internacional para manutenção de equilíbrio ambiental, esgotamento de recursos naturais, propagação de doenças epidêmicas, chuva acida, uso de plásticos não biodegradáveis, uso indiscriminado de pesticidas, extinção de espécies silvestres, efeito estufa, Rio-92 – Conferência, lixo, coleta seletiva, preservação do patrimônio histórico, urbanização planejada, reforma agrária, demarcação de reserva extrativista, biopirataria, questão indígena, reciclagem de papel, plástico, arborização das cidades com árvores frutíferas, uso racional de energia solar, controle global de recursos hídricos, destruição da camada de ozônio e efeito estufa (Resultados na tabela I, pagina.47)

De 200 questionários encaminhados apenas 17% retornaram, distribuído pelos seguintes cursos: geografia (15 respondentes), Letras (7), História (6), Matemática (4) e Biologia (2). Os alunos questionados foram todos do 8º período, por já terem vivido um bom tempo na atmosfera da Universidade e, deveriam conhecer a estrutura da Faculdade (no mínimo três anos de construção de conhecimento).

Como os questionários foram aplicados com o apoio dos Centros Acadêmicos (Ca’s), o curso de Pedagogia (que funciona na parte da manhã), não participou com a entrega dos questionários, havendo um problema operacional na entrega.

Um respondente assim expressou-se na questão quatro.

“É preciso que haja mais palestras sobre o meio ambiente e, também que a biblioteca tenha maior quantidade de livros, revistas e outros mais sobre esse tema. Mas palestras, seria interessante a distribuição de material escrito sobre o meio ambiente”.

No grupo dos respondentes da Geografia, dos 15 questionários, 06 não identificaram a educação para o ambiente. Entretanto nove discentes disseram que nas matérias: Ecologia, Climatologia, Quimica, Geomorfologia, Fundamentos de Saúde (Biologia), Hidrologia, Geologia e Fluminense I e II, poderia ser acrescentado aos conteúdos destas matérias, os princípios da Educação Ambiental.

Ainda discentes da Geografia, disseram haver a Educação para o Ambiente na Faculdade em algumas matérias; 15 alunos responderam à terceira pergunta numa linha do romantismos ambientalista, em defesa da Deusa Gaia. Cita-se uma das respostas: “Apreender a preservar o meio ambiente”

Na segunda questão os estudantes de Geografia consideraram “Muito importante” todos os 35 tópicos ambientais. Entretanto não encaminharam nenhuma proposta para a Faculdade na quarta questão. Se os assuntos (na segunda questão) são todos importantes, quais seriam suas saídas ou sugestões para consolidar na FFP/ UERJ a Educação Ambiental?

No grupo de Matemática (4 questionários) dois não identificaram a Educação para ao Ambiente em nenhuma disciplina. Um respondente assistiu modestamente na disciplina prática pedagógica I e II a Educação Ambiental e o outro, percebeu na Semana de Matemática. Na terceira pergunta, apresentaram quatro respostas:

1. “Seria um hábito que as pessoas deveriam ter o prazer”;

2. “Educação Ambiental seria a fonte onde o individuo buscaria formas de relacionar-se com o meio ambiente”;

3. “Educar o ser é informar sobre a Educação Ambiental”;

4. “O aprendizado de como lidar construtivamente com a natureza”.

Na quarta questão, dois deixaram em branco e os restantes responderam da seguinte forma:

1. “Deveriam ser oferecidos cursos periódicos sobre o tema para toda a comunidade, poderia esse trabalho ser feito por um bolsista de extensão, junto ao Departamento de Biologia”.

2. “Cabe a nós professores mostrar - lá aos nossos alunos independentemente da disciplina”.

