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A formação dos professores leigos da zona rural

A formação dos professores leigos da zona rural, História da educação no Brasil, Planejamento de ensino e avaliação, Construção do conhecimento em sala de aula.

4. MONOGRAFIA

4.1. INTRODUÇÃO

            O presente documento é parte integrante do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), que oferece subsídios, para formação inicial e contínua dos professores leigos da zona rural, em especiais, os da Escola Municipal Cristo Rei. Entendo que a profissão docente constitui uma unidade, qualquer que seja o nível de atuação.

            Partindo da base como da profissão de professor em formação, esta monografia está estruturada em diversos fundamentos, que se destina a preparar professores para atuarem no processo ensino-aprendizagem com uma boa qualificação dos docentes leigos da zona rural para o ensino fundamental, no município de Humaitá-Amazonas não está regulamentado sob a forma de um curso específico. De modo em geral a Lei de Diretrizes e Base (LDB) admite que esses docentes sejam preparados. No entanto, a exigência legal de todas as instituições de ensino é que tenham um mínimo de 30% de seus profissionais qualificados.

            Diante disso, os fundamentos e as metodologias desta temática em sua elaboração, mostra que os professores devem ter perspectivas de análises para compreender os contextos históricos, sociais, culturais, organizacionais nos quais se dá sua atividade docente, como condição de nela intervir; trabalhar o conhecimento no processo formativo dos professores, realizando a mediação entre os significados dos saberes da docência no mundo atual; procurar desenvolver os conhecimentos com base numa metodologia de problematizarão e análise das situações da prática social de ensinar; utilizar a pesquisa como princípio cognitivo do docente, propondo situação de investigação da realidade escolar e do ensino, de modo que se incorpore a pesquisa no percurso da formação e na prática dos professores.

            Os docentes da zona rural quando indagados a cerca do que esperam dos programas de formação para os mesmos, eles afirmam, em aprender as técnicas de ensinar – mesmo porque, de uma forma ou de outra, aprenderam a ensinar com suas próprias experiências e copiando as práticas de seus colegas mais qualificados. Nesse sentido, pode-se dizer que a educação é um processo natural que ocorre na sociedade humana pela ação de seus agentes sociais como um todo.

            Com isso, a educação é inerente à sociedade humana, conforme BRANDÃO (1981),

A educação está presente em casa, na rua, na igreja, nas mídias em geral e nos envolvemos com ela, seja para aprender, para ensinar e para aprender-e-ensinar. Para saber, para saber fazer, para ser ou para conviver, todos os dias misturamos a vida com a educação. Com uma ou com várias. (...) Não há uma forma única nem um único modelo de educação; a escola não é o único lugar em que ela acontece; o ensino escolar não é a única prática, e o professor profissional não é seu único praticante.

            Portanto, a presente obra propõe-se discutir as questões referentes à docência no ensino fundamental da zona rural, destacando a importância dos professores e de seu trabalho docente, importância essa relegada a planos inferiores tanto pelas instituições quanto pelos próprios docentes. A problemática sobre a formação do docente na zona rural é feita através da construção da identidade do professor e seu espaço institucional de trabalho nas suas diversidades sócio-culturais.

4.2. REFERENCIAL TEÓRICO

            Para os que se dedicam às tarefas de formação de professores, o problema do ensino não se resume em conhecer muito bem a área que se ensinará, fazendo-se necessário o conhecimento das condições sociais e cognitivas dos educandos, a preparação intensiva para o ensino. Freqüentemente o futuro professor deve necessariamente conhecer muitíssimo bem o campo de saber que será ensinado, caso contrário ensina o que não sabe ou pouco conhece. Porém, os participantes da formação geral e básica na área de conhecimento não reconhecem a legitimidade das preocupações com o aprendizado para crianças e adolescentes. Os participantes na formação de professores acusam os demais de julgarem que a educação se reduz a instrução, ao ensino. Segundo MAZZOTTI (1994), afirma que: “ao se planejar a formação de professores, como em qualquer planejamento, é preciso reconhecer as circunstâncias e trabalhar a partir delas. Do contrário corre-se o risco de estabelecer um processo irrealizável, ou de procurar realizar algo que só pode ocorrer como exceção”.

            Como o projeto de ensino-aprendizagem constitui-se em longo prazo, o projeto de formação de docentes deve ser orientado por um processo de emancipação que ocorre pela produção autônoma do conhecimento, como forma de promover a democratização dos saberes e como modo de elaborar a crítica da realidade existente. É importante que se diga que não há autonomia sem a possibilidade da cr´tica e não há crítica se o professor e o aluno não forem sujeitos do processo de formação. O professor e o aluno não podem constituir-se como sujeitos se, no processo de formação não puderem constituir-se como condutores de conhecimento sobre a realidade. Pois entendo que é pela prática da pesquisa que exercitamos a reflexão sobre a realidade como forma de sistematizar metodicamente nosso olhar sobre o mundo para poder agir sobre os problemas. Tanto a reflexão quanto a pesquisa são meios pelos quais se pode agir como indivíduos transformadores da realidade social. Isto indica enquanto professor é o de ensinar a aprender para que o conhecimento construído pela aprendizagem seja um poderoso instrumento de com bate as formas de injustiças que se reproduzem no interior da sociedade. Segundo TURRA (1982),

 “O conhecimento da realidade deve ocorrer antes da formulação dos objetivos. Para que isso se efetive é necessário que o professor faça um balanço sistemático das características, condições e problemas da realidade em que vai atuar. Esta tarefa envolve: o aluno, o professor e o meio”.               

Em nosso país, desde a década de 30, desenvolve-se uma tendência que sustenta a necessidade de se considerar a escola para crianças e adolescentes como um facilitador do desenvolvimento do educando, tornando-se por critério os conhecimentos postos pelas Ciências, pela Psicologia, a Sociologia e pela Antropologia. A educação escolar de massa teria por objetivos a incorporação dos alunos na modernidade, fornecendo os instrumentos cognitivos necessários para a compreensão geral das ciências modernas e do trabalho na sociedade contemporânea. Dessa maneira a formação dos docentes deveria centrar-se nas atividades que possibilitem aquele desenvolvimento e ao na memorização, por parte do aluno, de fórmulas e palavras. É neste contexto que podem compreender os legisladores brasileiros que formularam tanto a Lei 5.692/92, quanto as Resoluções referentes à formação de professores para o ensino fundamental. Estes legisladores participaram do movimento escolanovista e tinham por critérios as Diretrizes acima indicadas, embora tenham trabalhado sob as condições postas pela ditadura militar. O principal formulador da educação de professor foi Valmir Chagas.

            Este propôs um modelo de formação de docentes ao longo da escolarização, sustentando que as disciplinas de formação básica também examinassem de alguma maneira os problemas de seu ensino. Como se sabe, esse modelo ficou no papel, jamais se realizou como se pretendia.

            Todavia, a proposta de Valnir Chagas fora de cursos específicos para a formação de docentes, profissional exigida então pela nova Lei de Diretrizes e Base do ensino. Sendo o professor um profissional, deveria obter a formação pré-serviço em um curso delineado para tal. Os cursos de formação de professores teriam por base sua racionalidade no que foi denominada de princípio da concomitância, definida da seguinte maneira:

a formação pedagógica, encontra-se apenas em marcha e na verdade, evoluindo lentamente, o movimento lançado em 1962, para alcançar maior concomitância do que e do como ensinar. (...) enquanto isso, a Lei 5.692/71, passou a exigir uma especificidade de habilitação, já interpretada, em que o conteúdo é função do método e vice-versa. Essa interdependência tem de ser buscada muito cedo, na formação regular do licenciado e reconstruída sempre que ocorre aproveitamento de estudos anteriores...

            Para a efetivação da reforma do ensino, o legislador propôs duas medidas quanto ao quadro das escolas: uma, a aprovação do Estatuto do Magistério (art. 96, da LDB 5.692/71), onde estivesse fixado o regime jurídico, de trabalho e remuneração dos professores; outra, o estabelecimento de uma formação mínima e suas condições gerais para o exercício do magistério.

                        Os docentes que se dedicam à formação sustentam que o conhecimento a ser ensinado é um meio para se desenvolver os educandos, logo, deve ser subordinada a necessidade desse desenvolvimento. Com o processo cognitivo e afetivo dos educandos constitui-se chave para que o ensino tenha sucesso, afirmam a necessidade de se conhecer o processo pelo qual o aluno vai do estado de menor para o de maior conhecimento, entendido que a matéria de ensino é o meio pelo qual se facilita esse processo. Ainda que as circunstâncias nas quais se dêem à escolarização constituem-se o obstáculo ou facilitação do desenvolvimento da educação dentro do sistema de ensino. Logo, o futuro professor deve conhecer com acuidade, tais situações, já que a finalidade é formar jovens para a vida social, independentemente de que venham ou não cursar o ensino superior. Neste contexto, FERRAZ (1976, p.8) comenta:

 É bom que se observe que um sistema de ensino não pode nem deve, a pretexto de que precise ser autentico, limitar-se a reproduzir a realidade social em que acha inserido, refletindo-a com a docilidade de servil, da observidade a retratar a imagem posta a sua frente. Ele tem por missão, também, interferir nessa realidade, modificá-la, trabalhá-la, castigá-la, às vezes se necessário reagir contra ela, para transformá-la daquilo que ela é naquilo que ela pode ser e deve ser.