No grupo de Biologia (2 questionários), um primeiro respondente revelou ter percebido Educação Ambiental tanto em sua disciplina optativa quanto nos cursos de ecologia I, II e III. Na terceira questão escreveu:

“Procedimento correto no meio ambiente sem causar impacto”
O mesmo respondente, deixou a quarta questão em branco. Já o segundo respondente apresentou que vem participando de atividades de Educação Ambiental desde 1996, em trabalhos desenvolvidos pelo Núcleo Interdisciplinar em Educação Ambiental – NIEA. Na questão três para ele a Educação Ambiental é: “O próprio conceito de ecologia na prática”. E na quarta questão sugere: “Desenvolver mais projetos em áreas supracitadas na questão 2”.
No grupo de História, em 6 questionários, a resposta para a primeira questão foi unanime: não houve identificação da Educação Ambiental na Faculdade. A quarta questão foi respondida por apenas 3 alunos. Na questão 3, dois não responderam. Ressaltam duas respostas:

“Educação Ambiental para mim seria uma forma de discussão a nível global dos meios para evitar a poluição”.
“Eu acho que em termos da FFP, uma sugestão seria a um constante trabalho de elaboração de temas referentes ao cotidiano, não ficando restrito apenas a encontros”.

No grupo de Letras (7 questionários), para a primeira questão 5 discentes desconheciam o tema, duas explicitaram seu trabalho com o NIEA/FFP e uma outra, lembrou da disciplina Arte-Educação e Química II (matéria da Biologia mais optativa para letras). Na terceira pergunta, duas não souberam responder e 5 escreveram suas idéias.

Já na questão quatro, houve um consenso em solicitar palestras , cursos para as áreas que não pertença exclusivamente aos Departamentos de geografia e Biologia. Em um questionário houve a sugestão para a criação de uma “disciplina em Educação Ambiental na FFP/UERJ”.

Dentre a manifestação das respondentes do curso de Letras, destaca-se: “Programa de melhoria do relacionamento Homem/Natureza

Em resumo, para a quarta questão as respostas apontaram:

1. Aumento de estudos realizados em pesquisa de campo;

2. Inclusão nas disciplinas conteúdos relacionados;

3. Informação ao profissional/estudante de educação sobre temas transversais do MEC, para que o “mesmo não ficasse leigo no assunto”;

4. Projetos de reciclagem na Faculdade.

Um dos respondentes assinalou sua preocupação com a forma de manipulação capitalista:

“Colocar as questões em pauta nas discussões referentes a relação Homem- Meio, e não apenas discutir as questões econômicas destas relações”.

Sobre a primeira questão, alguns referiam-se a proposta do NIEA (Núcleo Interdisciplinar em Educação Ambiental), os outros basearam-se em algumas disciplinas que realizaram em trabalho de campo nas áreas de Biologia e Geografia, colocando-as como experiências em “Educação para o Ambiente”.

Pelos resultados analisados, a importância da temática Educação para o Ambiente foi salientada efetivamente pelos futuros professores e futuras professoras, de todos/todas, de Cursos de Licenciatura na FFP/UERJ, menos Pedagogia.

Apesar das justas criticas à forma do instrumento da pesquisa (Pesquisa Qualitativa), foi possível obter alguns resultados para auxiliar no encaminhamento da questão da Educação Ambiental na FFP/UERJ.

Os dados avaliados mostram que, apesar de a Educação Ambiental estar mais tradicionalmente na FFP/UERJ, ligada as áreas de Biologia e Geografia (por acharem que são as matérias que mais tem contato com a temática ambiental), todos/todas, os licenciados (de forma geral), têm idéias prévias sobre a temática da Educação para o Ambiente, Estes (as), são muito mais influenciados (as) pelos meios de comunicação do que pela especialidade de seus cursos, como demonstrado na questão dois, do questionário aplicado.

Em consenso entre os discentes da FFP/UERJ, acredita-se que os futuros professores estarão preparados para exercer o seu papel, como profissional de educação, se lhes forem oferecidos(as) a oportunidades de vivênciar na prática os referidos temas.
Moises (1994) afirma que “para a maioria das professoras, a experiência profissional é um dos fatores que mais concorre para conferir o seu trabalho docente um bom nível de qualidade”. Nesta argumentação, a pratica de Educação Ambiental ou para o Ambiente, ocorreria com a constituição de um Colégio de Aplicação, para as vivências dos alunos e alunas.

Na realidade da FFP pode-se montar um pólo educacional no bairro do Paraíso no município de São Gonçalo, aproveitando-se das instituições escolares, como: os CIEP’s e o Colégio Estadual Walter Orlandine, caracterizando-se como um excelente local para este desenvolvimento.

Sobre a pratica de Ensino, na FFP, muitos alunos das licenciaturas já são professores(as) e buscam uma complementação na graduação; muitos já ministram aulas, como sobrevivência. Necessita-se de um redimensionamento mais amplo das disciplinas, que tentem para os saberes dos discentes universitários, já trabalhadores(as) da Educação.

Este incentivar acadêmico seria interessante para os discentes da FFP, os futuros (ou professores atuantes) que ocorreria através de um novo paradigma para a cidadania. Como afirma Lizt e Bredariol (1998) “as pessoas devem ser diferentes, mas de maneira que essas diferenças não acarretem desigualdades e discriminação. O direito à diferença especifica aprofunda e amplia o direito a igualdade”.

Neste sentido amplo, a Constituição Federal foi ousada ao impor ao Poder Público e à Coletividade o dever de defender o meio ambiente, sendo este um bem coletivo. Isto significa que se o Estado cruzar os braços fazendo vista grossas à degradação ambiental, os cidadãos e suas associações terão os meios legais de exigir a proteção ambiental. As leis nem sempre são cumpridas, como quase sempre ocorre a legislação ambiental. As empresas e o próprio governo são muitas vezes os primeiros a violar a lei ambiental, invadindo o espaço público para defender interesses econômicos provados. A luta pela defesa dos direitos ambientais é, assim, uma luta para garantir o caráter público do meio ambiente. Estes direitos/deveres poderiam ser ensinados nos Cursos de Licenciatura da FFP/UERJ?

Alunos de Licenciatura e Professores, apropriados de informações, contribuem para a importância da Escola, e principalmente na Formação do Professores na Potencialização deste futuro profissional da Educação.

Reafirma-se a qualidade da Educação Ambiental, já firmada na página 8: Ela identifica problemas ambientais que afetam a qualidade de vida das pessoas; ajuda a descobrir as causas dos problemas; pode encontrar soluções alternativas através dos diversos mecanismos de participação comunitária; permite agir em busca dos interesses da comunidade.

Por isso, a Educação Ambiental parece tão distante e tão boicotada no Brasil. Ela é renovadora, revolucionaria e provocadora do exercício consciente e responsável de cidadania para fazer valer os direitos constitucionais. E parece ser bastante simples de ser debatida em uma escola de formação de educadores, como a FFP/ UERJ..

Acredita-se que para os estudantes da Faculdade de Formação de Professores, atividades diversas e de qualidade, além de um conjunto de participações poderiam contextualizar o tema e descortinar os caminhos a serem trilhados pelos futuros professores, nesta faculdade de Formação de Educadores.

Por ser uma proposta interdisciplinar, a Educação Ambiental na Faculdade de Formação de Professores – FFP/UERJ – não pertencia a nenhuma disciplina e nem a nenhum departamento. Ela se consubstanciou, nesta experiência concreta, realizada na FFP/ UERJ, em relação com muitos espaços cognitivos, buscando assim, inserir na discussão racional, seus referentes, pressupostos, princípios enfim seu quadro teórico e sua oportunidade prática.

CAPITULO TRÊS:
CONCLUSÃO

3.1 – AINDA DISCUSSÕES PROVISÓRIAS:

Há evidência de que a escola é o terreno onde repousam e alimentam-se as raízes mais fundas do processo de construção de uma economia competitiva, de uma sociedade mais justa e de um Estado democrático de direito forte e consolidado, conforme abordou Linhares (1992) em seu discurso:

“Encontramos uma grande maioria de alunos ‘magnetizados’ por uma escola idealizada com poderes ‘extraterrestres’, capaz de transformar os burros em inteligentes, os subalternizados em cidadãos capacitados para a cobrança e o usufruto dos seus direitos, os silenciados e emudecidos em pessoas aptas a comunicar-se de maneira elegante, os desajeitados e mal-amados em jovens enamorados que preparam seu futuro com a experiência de melhores empregos”.