            O sistema de ensino educacional, compreende a totalidade de ação da educação formal e não formal, que se realiza no país, qualquer que seja seu grau, modalidade, natureza ou mantenedor. Logo, este funciona paralelamente aos sistemas de ensino estaduais e municipais. Do ponto de vista genérico, os sistemas de ensino estadual definem a ação educacional, como instituições educacionais, que por força da lei complementar, estão sob a jurisdição do sistema nacional. Quanto aos processos de ensino municipal, estes estão ligados a história da democratização política do país, que consagrou na LDB de 1961, o princípio da descentralização na gestão da educação. Dez anos mais tarde, com base nestes princípios, a LDB 5.692/71, abriu as portas para a municipalidade do ensino. Só em 1988, a nova Constituição Federal, atribuiu aos municípios competência para organizar seus respectivos sistemas de ensino, em regime de colaboração com os estados e a união. O município tornou-se, a nova instância fundamental de poder na educação básica como resultado de sua própria afirmação política.

            Compete aos municípios, através de suas secretarias de educação, a responsabilidade de colocar em ordem seus processos de ensino e administrar seus programas e projetos de formação e qualificação de seus docentes de ensino básico educação infantil, nos limites das diretrizes e objetivos nacionais. Neste sentido, Moacir Gadotti, o principal protagonista da União Nacional dos Dirigentes de Educação (UNDIME), afirma que: “os municípios devem articular-se com as demais instâncias de governo e com as entidades da sociedade civil para a execução e avaliação das atividades de ensino básico e educação infantil no âmbito municipal, visando à universalização de uma educação básica de qualidade em todo o país”.

            Atualmente o sistema escolar brasileiro é regido pela LDB 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional e declara que “a educação, os processos formativos que se desenvolvem em todas condições da vida social por meio do ensino em instituições próprias e que a educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e a prática social”.

            O ensino oferecido pelo sistema escolar brasileiro começa por uma base comum para todos, diversificando gradualmente até alcançar uma especialização em nível superior. De uma forma ou de outra, os propósitos de universalização e de melhoria do ensino fundamental, já estiveram presentes em numerosas leis educacionais e nas últimas constituições. Passaram-se os anos e esses objetivos estão longe de serem alcançados, como por exemplo: o analfabetismo não foi erradicado, o atendimento escolar não é universal e a qualidade de ensino deixa muita a desejar. Pó esse motivo, a LDB 9.394/96 volta a insistir nos mesmo objetivo, indicando os meios para a sua concretização. No art. 87, institui-se a década da educação, a partir da publicação da lei, ao fim da qual somente serão admitidos professores habilitados ou formados por treinamento em serviço. Diante disso algumas tarefas são atribuídas a cada município, no qual destaca, realizar programas de capacitação e formação para os professores em exercício, utilizando também para isto os recursos da educação a distância.

 Conforme PILETTI (2003),

a formação dos educandos tem sido excessivamente teórica, levando-os a enfrentar muitas dificuldades quando assumem e educação de uma turma de alunos. É claro que a teoria é importante, mas ela deve sempre ser informada pela prática, pelos problemas reais que os professores terão de enfrentar na sala de aula.

            Trata-se de algo difícil, pois geralmente a formação prioriza mais a influência externa do que a inspiração interna do indivíduo, mas de fundamental importância, já que qualquer ação será tanto mais segura e eficaz quanto mais tiver por base a experiência passada. Aperfeiçoar-se constantemente é de fundamental importância para novas idéias, novos métodos de ensino, novas experiências educacionais sempre surgem com possibilidades de melhorar o trabalho educativo, em qualquer atividade não existe a estagnação, o ponto de chegada, ou evoluímos constantemente através de sucessivos pontos de partida, ou regredimos irremediavelmente. A atualização é outro requisito essencial para o educador não alienado, que exerce suas funções num mundo real, em permanente transformação. Segundo NÓVOA (1992),

na construção da identidade docente, três processos são essenciais: o desenvolvimento pessoal, que se refere aos processos de produção da vida do professor; o desenvolvimento profissional, que se refere aos aspectos da profissionalização docente; e o desenvolvimento institucional para a consecução de seus objetivos.