Neste cenário, docentes devem se preparar e contribuir para que assumam-se não como subalternizados e sim como cidadãos. Futuros(as) professores(as) podem desenvolver a questão de compartilhar com a comunidade local os resultados obtidos, dependendo da natureza e das condições do grupo que queira divulgar suas transformações.

A Conferência Mundial sobre a População e Desenvolvimento realizada em setembro de 1994, no Cairo, Egito, definiu um programa para o controle da população mundial nos próximos vinte anos. População e Ambiente são questões intimamente ligadas e mais ainda quando a elas junta-se o problema do excesso de consumo e a importância do papel dos jovens, que são 52% dos habitantes do planeta.

A medida que o Século XXI chega, demandas crescentes são feitas à juventude para acompanhar a rápida mudança do mundo.

A falta de segurança mundial, devido ao desenvolvimento de cultura e estilo de vida insustentável tem causado uma sensação de alienação entre os jovens. O paradoxo é que, embora a contribuição da juventude seja claramente essencial para reverter este quadro, o papel dos jovens esta gravemente ameaçada.

Entender o desafio da juventude é aumentar o seu envolvimento, para compartilhar com todos e todas, na conservação do ambiente como decorrência das suas próprias conscientização e capacidade para visualizar uma vida de maravilhas compartilhada no futuro. Os alunos e as alunas da FFP/UERJ encontram-se neste estágio consciencial.

3.2 – TALVEZ PALAVRAS FINAIS:

Com base na Declaração Mundial sobre Educação para Todos e no Plano de Ação para Satisfazer as Necessidades Básicas de Aprendizagem (Conferência de Jomtien, 1990), este ensaio monográfico propõe um novo alinhamento para a questão ambiental na FFP/UERJ.

Propõe-se, em síntese, que da experiência na Faculdade, através do Núcleo Interdisciplinar em Educação Ambiental – NIEA, para adequar-se a Declaração da Conferência, deve-se rever simplesmente os projetos e programas que a FFP/UERJ desenvolve, através da analise social, com alunos(as) e professores(as) em relação à escola.

Os jovens professores, conscientes de seu papel, podem desenvolver o seu compromisso com o futuro, pela preservação do Planeta, pela sobrevivência dos povos e das nações na melhoria da qualidade de vida. Como cidadãos conscientes, por sua vez, constroem alterações profundas – de idéias, de comportamento, nas atitudes, nos valores – para construção do “Mundo novo em um consenso social”, que, por sua vez, poderia catalisar políticas públicas efetivas.

Ao aprender com a alienação presente e os erros do passado, sendo contemporâneos do mundo/de seu tempo e parceiros do amanhã, na competência das ciências ambientais pode-se construir o “novo”, pela participação e inserção nos movimentos sociais, aliando ação com reflexão critica (ação-reflexão).

A “sociedade” está sendo desafiada nesta argumentação a comprometer-se com a busca de soluções duradoras para mudar o mundo e o cenário universal, e o ambiente local.

Mudanças são necessárias desde o nível pessoal até uma etapa cósmica, como cidadãos-criticos. A questão sócio-ambiental-economica é delicada, somente um esforço conjunto e criativo, pode enfrentar esse repensar sobre ao direito maior de todos – o direito de viver. As propostas em estudos reais devem sempre ser humanistas e transformadoras.

A cogitação prioritária para o próximo século (XXI) é a busca do Homem inteiro, em conhecer-se, olhar para dentro. A chamada Era da Ecologia, onde a holística será o carro chefe, com o principio consciente: “o todo contem as partes e cada parte contem o todo”. Como já alertará o Chefe Indio Americano: “Tudo que acontecer a Terra recairá sobre os Filhos da Terra”.

Espera-se que estas reflexões deste texto de finalização do Curso de Geografia tenham contribuído para inicio de um debate que operacionalize as propostas feitas, apesar de todas as dificuldades apontadas. Este movimento configura também um sistema de acompanhamento (de avaliação) dessas ações.

Em uma prática refletida e em continuidade, na Faculdade de Formação de Professores – FFP/UERJ – pretende-se um local privilegiado da construção desta aliança possível.

Em conjunto, busca-se interlocutores para problematizar, implementar e buscar soluções viáveis. Pensa-se ser esta uma responsabilidade de todos e de cada um. Diante do futuro, não podemos mais continuar como órfãos gerados pelo “talvez” e pelo” quem sabe”.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

1. - ALVES, Nilda. GARCIA, Regina Leite. O Sentido da Escola. Rio de Janeiro: DP&A, 1999.

2. - AGB - Associação dos Geógrafos Brasileiros. Geografia e Questão Ambiental, São Paulo:CNPq/FINEP, 1988,120p.

3. - BARBOZA, Tânia. OLIVEIRA, Wilson Barbosa de (Coordenadores). A Terra em Transformação. Rio de Janeiro: Qualitymark, Ed.1992.

4. - BREDARIOL, Celso, VIEIRA, Liszt. Cidadania e Política Ambiental. Rio de Janeiro:Record, 1998.

5. - LINHARES, Célia; ALVES, Nilda (organizadoras). Formação de Professores: pensar e fazer. São Paulo: Cortez, 1992.(Coleções Questões da Nossa Época:v 1).

6. - BOFF, Leonardo. Nova Era: Civilização Planetária, RJ: Ática, 1994.

7. - CAMARGO, Luiz Octavio de Lima. Educação para o Lazer. São Paulo: Ed.Moderna, 1998 (Coleção Polêmica).

8. - CHAUI, Marilena. A Cultura do Povo. 3º edição. SP: Cortez: Intituto de Estudos Especiais, 1994.

9. CMMAD – Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – Nosso Futuro Comum. RJ: Fundação Getulio Vargas, 1988.

10. - DIAS, Genebaldo Freire. Educação Ambiental: princípios e práticas – São Paulo, Ed. Gaia, 1992.

11. - GONÇALVES, Carlos Valter Porto. Paixão da Terra: ensaios críticos de ecologia e geografia, Rio de Janeiro:Pesquisadores Associados em Ciências Sociais, SOCIL, 1984.

12. - Guia de Ações Complementares à Escola para Crianças e Adolescentes. Centro de Pesquisas para Educação e Cultura. São Paulo: CENPEC/ UNICEF, 1995,180p.

13. - MOYSES, Lucia M. O Desafio de Saber Ensinar. Campinas, SP:Papirus; Niterói, Rio de Janeiro:Editora da Universidade Federal Fluminense, 1994.

14. - REIGOTA, Marcos. Verde Cotidiano: o meio ambiente em discussão, Rio de Janeiro: DP&A, 1999.

15. - SANTA-RITA, Tânia Guimarães. A Avaliação da Aprendizagem como Construção do Conhecimento. Tese (Professor Titular em Química Orgânica). 162 pág., UFF, mimeo, 1993.

16. - SANTOS, Milton. O espaço do Cidadão. 2º Ed., São Paulo:Nobel, 1993 (Coleção Espaços).

17. - SORRENTINO, Marcos; TRAJBER, Rachel; BRAGA, Tânia (Organização). Cadernos do III Fórum de Educação Ambiental. São Paulo:Gaia, 1995.

18. - WEIL, Pierre. A Arte de Viver em Paz: por uma nova consciência, por uma nova educação, São Paulo: Editora Gente, 1993.