             A profissão docente é uma prática educativa, ou seja, como tantas outras é uma forma de intervir na realidade social, no caso, mediante a educação. A formação de professores constitui um conjunto de práticas institucionais que raramente resulta na radicalização dos docentes. Os programas de formação docente poucas vezes estimulam os futuros profissionais a assumirem seriamente o papel do intelectual que trbalha no interesse de uma visão de emancipação. Diante disso, o professor da zona rural também se encontra neste contexto.

            Durante muito tempo, os órgãos públicos esqueceram as escolas da zona rural, transformando-as em subproduto das escolas urbanas. Sem formação adequada dos professores desta região, sem um olhar diferenciado, as escolas da zona rural não cumprem seu papel de respeitar esse universo cultural. No que diz respeito à educação, os indicadores desta área, são sempre os piores. De acordo com a professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Andréia Portela, “é preciso vontade política para mudar a educação na zona rural, que hoje é muito precária. Esta deve ter as mesmas condições de qualidade da cidade”.

            Na zona rural é muito comum a escola serem multísseriadas, sob a orientação de um único professor ministrando aulas de 1ª a 4ª série do ensino fundamental, e que desenvolvem seus estudos de acordo com planos semanais. As estatísticas mostram que existem 4.078 escolas desse modelo em todo o país, a maior parte nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Neste contexto, o coordenador do programa ESCOLA ATIVA executada pela Secretaria de Educação Infantil e Fundamental (SEIF), defende que:

“há escolas multisseriadas em todo o Brasil e até mesmo em países desenvolvidos. E há casos de alunos do programa que obtém desempenho melhor do que o de estudantes das escolas urbanas. Por isso, a escola multisseriada não é um mal em si, como alguns pensam”.

            Assim sendo, existem quatro aspectos principais a serem levados em conta na formação dos educadores:

è     Adequação aos diferentes níveis e modalidades de ensino;

è     Adequação as características de cada fase do desenvolvimento dos educandos;

è     Associação entre teorias e práticas;

è     Aproveitamento da formação e experiências anteriores.

De qualquer maneira, a formação do docente deve ter características apropriadas aos estágios básicos do desenvolvimento humano. São os recursos pedagógicos que contribuem para democratizar informações, expandir a educação à distância e a formação e capacitação de professores no interior do Brasil e de seus municípios.

4.2. MATERIAL E MÉTODOS

       O tema abordado deste trabalho é a Formação de Professores Leigos da Zona Rural, em resumo da Escola Municipal Cristo Rei. Utilizando o método de indução e observação, num enfoque crítico dialético, foi realizada uma pesquisa nas comunidades do lago Uruapiara, na zona rural, feita através de entrevistas e observações. Para a realização desta, encontrei alguns obstáculos, como por exemplo, o deslocamento de uma comunidade para outra eram feita por motor rabetas, por pequenos barcos, às vezes caminhando algumas horas pelas matas, ou seja, pelos caminhos que existem nas matas fechadas, etc. Essas entrevistas foram realizadas com 20 professores leigos dos quais 8 pertencem à escola Cristo Rei, 35 pais de alunos de 1ª a 4ª série dos quais 20 são pais de alunos que estudam na escola em questão.

       Antes de aplicar as entrevistas, com os professores, observei os métodos, as práticas, o desenvolvimento, as articulações dos mesmos. Diante da sala de aula, muitos não tinham uma noção de um plano de aula, não sabiam como preencher um diário de classe, suas aulas eram monótonas e cansativas. Ao entrevistá-los constatei que os motivos eram: a falta de conhecimento das metodologias, eles precisam de aulas, de reciclagens, cursos de aperfeiçoamento e capacitação, as condições financeiras não condiz com as realidades, enfim, esses são moradores fixos da comunidade. Daí a qualidade de ensino fica a desejar, os alunos não tem motivação para aprender, por isso a aprendizagem fica sempre em baixa.