LISTA DE SIGLAS

   
     
     
    

AELAC Associação dos Educadores da América Latina e Caribe
CETESB Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental
EA Educação Ambiental
FFP Faculdade de Formação de Professores
IBAMA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
NIEA Núcleo Interdisciplinar em Educação Ambiental
ONG Organização Não Governamental
PIEA Programa Internacional de Educação Ambiental
PNUMA Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente
SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio as Pequenas e Micro Empresas
SESC Serviço Social do Comércio
UERJ Universidade do Estado do Rio de Janeiro
UNCED Conferência Internacional das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento – ECO-92
UNESCO Programa das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura
 

  
 
 
   

APÊNDICE I – QUESTIONÁRIO DA PESQUISA DE OPINIÃO

PESQUISA DE MONOGRAFIA NA FFP / UERJ
EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES: QUEM SE IMPORTA?
NOME: ............................................................................................................................................
CURSO:..........................................................................................................................................
PERÍODO: ....................................................................................................................................

Estimado colega da FFP / UERJ
Gostaria de contar com seu apoio. Necessito fazer um levantamento a respeito da Educação Ambiental em nossa Faculdade. Você pode colaborar respondendo às questões abaixo, em uma folha separada.

QUESTÃO 1.
Após, recordar, desde a entrada de ser Curso até este momento. Identifique onde (disciplinas, atividades, pesquisas, debates, encontros) existe Educação para o Ambiente?

QUESTÃO 2.
Registre sua opinião sobre a importância de 34 temas hoje presentes nos meios de comunicação e na pauta de discussões sobre o equilíbrio ambiental, listados em ordem alfabética. Relacione as 5 categorias de avaliação de acordo com a importância dos temas:
(MI) – MUITO IMPORTANTE                                                      (AI) – ALGUMA IMPORTÂNCIA.
(NI) – NÃO TEM IMPORTÂNCIA                                               (NS) – NÃO SEI
(NR) – NÃO RESPONDEU.

TEMÁTICAS

1. Arborização das cidades com árvores frutíferas
2. Biopirataria
3. Chuva ácida
4. Coleta seletiva de lixo
5. Condições de segurança do trabalho
6. Controle global de recursos hídricos
7. Controle internacional para manter equilíbrio ambiental
8. Controle populacional
9. Demarcação de reserva extrativista
10. Desenvolvimento industrial não planejado
11. Desmatamento
12. Destruição da camada de ozônio
13. ECO 92 – Conferência do Rio de Janeiro sobre meio ambiente
14. Efeitos da radioatividade
15. Esgotamento de recursos naturais
16. Extinção de espécies silvestres
17. Falta de saneamento básico
18. Lixo
19. Poluição atmosférica
20. Poluição hídrica
21. Poluição sonora
22. Preservação do patrimônio histórico
23. Propagação de doenças epidêmicas
24. Questão indígena
25. Reciclagem de papel
26. Reciclagem de plástico
27. Reforma agrária
28. Substâncias para colorir/ conservar alimentos
29. Urbanização planejada
30. Uso de agrotóxico
31. Uso de plásticos não-biodegradáveis
32. Uso indiscriminado da energia nuclear
33. Uso indiscriminado de pesticidas
34. Uso racional de energia solar

QUESTÃO 3.
Qual a definição, para você, da Educação para o Ambiente?

QUESTÃO 4.
Avaliando o papel da FFP na Formação de Professores e Professoras para a Educação para o Ambiente, quais sugestões você escreveria sobre o assunto.




APÊNDICE II – RESPOSTAS A PERGUNTA DOIS NO LEVANTAMENTO EXPLORATÓRIO NA FFP/UERJ–1999.



 

Por JOSÉ MAURO FARIAS


  • tera-feira | 21/10/2014 | Aristides Mboi...


    De facto quero agradecer o quão foi benéfico ler o desenvolvimento deste tema, que abrange vários aspectos sobre o meio ambiente na formação de professores. E, como professor que sou serviu-me de uma atualização de conhecimentos . Bem haja para o autor e espero contribuir também com alguns temas no futuro.

  • sexta-feira | 03/05/2013 | portnalli


    boa leitura



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