       Visando uma qualificação desses docentes, a Secretaria Municipal de Educação e Desporto (SEMED) criou um projeto chamado PRORURAL. Com esse habilitou os professores leigos na área do magistério. Verificou-se uma pequena melhoria no desenvolvimento das aulas, mas ainda não eram suficientes, os professores continuavam sem opção metodológicas, sem práticas de ensino, desmotivadas com a baixa rendas. Alguns deles disseram que queriam um curso de qualidade, onde eles pudessem se aperfeiçoar, aprenderem novas técnicas de ensino, novos conhecimentos com a educação, pois os pais reclamam de que eles não sabem ministrar aulas, que os filhos permanecem de um a dois anos na mesma série por culpa dos professores. Falam também, que por falta dessa qualificação, os mesmos estão perdendo seus cargos por outros docentes vindos da cidade, com uma qualificação melhor que a deles.

       Quanto a esse ponto, eles tinham razão, pois os docentes da zona rurais foram sendo substituídos por professores da cidade e a qualidade de melhorou bastante, no qual esses estavam mais adaptados, tinham algumas maneiras melhores de ministrar aulas, enfim o processo ensino aprendizagem ganhou nova adaptação no meio rural. Perante tudo isso, se verificou, que de fato, os professores da zona rural em especial os do lago Uruapiara, precisam de uma formação mais elevada, de um conhecimento teórico e prático mais adequado aos seus ensinamentos, precisam de uma remuneração que os motive... que apesar de tudo, foram eles que deram início à educação escolar, alfabetizando e colocando as crianças de suas localidades dentro do processo educacional seguindo assim para a formação e integração do cidadão na sociedade.

       Portanto, do meu ponto de vista através da pesquisa-ação, hoje os professores da zona rural precisam de oportunidades para ingressar em uma universidade, no momento em que todos eles têm seu magistério, mas os mesmos acham que somente o nível superior lhes dará a qualidade de conhecimento necessário para que possam continuar exercendo suas funções, pois, cada um sente a necessidade de evoluir diante das diversas situações que o sistema os colocam.

4.3. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

      Os fatos que serão apresentados de uma pesquisa feita no lago Uruapiara na Zona Rural sob a temática, a má formação dos professores leigos desse lugar, onde descobri que, a falta de conhecimento e metodologia na prática de ensinar juntamente com a desvalorização desses docentes é as principais causas deste problema.

       Na zona urbana, a cada dia o professor tem encontro marcado com o conhecimento em salas de aulas simples ou diante de modernos equipamentos, mas apostando na educação como um processo permanente, com maior ou menor apoio dos governos estaduais e municipais, os mesmos estão marcando presença em cursos de aperfeiçoamentos e graduação. Enquanto os professores da zona rurais dividem suas tarefas entre a escola, para ensinar o pouco que sabe e sua atividade agrícola ou pesqueira onde ele tira o alimento para ajudar na sobrevivência de família. Daí a necessidade de implantar cursos ou meios de instrução mais elevada para esses profissionais.

       Diante dessa situação, a professora Nilda Guimarães Alves, presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED) afirma que: “ao mesmo tempo que enfrenta, muitas vezes, uma situação difícil na educação, o docente tem demonstrado postura muito positiva na busca de novos cursos para o seu aperfeiçoamento”. Por isso, que os docentes rurais estão reivindicando esse tipo de conhecimento, para que eles tenham a mesma qualificação dos demais colegas.

       Para comprovar tais afirmações sobre a má qualificação desses docentes, a Secretaria Municipal de Educação realizou um concurso público no ano de 2003 para professores, com o intuito de efetivar os demais na área rural nos ensinos de 1ª a 4ª série do ensino fundamental, onde todos os professores da área rural tinham que prestar esse concurso, no qual os mesmos já tinham concluído o magistério através do PRORURAL, projeto esse criado também pela SEMED no ano de 1999 com duração de três anos divididos em semestres...

       Quando saiu o resultado do concurso, a tristeza e lamentações foram muitas, pois 85% dos professores que lecionavam e moravam naps comunidades rurais, não conseguiram passar no concurso, devido segundo eles, a falta de oportunidades, de aperfeiçoamento, enfim os docentes dessa área ficam sempre em segundo plano diante dos projetos administrativos do município. Nesse sentido, a diretora do Departamento de Políticas de Educação a Distância (DPED) Carmem Moreira, relata que: “o curso de aperfeiçoamento realmente eleva a qualidade do ensino, além de aumentar a auto-estima dos professores leigos, que tinham vergonha de sua formação”. Diz também que: “a formação continuada tem que vir acompanhada da valorização da carreira, caso contrário, o professor pode deixar o magistério e fazer outra coisa na vida”.

       Quem trabalha com a educação na zona rural, quem está na sala de aula lidando diariamente com as carências e as realidades das escolas e dos alunos dessa região, não se espantam com os resultados. Pois, esses profissionais sabem que enquanto os governantes municipais não agirem com novos projetos de qualificação, de aperfeiçoamentos para esses trabalhadores educacionais, os níveis de ensino e a aprendizagem sempre serão os mesmos.

       Assim sendo, diante das discussões aqui apresentadas, descobri que apesar de todas essas dificuldades mencionadas, os professores da zona rural e em questão os do lago Uruapiara, dizem estarem esperançosos com as mudanças que virão, pois os mesmos estão cientes de alguns programas políticos educacionais, que o governo federal está implantando em todo o país, principalmente porque esses projetos se estenderão pelas zonas rurais, como por exemplo, o programa nacional de formação e valorização de professores leigos. Com isso, eles continuam mantendo acesa a chama da esperança de que breve eles estarão atingindo seus objetivos, que é melhorar e aprender novos conhecimentos e métodos de ensinar para que possam transmitir de maneira eficaz e com êxito o processo de ensino-aprendizagem, que seus alunos se tornem cidadãos dignos de enfrentar a sociedade lá fora.

4.5. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

       Os professores que estão em busca de uma formação profissional, muitas vezes luta contra com os seus rendimentos, ou seja, os baixos salários e a necessidade de encontrar fontes de renda. Sopram no ouvido de cada profissional a tentação de deixar a carreira ou de abandonar indefinidamente a adesão ao movimento de formação. A grande maioria dos professores quer se aperfeiçoar, mas a educação não tem como evoluir sem a valorização do profissional. A Secretaria de Educação precisa oferecer mais cursos e o que o Ministério da Educação fizer para melhorar o rendimento desses docentes em sala de aula será sempre de grande importância.

       A secretária da Associação Nacional pela Formação de Profissionais de Educação (ANFOPE), Helena Freitas, afirma: “a real valorização do magistério precisa ter três alicerces sólidos: boa formação inicial; boa formação continuada; e boas condições de trabalho, salário e carreira”.

        A partir deste sentido, é que os docentes da zona rural precisa, pois os mesmos se sentem esquecidos diante dos programas de ensino e a real valorização desses profissionais fica de lado. Esses, segundo a pesquisa feita, eles já estão vivenciando a chance de freqüentarem uma universidade, de estarem dispostos a melhorarem seus conhecimentos, pois eles estão atualizados e informados dos programas políticos educacionais que estão sendo voltados para o interior, principalmente para a zona rural de cada município. Na Escola Municipal Cristo Rei, no lago Uruapiara, os professores leigos desta, estão motivados e ficam na expectativa de que a Secretária Municipal de Educação crie um projeto de formação a nível superior, no qual os mesmos têm tanta vontade de freqüentar.

       Devidas algumas reivindicações e as necessidades de profissionais para a área rural, a SEMED – Humaitá, já previu um vestibular no final do ano de 2004. Com isso, segundo os professores rurais, é uma grande oportunidade e que só assim a qualidade de ensino dos ribeirinhos e a valorização do docente será digna de um bom trabalho e eles esperam que realmente se concretizem estas propostas. De acordo com a presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED), Nilda Alves, “existem um movimento de universalidades públicas em direção ao interior. A participação delas na formação de professores de cidades menores é com certeza mais cara do que a certificação, mas a certificação é um caminho equivocado”.

       Portanto, aqui concluo os fatos e relatos através de observação e pesquisa direta com os elementos em questão, afirmo que a formação dos professores leigos da zona rural, em especial os docentes da Escola Municipal Cristo Rei do lago Uruapiara, existem a grande necessidade deles obterem o mais rápido possível o aperfeiçoamento na prática educacional, visando assim a sua valorização como educador, a seguridade do seu emprego..., caso isso não aconteça o mesmo sabem que vão sendo substituído por outros devidos sua qualificação. Por isso, é preciso que a s autoridades educacionais e administrativas do município, criem projetos que facilitem a formação desses profissionais, para que eles obtendo essa qualidade de conhecimentos possam contribuir e melhorar o processo ensino-aprendizagem para o bom rendimento escolar do aluno, pois só assim cada professor terá seu reconhecimento perante as comunidades onde convivem em sociedade.

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Por VILANDRO BATISTA DA SILVA




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